Duas famílias, a mesma paixão

Romance e logística não são amor à primeira vista, mas a Santos & Seixo mostra que a sua combinação pode resultar. A prova são os vinhos de qualidade superior que têm levado o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo.

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Pedro Seixo, administrador

O projeto nasceu motivado pelo amor de duas famílias ao vinho. Pedro Seixo trabalhou durante 15 anos numa multinacional, mas a morosidade dos processos e a vontade de fazer mais impulsionou-o a lançar-se neste novo projeto. Alzira Santos desafiava-o há anos e finalmente, em 2014, surgiu a Santos e Seixo. Como tudo o que é bom leva tempo a conseguir, o primeiro vinho foi feito com uvas da colheita de 2010, do Douro e Alentejo com as “melhores castas de cada região, com um envelhecimento cuidado em barricas de carvalho francês”. Ao fim de seis anos, a empresa encontra-se bem posicionada no mercado nacional, encontrando-se neste momento em negociações com grandes superfícies, e também a nível internacional, exportando regularmente para 25 países, dos quais se destacam Rússia, Brasil e China. O amor – para Pedro este trabalho “não se faz por gosto, é mesmo por amor”, e a dedicação compensam e as distinções vão-se acumulando.

O segredo está nos bastidores. “A equipa da Santos & Seixo é composta por 29 pessoas e sem eles a empresa não era o que é”, admite Pedro Seixo. A ideia de uma equipa que sustenta a empresa e é a sua alavanca de apoio é inspiração das marcas de vinhos Santos da Casa. Cada rótulo apresenta vários rostos de perfil que simbolizam todas as mãos pelas quais cada garrafa passou, literal ou metaforicamente.

A importância da equipa torna-se ainda mais fácil de compreender quando se perspetiva o negócio como uma ação concertada e bem calendarizada de processos. É essencial que cada etapa do cultivo da uva seja cumprida num prazo específico de forma a assegurar a qualidade do produto e esta lógica repete-se nas outras fases do processo de vinificação. “Os vinhos têm um lado romântico que atraí muitas pessoas, mas é um negócio que gira muito à volta de stocks. A logística tem um grande peso”, explica Pedro Seixo.

“A cara das marcas é a nossa terra”

Em 2016, surgiu a necessidade de comprar terra, de forma a controlar todo o processo – da uva ao copo: “Começámos com cerca de 20 hectares na zona de Santa Marta, no Douro. As terras não são nossas, mas vemos a parceria como um projeto conjunto com o nosso enólogo Luciano Madureira”, recorda Pedro. já a adega que serve de cenário à vinificação da uva que ali se cultiva foi idealizada e construída pela Santos & Seixo, juntamente com Luciano Madureira: “Estamos a falar de uma winery boutique com uma capacidade de vinificação de 50 mil litros. É uma espécie de casa de bonecas, com uma sala de barricas, cubas muito bonitas”, descreve o administrador, acrescentando que o objetivo desta aposta é mesmo refletir a identidade das marcas. A decisão representou um grande passo para o desenvolvimento da empresa porque como Pedro sublinha “a cara das marcas é a nossa terra, é a nossa uva”. “Mais tarde um amigo apresentou-me a zona do Tejo. Foi amor à primeira vista. Fiquei encantado. Estava habituado ao Tejo com aquelas várzeas e o que vi foi um Douro 2. Vi solos com uma qualidade brutal”, descreve com um sorriso na cara, acrescentando que a prioridade agora é investir nas infraestruturas de apoio.

A empresa começou sem terra nem adega, hoje possui 60 hectares na região de Tomar, uma adega com capacidade de vinificação de cerca de 1 milhão de litros. No Douro, conta já com 60 hectares de vinha, aonde se incluem a Quinta no Valle da Estrada e a Quinta do Cêver. Recentemente, a empresa adquiriu a Quinta do Outeiro e iniciou a reestruturação de uma nova adega, com capacidade de vinificação a rondar os 300 mil litros. Visando o enoturismo, vai a empresa remodelará a casa da Quinta do Outeiro, pretendendo aproximar o consumidor da sua historia e aos seus produtos.

Espalhadas um pouco por todo o país, as produções da Santos & Seixo dão origem a vários vinhos, cada um com a sua personalidade. As diferenças vêm desde a uva e espelham-se nos processos de trabalho. Parte do segredo foi encontrar o equilíbrio entre a mais moderna tecnologia e as formas tradicionais de trabalho.Afinal, não há tecnologia que reproduza o processo de esmagamento da uva com o pé e só mesmo através do trabalho humano não mecanizado é que se consegue obter a qualidade desejada. A par disto, a tecnologia permite que cada vez se rentabilize mais as colheitas e sistematize informações que apoiam a tomada de decisões. Desta forma, a empresa tem apostado em software que trabalha informações recolhidas e permite aprimorar os cálculos mais importantes.

Tradição e tecnologia caminham de mãos dadas para fazer o melhor vinho. Esta é a descrição perfeita para uma empresa que se estabeleceu no negócio dos vinhos em 2014 e procura ir buscar as melhores tradições, deixando os dogmas no passado, sem nunca se esquecer de olhar para o futuro. Por isso, Pedro Seixo assegura que os próximos passos das marcas passam por dar a conhecer os seus vinhos fora do país através de feiras e viagens. Os vinhos portugueses têm cada vez mais reconhecimento nos mercados internacionais e a aposta é mesmo essa: “Em feiras todos ficam surpreendidos com a qualidade do vinho português. Ao mesmo tempo ficam surpreendidos com a relação preço/qualidade”, conta Pedro que assume que, embora a relação preço-qualidade do vinho português seja um fator de competitividade, deve trabalhar-se de modo a valorizar mais o produto, nacional e internacionalmente. Além disso, o futuro passa também pela aposta no enoturismo, porque a experiência do vinho incluí bem mais do que bebê-lo do copo. Os verdadeiros apreciadores gostam de saber todos os detalhes do processo e nada melhor que fazê-lo com a Santos & Seixo.

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