“A mobilidade sustentável é transversal à estratégia de desenvolvimento do nosso concelho”

O município da Chamusca é conhecido pela sua ligação à ecologia e sustentabilidade, participando há vários anos na Semana Europeia da Mobilidade, que este ano tem lugar entre 16 e 22 de setembro e foi o mote para a entrevista com o presidente da autarquia, Paulo Queimado.

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Paulo Queimado, presidente

Que características gostaria de destacar, no que respeita às diferentes áreas desenvolvidas?

O concelho da Chamusca é um território com cerca de 746 quilómetros quadrados, distribuídos por sete grandes núcleos populacionais e cinco freguesias, caracterizado por uma zona de terrenos férteis da Lezíria do Tejo e por uma zona de Charneca, com uma grande mancha florestal, com destaque para o montado de sobro. Esta diversidade territorial, além de garantir a existência de diversas atividades económicas agroflorestais, que são um dos pilares da economia local, oferece ainda uma enorme riqueza de património natural, fauna e flora, que potenciam os recursos turísticos do nosso concelho. O Rio Tejo e as atividades ligadas à natureza são um dos eixos a desenvolver e a qualificar para atrair mais turismo e riqueza.

Por outro lado, está instalada no nosso concelho a principal fileira industrial de valorização e tratamento de resíduos em Portugal, seja ao nível dos resíduos domésticos, resíduos industriais perigosos, resíduos hospitalares, entre outros. É o Ecoparque do Relvão e é nesta fileira que a Chamusca tem um dos principais eixos do seu desenvolvimento económico, da criação de emprego e de atração de quadros qualificados.

O município da Chamusca está também a dinamizar novos projetos, ao nível da educação e da qualificação dos recursos humanos (nomeadamente através de projetos na área das Parcerias para o Impacto e que totalizam cerca de 800 mil euros de investimento), da promoção do empreendedorismo jovem, do apoio a novos negócios e à valorização das artes e dos saberes artesanais tradicionais da Chamusca. Paralelamente, requalificamos e construímos os equipamentos indispensáveis para a fixação de população, como equipamentos escolares e de apoio às famílias.

Como avalia a importância da Semana Europeia da Mobilidade?

A Chamusca é conhecida por ser um concelho com forte ligação à ecologia e ao meio ambiente, até pela existência do Eco Parque do Relvão, por isso, é natural a dinamização de atividades que promovem os valores da sustentabilidade ambiental. Destaco os projetos que iremos implementar na área da mobilidade urbana sustentável, no âmbito da estratégia de regeneração urbana, através da criação de estações de carregamento rápido para viaturas elétricas e de estações para bicicletas elétricas.

Que iniciativas serão levadas a cabo, de 16 a 22 de setembro?

O município vai encerrar à circulação automóvel o Largo João de Deus e o Largo Vasco da Gama, de 16 a 22 de setembro. No dia 19 de setembro, vamos disponibilizar trotinetes e bicicletas elétricas para experimentação da população e no dia 21 estarão disponíveis automóveis elétricos para test-drive da população. No dia 22 de setembro, Dia Europeu Sem Carros, promoveremos o “Dia sem CO2”, através das redes sociais e da utilização de hashtag #mobilityweek. Neste dia, o objetivo é incentivar os munícipes a optar pela deslocação a pé, de bicicleta ou através de outros meios de transporte sustentável para o trabalho.

A Câmara Municipal da Chamusca destaca-se como “município amigo do desporto”. Esta posição é um bom motivo para celebrar a Semana Europeia da Mobilidade?

Nesta semana iremos incentivar os munícipes a deslocarem-se a pé, de bicicleta ou noutros meios sustentáveis. Ao longo de todo o ano, como Município Amigo do Desporto, promovemos e apoiamos iniciativas que valorizam a atividade física, tais como caminhadas, passeios de canoa no rio Tejo ou ainda outras atividades que promovem estilos de vida saudável. Na Chamusca, a mobilidade sustentável não é algo que pensemos apenas uma semana do ano, mas que é transversal à estratégia de desenvolvimento do nosso concelho.

Durante todo o ano, que alternativas à utilização automóvel disponibiliza o município aos chamusquenses?

Na Chamusca, ainda não dispomos de uma vasta rede de ciclovias, mas inauguramos recentemente o Centro Cycling do Arripiado, um dos centros cycling de referência no Ribatejo e no Alentejo, e onde vão estar devidamente marcados os percursos pedestres e cicláveis, numa zona que dispõe de excelentes condições paisagísticas e naturais, nas margens do rio Tejo, na zona entre o Arripiado e o Castelo de Almourol.

A mobilidade passa também por impedir a circulação de veículos em determinadas zonas da vila, nomeadamente no centro histórico. A C.M. Chamusca tem em vigor alguma medida deste género?

Na semana de 16 a 22 de setembro, iremos encerrar à circulação automóvel o Largo João de Deus e o Largo Vasco da Gama. No entanto, no âmbito da estratégia de Regeneração Urbana, está prevista a possibilidade de, no futuro, fazermos o encerramento temporário, em determinados períodos do ano ou para a realização de eventos, das áreas urbanas envolventes ao Mercado Municipal, Largo Vasco da Gama e Largo João de Deus.

Como se posicionou o município no que respeita às questões económicas e sociais que afetaram empresas e famílias, devido à Covid-19?

Disponibilizamos todos os recursos e encetámos todos os esforços necessários para evitar que a pandemia tivesse efeitos graves na saúde pública do nosso concelho, implementando medidas que ajudassem a minorar os seus efeitos junto dos grupos mais desfavorecidos e em risco e junto da economia local. Para as famílias, foi prestado apoio no fornecimento de refeições escolares aos agregados familiares identificados.

Na área da educação, importa destacar o importante investimento na constituição de uma bolsa de computadores portáteis, para apoiar os mais pequenos nas aulas à distância, e ainda na criação de um canal Youtube, um canal de vídeoaulas exclusivamente preparadas para as crianças do concelho pelos técnicos das várias áreas de apoio à docência.

Para toda a população, foram criadas linhas de apoio e de informação permanentes, apoiámos financeiramente as IPSS do concelho para que adotassem medidas de minimização do risco de infeção pelo coronavírus e para fazerem face aos custos acrescidos com a pandemia. Apoiámos ainda o comércio local, com várias isenções e medidas de estímulo fiscal de base local.

Quais os maiores desafios que ainda falta solucionar?

Devemos apostar na qualificação do potencial humano dos nossos munícipes, dos mais jovens aos seniores, promovendo desta forma um desenvolvimento harmonioso e coeso de toda a população e de todo o território.

Ao nível do território, a Chamusca carece urgentemente de soluções de mobilidade intrarregional. Reclamamos o fecho do Itinerário Complementar IC3, através da construção da ligação da A13 entre os nós de Almeirim e de Atalaia-Barquinha, o que levará à necessária construção de uma obra de arte que faça a ligação entre as duas margens do rio Tejo e que, naturalmente, defendemos que seja construída na zona da Chamusca. Porque esta solução é que a serve verdadeiramente o concelho e toda a região envolvente.

Temos ainda de concretizar a regeneração urbana dos nossos principais núcleos populacionais históricos, numa estratégia integrada com o apoio à revitalização do comércio e da economia local. O desafio da educação é, contudo, aquele que mais centra a nossa atenção.

Enquanto presidente, que balanço faz do trabalho feito?

Como autarca tenho a clara noção de que o trabalho nunca está terminado. Por isso, em conjunto com o todo executivo municipal, com os serviços da autarquia e com todos os parceiros externos do município, trabalhamos diariamente para concretizar os diversos objetivos a que nos propusemos, sempre norteados pela estratégia central que definimos para o futuro do concelho. Acredito que, nos próximos anos, todos os principais projetos para o futuro do concelho terão o seu desenvolvimento, assentes em passos seguros e firmes e sem comprometer o futuro e a solidez financeira do município. Somos pelo trabalho em rede e em parceria e é esse o sentido da nossa ação enquanto autarcas.

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