“É mais fácil puxar que empurrar!”

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Dulce Forte, General Manager of DSolutions Group,Direction at AESS and Direction at AIIE

Numa das minhas leituras matinais e ao ler um dos textos do livro “O que podemos aprender com os gansos“, de Alexandre Rangel, deparei-me com uma história sobre Napoleão. Numa das suas batalhas foi contra a opinião dos seus generais, que o queriam proteger, e defendeu, contra tudo e contra todos, que também deveria ir para a frente de combate, usando a sua expressão “É mais fácil puxar que empurrar!”

Quantas vezes os líderes se limitam a comandar as suas “tropas” atrás da secretária enviando ordens sem saber se as mesmas são exequíveis e operacionais? Quantos são os que lideram sem nunca terem executado alguma das tarefas que mandam fazer? Cada vez mais as organizações precisam de uma liderança ativa. Precisam que se lidere pelo exemplo e não pela imposição. Alguém que saiba o que quer que seja feito, como é que é feito e, se for necessário, o saiba fazer. Só assim um líder pode entender, aceitar e respeitar os constrangimentos que podem surgir durante a execução da mesma por parte das suas equipas. Só assim um líder pode puxar pela equipa e não empurrar, caso a mesma não consiga atingir os objetivos.

Esta situação levanta uma outra questão que muitas vezes se coloca: nascemos líderes ou fazemo-nos líderes? Na minha opinião, enquanto líder de diferentes organizações e projetos, é a conjugação de ambos os aspetos que nos faz líderes. Neste processo é também importante identificar o que nasce connosco e o que temos De aprender ou melhorar.

Reconheço que nasci com algumas caraterísticas de liderança que me são inatas: o empreendedorismo, a vontade de fazer mais e ir mais além, o espírito de “comandar” e nunca baixar os braços face aos desafios foram aspetos que sempre marcaram a minha personalidade quer pessoal quer profissionalmente, mesmo enquanto trabalhadora por conta de outrem.

Reconheço, no entanto, que algumas das caraterísticas mais importantes e necessárias a um líder as fui aprendendo ao longo dos anos. Primeiro como “chefe” com equipas a meu cargo e posteriormente enquanto empresária e diretora de entidades associativas. Incluem-se nestas a resiliência que tive de aprender a cultivar ao longo dos anos quando as coisas nem sempre correram como expetável e foi necessário redirecionar e recomeçar, mais do que uma vez. Aprendi a ser menos voluntariosa, a não dizer que sim a tudo, assumindo tarefas que me faziam perder tempo precioso para gerir, identificar oportunidades e criar estratégias de negócio. Uma das principais ferramentas que aprendi neste processo foi a delegar e a confiar nas minhas equipas. Mas o aspeto mais importante que tive de trabalhar internamente e aprender a gerir foram, sem dúvida, as emoções. É difícil liderar e dar o exemplo quando se tem as emoções à flor da pele e se reage em vez de agir. Esta foi a minha grande aprendizagem nestes anos de liderança ativa.

Foi fácil? É fácil? Não foi, nem é, mas quando nos envolvemos no que fazemos e nos empenhamos os resultados acontecem e, sendo uma entusiasta e defensora da formação, rapidamente encontrei ferramentas para colmatar as minhas falhas e transformar os meus pontos fracos em pontos fortes. A minha procura ativa para encontrar soluções e respostas leva-me a desenvolver e acompanhar projetos que considero inovadores e que podem fazer a diferença na forma como é vista a liderança. É por este motivo que atualmente lidero um projeto de formação / ensino associado a um instituto superior em que foram agregadas um conjunto de “Power Skills” por forma a criar líderes ativos. Acredito que cada vez mais podemos descobrir e potenciar o que existe dentro de nós e mesmo os que consideram não ter capacidades de liderança vão descobrir que há sempre uma luz de líder dentro de si!

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