“Criar” é a palavra-chave

A Habitectura é uma empresa com 21 anos de atividade, fundada pela arquiteta Maria Santos Cortes. Mulher criativa e sempre pronta a colocar a imaginação em prática, a arquiteta, escultora e pintora assume que criar algo requer responsabilidade, mas diz-se sempre pronta para fazer mais e melhor.

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Maria Santos Cortes, arquiteta e administradora

Enquanto mulher criativa, a Arquitetura foi desde sempre a sua área profissional de eleição?

A arquitetura foi sem dúvida a minha área profissional de eleição. Desde muito pequena que dizia que ia ser arquiteta. Ao longo dos anos, percebi o que gostava mesmo… Pintura! Não saía do núcleo da criatividade, mas é uma arte que me fascina. Posteriormente, como que num lapso, percebi que esculpir pedra era um sonho realizado, era aquilo que mais satisfação me dava. Tenho sempre uma visão diferente de tudo o que vejo e consigo adaptar de forma a realizar o pretendido. Por vezes, basta olhar para um objeto na rua, no lixo, mesmo que obsoleto, e na minha cabeça transformo-o em algo deslumbrante. Tudo o que faço, faço com convicção, e uma vontade gigante de fazer mais. Criar não é uma tarefa fácil. A nossa mente está sempre em constante sobressalto, é um turbilhão, entre ideias e
realizações. Isso deixa-me com muita responsabilidade para dar mais e melhor.

A criatividade e a inspiração caminham em conjunto?

Sem dúvida que caminham paralelamente. Sempre que existe inspiração, a criação de algo é um dado adquirido. Por vezes, quando se começa a criar, leva-nos a mais inspirações e isso requer responsabilidade, pois exigimos cada vez mais de nós próprios.

Quais os principais valores que coloca no seu trabalho criativo?

Tudo é considerado como importante. Tudo tem de ser adaptado para que a funcionalidade, a sustentabilidade (cada vez mais), a integração no espaço e a qualidade façam a diferença. Quando somos confrontados com o cliente, contam ainda os custos, a vontade do cliente e toda uma panóplia de regras que, dentro do conceito inicial, leva-nos ao produto final.

Quais os maiores desafios para a mulher atualmente, nas suas vertentes familiar, pessoal e profissional que considera ainda serem distintos dos desafios colocados aos homens?

Conciliar todas estas áreas é desafiante e delicado. Tenho a sorte de o meu marido estar no meu meio profissional, o que o ajuda a perceber todos os meus contratempos, mas ainda assim isso requer nele alguma paciência, pois como ele diz muitas vezes, “é um desassossego estar casado com uma mulher que coloca a imaginação sempre em prática”. De qualquer forma, cada vez mais, sinto que as mulheres têm um papel tão preponderante quanto o homem na vida familiar, profissional e pessoal.

Que avaliação faz destes 21 anos de mercado?

A Habitectura foi crescendo de forma gradual e, como mulher criativa, fui adaptando a empresa aos meus hábitos e vontades. Da mesma forma que o mercado foi mudando, nós fomo-nos adaptando ao que era mais importante para a nossa concretização.
A Covid-19 veio dar importância à elaboração de projetos de moradias e à reabilitação de apartamentos, porque as pessoas reconheceram a importância de estar no exterior e de renovar as suas casas para lhes dar mais ânimo e conforto. Em Arquitetura, o que mais gosto de criar são habitações de raiz, mas tenho igualmente uma tendência muito forte para fazer obras.

Como vê os próximos tempos, no que respeita à possibilidade de retoma económica?

Os tempos que se aproximam não vão ser nada fáceis e é expectável uma grande crise. Porém, temos de nos readaptar. O núcleo da construção é sempre muito prejudicado em crise, embora nesta fase de Covid-19 as pessoas estejam a optar por reabilitar/renovar as suas habitações, para se sentirem bem.

www.habitectura.pt

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