“A Indústria 4.0 implica investimentos elevados”

A SEW-EURODRIVE nasceu há mais de 85 anos, na Alemanha, e começou a sua internacionalização em 1960. Em Portugal, a empresa está presente há 30 anos, produzindo e comercializando soluções de acionamento para todas as áreas de atividade industrial. Nuno Saraiva, engenheiro e general manager da empresa em território nacional, e João Guerreiro, engenheiro e diretor comercial, assinalaram o trigésimo aniversário da empresa e apontaram os objetivos para os próximos anos.

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Nuno Saraiva, general manager

Como se caracteriza a SEW-EURODRIVE enquanto empresa e como se adaptou ao mercado nacional?

Nuno Saraiva (N.S.): A SEW-EURODRIVE é uma empresa alemã que iniciou a internacionalização em 1960 no mercado francês, seguindo-se depois outros países. A Portugal, chegou em 1990. Inicialmente, era apenas um escritório, para atendimento ao cliente, mas a partir de 1992 começámos também a ter uma unidade de montagem.

O Grupo SEW tem uma política de adaptação máxima aos mercados onde se instala, contratando apenas pessoas daquela nacionalidade. No caso, em Portugal, o general manager e toda a equipa são portugueses, na Turquia são turcos… O objetivo é assegurar uma adaptação total da empresa ao mercado, pois cada mercado tem as suas necessidades e o seu próprio modo de funcionamento. Em determinados mercados são valorizados alguns aspetos que não são valorizados noutros e é por isso que é fundamental conhecer muito bem o mercado. Também por isso não trabalhamos com representantes, gostamos de estar presentes no mercado enquanto marca e próximos dos clientes.

Que soluções de acionamento disponibiliza a SEW-EURODRIVE e em que áreas se podem aplicar?

N.S.: Quando a empresa começou, ficou conhecida pelos redutores e motores elétricos. Entretanto, a evolução foi enorme e comercializamos todo o tipo de soluções para movimentar qualquer tipo de carga, do ponto A para o ponto B. Estamos presentes nos aeroportos, com a movimentação das bagagens, nas indústrias de alimentação e bebidas, nos setores da cortiça e do cimento, na indústria do papel e na logística de portos, nomeadamente na movimentação de contentores. Há cerca de cinco anos, começámos a explorar uma nova área: a modernização de máquinas, pois existem clientes que necessitam de um sistema de acionamento tecnologicamente atual, mas não necessitam de trocar a máquina na totalidade. É uma área promissora, cada vez com mais interessados, mas ainda levanta algumas desconfianças aos empresários nacionais. Há ainda uma terceira área em que trabalhamos – os assistentes de logística autónomos – onde permitimos que o cliente receba os componentes e construa o seu próprio assistente ou disponibilizamos um assistente 4.0, autónomo, totalmente construído pela SEW. Atualmente, na SEW-EURODRIVE Portugal produzimos cerca de 30% das encomendas, sendo as restantes produzidas na Alemanha. Com o investimento em curso queremos inverter completamente este rácio. Em Portugal produzimos os equipamentos que são mais pedidos pelos clientes e que são mais necessários às indústrias, equipamentos mais específicos vêm da Alemanha.

As vossas peças são modulares. Tal facto encaixa na vossa filosofia de evolução constante, permitindo aos clientes acrescentar equipamento ao já existente?

N.S.: As peças modulares são muito importantes, até mesmo pelo nosso conceito de empresa. Estando presentes em mais de 80 países, o facto de as peças serem modulares garante a possibilidade de estas serem enviadas da Alemanha, montadas em qualquer parte do mundo e assegurar que permitem o maior número de combinações possíveis. Por outro lado, isso dá a possibilidade, aos nossos clientes, de poderem substituir peças mais antigas por mais novas, evoluindo o seu sistema de acionamento. Todavia, temos sistemas que não comercializamos separadamente, pois acreditamos que o equipamento é tão mais eficiente quanto mais agrupados estiverem os seus componentes.

INDÚSTRIA 4.0 – o novo paradigma

A Indústria 4.0 é um pilar e uma aposta para o futuro. Quando se tornou uma área importante para a SEW?

João Guerreiro (J.G.): A Indústria 4.0 surge na era da digitalização e das clouds. Ela tomou mais efeito na SEW em 2016, quando lançámos, na Feira de Hannover, a primeira grande demonstração sobre a Indústria 4.0, com uma exposição de uma “smart factory”, onde todos os sistemas estão interligados e têm um fluxo próprio. Foi também aí que apresentámos, pela primeira vez, o “mobile assistant system” que, no fundo, é um AGV – Automatic Guided Vehicle. Estes tornaram-se a nossa grande aposta e começámos a investir nos AGV’s, como sendo um dos equipamentos que faz parte da Indústria 4.0. Antes, os transportadores eram linhas fixas e agora são móveis. Antes, movimentávamos os produtos do ponto A para o B através de um equipamento fixo. Agora, o próprio equipamento é móvel e transporta o produto para onde o queremos levar.

João Guerreiro, diretor comercial

Para além disso, a SEW-EURODRIVE desenvolve outros produtos, como o DriveRadar ® , que monitoriza a condição dos equipamentos. A partir dele, podemos retirar todos os dados necessários para verificar qual o estado do mesmo.

A SEW-EURODRIVE desenvolve automação industrial em máquinas e, através da criação de um IP para aquele equipamento, conseguimos ligar-nos a ele e monitorizar o seu estado de funcionamento, cadência da produção, consumos, etc…, e ainda avaliar o seu estado de manutenção, com a possibilidade de identificar quais os componentes que poderão vir a necessitar de uma intervenção, permitindo assim fazer uma manutenção preditiva, tudo isto com acesso remoto.

Em Portugal, existe capacidade de investimento na Indústria 4.0?

(J.G.): Sim, e cada vez mais o interesse neste tipo de equipamentos aumenta. Existem grandes grupos económicos que já têm este tipo de máquinas incorporadas no seu dia-a-dia de produção, mas esta continua a ser uma área na qual o investimento a fazer em tecnologia é muito alto e as mais-valias desta indústria não são visíveis imediatamente. Na verdade, o que prevejo que aconteça é uma substituição gradual dos equipamentos / máquinas mais antigas, por novos já com ligação à Indústria 4.0. No futuro, as empresas não serão capazes de trabalhar sem Internet, pois o funcionamento das máquinas passará também por esta rede.

Os recursos humanos necessários para trabalhar a Indústria 4.0 necessitam de muita formação e constante desenvolvimento de capacidades. Como é possível manter estes profissionais atualizados?

(J.G.): Temos um programa interno no Grupo SEW-EURODRIVE para assegurar formação aos nossos engenheiros, sobretudo no que respeita aos AGV’s. A maioria dos nossos colaboradores são engenheiros eletrotécnicos e mecânicos, para quem a adaptação a estas novas tecnologias é mais fácil. O nosso objetivo é conseguir garantir que fornecemos assistência técnica não apenas a todos os produtos e soluções que produzimos e comercializamos em Portugal mas também a todos a todas as soluções constantes do portefólio da marca SEW-EURODRIVE.

Que projetos têm ativos, atualmente?

(J.G.): Nós temos dois projetos a decorrer, relacionados com a construção de AGV’s. Um deles é um projeto interno, que iremos construir em resultado da ampliação das nossas instalações. O outro projeto é também relacionado com estes equipamentos, mas é para um cliente.

Existem ainda mais dois projetos do género, em estudo. Ainda é uma área difícil, porque ainda existem muitos intervenientes no nosso tecido industrial e de serviços que não identificam as mais-valias deste tipo de equipamentos e torna-se fundamental, da nossa parte, desmistificar esta solução e demonstrar os seus benefícios para o funcionamento de uma empresa.

Que avaliação faz deste tempo que atravessamos e como considera que esta área irá evoluir?

(J.G.): Enquanto não houver vacina ou medicamento, será difícil traçar objetivos. Dos projetos que existiam, alguns foram cancelados e outros adiados. No que respeita a novos projetos, praticamente não têm surgido, o que me deixa um pouco expectante. Acredito que 2022 será o verdadeiro ano de total retoma económica, pois a indústria tem sempre um desfasamento de cerca de seis meses pelo que, em 2021, ainda se irão notar efeitos desta pandemia.

www.sew-eurodrive.pt

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