“A Covid-19 deu a conhecer aptidões que pensávamos não ter”

João Paulo Ferreira é o country manager da Hoover em Portugal e, em entrevista à Valor Magazine, falou sobre o período que o mercado nacional atravessa, dos desafios colocados às empresas e colaboradores e do comportamento dos consumidores. O futuro e as medidas a tomar para relançar a economia foram temas em destaque.

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João Paulo Ferreira, country manager Portugal

Começo por lhe dar os parabéns pelas distinções Marca de Confiança e RedDot 2020 que foram atribuídas à Hoover. Qual a importância destas distinções na relação da Hoover com os seus clientes?

Muito obrigado, aproveito para agradecer também aos consumidores que votaram em nós pelo quinto ano consecutivo, elegendo a Hoover como marca de confiança em 2020 na categoria de aspiradores. Estes prémios trazem muita responsabilidade, mas também uma grande satisfação. Quanto ao RedDot, trata-se de um prémio de design que nos deixa muito orgulhosos de poder fazer produtos que os consumidores consideram atraentes.

Quais foram as adaptações que a Hoover levou a cabo para enfrentar a Covid-19?

Toda a empresa foi colocada em teletrabalho desde o dia 14 de março. Felizmente, todos os colaboradores estavam já dotados de tecnologia suficiente para trabalharem de qualquer ponto remoto e é assim que temos trabalhado até hoje. Estamos em contacto diário com todos os clientes, tentando manter o mais possível a normalidade, com a devida distância.

Que impacto teve a Covid-19 na empresa?

Esta pandemia tem tido impacto em todos os setores e o nosso não é exceção. O mercado de grandes e pequenos eletrodomésticos tinha, no nosso país, uma predominância nas lojas físicas, talvez por uma questão cultural. As vendas por internet eram apenas cerca de 6% do total, mas em três semanas houve um crescimento exponencial do canal online. Todo o mercado teve de se ajustar rapidamente a este modelo de compra. Acredito que o online crescerá bastante a partir de agora e, se as experiências de compra forem boas para os consumidores, terá uma continuidade crescente. Houve, por isso, uma grande transformação nos canais de venda. Esta alteração obrigou todos os players a terem um maior foco em todo o meio digital, de forma a chegar nesta altura ao maior número de consumidores, garantindo que as experiências de compra sejam as melhores possíveis.

Os clientes continuam a procurar este tipo de produtos e equipamentos?

Hoje, máquinas de lavar roupa, a louça, entre outros produtos fazem parte do quotidiano de todas as pessoas. Na nossa área houve nos primeiros dias uma corrida a produtos de armazenamento de alimentos como arcas e frigoríficos. Obviamente que há categorias de produtos com muito mais procura do que outros, tais como produtos de limpeza de pavimentos.

Como está a Hoover a marcar presença no mercado, dadas as circunstâncias atuais de confinamento?

Tentando estar mais ativos nos meios digitais e redes sociais, de forma acontinuarmos perto dos nossos consumidores, quer seja com campanhas ou outras atividades que tentamos adaptar ao meio digital. Melhorando dia a dia todos os conteúdos disponíveis na web, para ajudar a uma melhor opção de compra.

Quais são os últimos avanços da marca, e em que setores?

A nossa aposta é contínua na área de aspiração, apresentando novos produtos que venham ao encontro das necessidades dos consumidores. Vamos lançar brevemente uma linha de purificadores de ar e produtos de limpeza a vapor, para preencher a nossa gama de pequenos domésticos. Nos grandes domésticos, temos toda uma gama renovada e produtos de encastre para equipar as cozinhas, aliando um belo design à tecnologia de ponta. Lançaremos, em junho, uma gama de máquinas de lavar roupa Hoover, super inovadoras com design profissional – as H-Wash 500.

Quais lhe parecem ser os grandes desafios do pós-Covid-19?

Os tempos atuais obrigaram-nos a todos a repensar estratégias que nos pareciam certas e inabaláveis. Felizmente o confinamento deu a conhecer uma parte mais humana das empresas que, como nós, não baixaram os braços e tentaram manter postos de trabalho, sem recorrer a apoios. Contamos obviamente com a solidariedade de todos os funcionários em manterem-se ativos, mesmo que remotamente e com os constrangimentos causados pelo afastamento social. Acredito que o mundo nunca mais será o mesmo e muitas das barreiras criadas pela pandemia vão acompanhar-nos durante algum tempo ou talvez para sempre. O maior desafio para retomar e relançar a economia, mais uma vez, ficará ao encargo da iniciativa privada, porque a forma que o Estado encontrou para apoiar é criar mais impostos, que muitas vezes asfixiam e muito as pequenas e médias empresas e afastam os grandes investimentos de multinacionais no nosso país. O turismo, por exemplo, que tem um peso importante no PIB do país, tem de ser apoiado de forma inequívoca e a médio e longo prazo, para se tentar segurar os postos de trabalho e continuarmos a atrair turistas de todo o mundo, porque continuamos a ser um povo que sabe bem receber, onde há segurança, boa comida e boa gente. O nosso país até agora tem estado longe dos números negros dos nossos vizinhos, e isso pode ajudar, mas as trocas comerciais entre nós necessitam de reatar urgentemente, para dinamizar algumas áreas. Talvez uma parte importante das empresas em Portugal, que já não tinham antes uma boa saúde financeira, tenham imensas dificuldades se a Banca não apoiar fora dos ratings habituais, permitindo um endividamento extra, com prazos de pagamento mais alargados. Caso contrário, haverá um número crescente de insolvências e respetivo aumento do desemprego. Sou um otimista e acredito que haverá vida no pós-Covid-19 e, mesmo que socialmente esta fique marcada por alguma desconfiança e mudança de postura, deu também a conhecer muitas aptidões que pensávamos não ter. Mas este será sempre um infeliz acontecimento, que marcará para sempre todos os que passaram por ele, quer direta quer indiretamente.

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