“É urgente apostar em mão de obra qualificada”

Bernardo Alexandre é o CEO da J&R Alexandre, uma empresa de construção, que opera no mercado das requalificações de edifícios, obras públicas e privadas. Empresa familiar, foi reconhecida com o prémio PME Líder e Excelência em 2019, ano em que celebrou o vigésimo aniversário.

0
353
Bernardo Alexandre, CEO

Que significado teve o reconhecimento de PME Excelência e Líder para vós?

A J.&R. Alexandre foi fundada em 1999 e trabalhava sobretudo no concelho de Vila Franca de Xira, no entanto, hoje em dia está presente de Norte a Sul, em alguns países da União Europeia e, a cada ano que passa, surgem novas metas a alcançar. Sinceramente, não sei se os fundadores pensaram que algum dia evoluíssemos tanto, mas tenho a certeza que tudo isto só é possível graças ao seu empenho e dedicação ao longo destes 20 anos. Por isso, acabo por ver este reconhecimento como o resultado da dedicação da nossa família em torno deste projeto. É muito gratificante chegar até aqui, mas o caminho continua!

Como caracteriza a empresa, no que respeita à sua capacidade de resposta perante os diferentes desafios?

Creio que a base de valores incutidos na empresa desde o seu início é o grande pilar do nosso crescimento. Apesar de termos começado como uma empresa familiar, hoje temos uma dimensão que só é possível manter porque nunca pusemos de parte a responsabilidade e profissionalismo com que encaramos todos os projetos em que nos inserimos. Se é para ser, tem de ser à séria, ou se faz bem feito ou não se faz! Quantidade não significa qualidade e nós privilegiamos sempre a satisfação do cliente. Preferimos oferecer um serviço premium em detrimento do resultado fácil. Creio que será sempre esse o nosso caminho perante os desafios que nos vão surgindo. No final, o cliente reconhece e essa é a nossa maior recompensa.

É difícil encontrar mão de obra correspondente à necessidade?

Infelizmente nunca houve uma verdadeira aposta do nosso país na profissionalização deste setor. Não havendo cursos profissionais inseridos no ensino obrigatório, esta área continua ligada a pessoas pouco qualificadas e isto reflete-se na qualidade da construção. Tentamos formar todos os jovens que nos chegam, encontrando uma área que gostem e que a desenvolva junto de bons profissionais. Não pode estagnar e ser um simples ajudante toda a vida.

A pandemia criou alguns constrangimentos. Como se adaptaram?

Numa primeira fase a maior preocupação foi com a nossa “linha da frente”. Os trabalhadores que estão em obra são os que naturalmente correm mais riscos e de tudo fizemos para garantir a sua segurança. No escritório já tínhamos implementado um sistema que nos permitia ter praticamente tudo informatizado e por isso acessível à distância. Foi apenas uma questão de adaptação ao teletrabalho e o balanço é positivo.

Que análise faz do mercado, pré e pós-confinamento?

A verdade é que, no geral, havia uma procura como nunca se tinha visto e a pandemia veio travar esta grande onda de desenvolvimento que se verificava no imobiliário. O setor estava com pouca capacidade de resposta, era difícil cumprir os prazos e no final o prejudicado era o cliente. Felizmente, fomos conseguindo contornar estas situações e cumprir com os objetivos propostos. Com o confinamento houve um abrandamento natural, que agora não se reflete por ainda estarem a decorrer os projetos previstos antes da pandemia. Contudo, o mercado imobiliário já deu alguns sinais de instabilidade, que são naturais em qualquer situação de crise.

Como prevê os próximos tempos, no que respeita à retoma económica?

Haverá uma desaceleração do investimento estrangeiro em Portugal e, tendo em conta que esse foi o principal motor de desenvolvimento da economia nos últimos anos, iremos sofrer as consequências. Estamos perante uma forte crise europeia, mas “vai ficar tudo bem” e somos optimistas, sem nos deslumbrarmos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here