“Este momento exige resiliência e foco”

Madalena Miguel é, há cerca de um ano, country manager da Nufarm Portugal, uma empresa que desenvolve a sua atividade na proteção de culturas agrícolas e crescimento de sementes. Assim, os seus produtos são desenvolvidos a pensar na inovação, eficiência e na sustentabilidade e proteção ambiental que tem de marcar todos os desenvolvimentos tecnológicos e de serviços desta empresa.

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Madalena Miguel, country manager

Que balanço faz deste seu primeiro ano na liderança da empresa? Que aspetos destacaria?

Em primeiro lugar sinto imenso orgulho em ser a mais jovem diretora geral do agribusiness em Portugal, é um enorme desafio. As responsabilidades e os papéis mudaram imenso nos últimos meses, mas o setor agrícola é um exemplo de resiliência, foco nos clientes e nos colaboradores e habituado a decidir em tempos de incerteza. Destaco o melhor negócio que tenho – a minha equipa. Quero que cada um faça parte da solução.

Como caracteriza o seu percurso profissional?

Assumir a liderança da empresa na véspera do ano 2020, que foi proclamado pela Organização das Nações Unidas como o Ano Internacional da Sanidade Vegetal para erradicar a fome, reduzir a pobreza, proteger o ambiente e impulsionar o desenvolvimento socioeconómico, fez-me acreditar que a minha missão de liderança tem um propósito: assegurar que a excelência dos agricultores portugueses é acompanhada pelo acesso a produtos seguros, inovadores e competitivos, com reduzida pegada ecológica.

A mulher é hoje muito mais reconhecida e preponderante no mercado de trabalho do que há décadas acontecia. Considera que as oportunidades já existem da mesma forma para mulheres e homens?

O setor agrícola tem uma discrepância entre homens e mulheres, mas também entre jovens e idosos. Teremos de investir em formação e informação, para defender este setor como prioritário e assim consolidar novas oportunidades. Mais mulheres e mais jovens no mercado de trabalho são o segredo para uma maior quantidade e diversidade alimentar. O setor do vinho é um exemplo fantástico da construção de várias oportunidades, com reconhecimento internacional.

Cada vez mais, as mulheres afirmam-se em setores que eram, normalmente, associados ao género masculino. No caso da Nufarm, qual é a política sobre esta questão?

Não deixa de ser curioso que o rácio na Nufarm Portugal é claramente a favor das mulheres. Não existem quotas, apenas reconhecimento e mérito pelo trabalho desenvolvido. Mas temos, sim, uma política de controlo, para que a remuneração de homens e mulheres, dentro da mesma posição, esteja equiparada. No entanto, a presença de mulheres em cargos de direção na Europa não acompanha a tendência da Nufarm Portugal.

Serão as mulheres as líderes do futuro?

14% das posições diretivas no setor agrícola são ocupadas por mulheres. O investimento na educação e no acesso aos mesmos recursos podem aumentar a produção e consumo de alimentos até 10%. Temos muito espaço para fazer melhor e diferente, a perseverança que caracteriza as mulheres fará com certeza aumentar a liderança feminina.

A reorganização empresarial, obrigatória neste período de pandemia, reforçará características específicas de liderança?

Este momento particular exige uma resiliência e foco extraordinários. Valores como a compreensão e a empatia são fundamentais para ultrapassar a incerteza. A forte relação que temos com os nossos clientes permitiu-nos ficar conectados aos negócios e aos objetivos de longo prazo, de uma forma única e sustentada.

A NUFARM

A agricultura é atualmente um setor rejuvenescido, com novos agricultores e novas técnicas agrícolas. Como se posiciona a Nufarm no mercado, tendo em conta as novas tendências?

40% das culturas mundiais são perdidas devido a pragas, doenças e infestantes. Surgem novas pragas, doenças e espécies invasoras. A investigação, inovação e descoberta contínua fazem parte do nosso DNA e permitem proporcionar aos agricultores soluções inovadoras e sustentáveis para o mercado e para as culturas e problemas emergentes. Os produtos de nova geração são mais eficazes a menor dose.

A Nufarm é a 8ª maior empresa de proteção de culturas agrícolas no mundo. Todavia, vivemos uma época em que alguns países já proibiram o uso de determinados produtos destinados ao combate às pragas, como o glifosato. Em Portugal, também se viveu essa polémica. A Nufarm continua a comercializar este tipo de produto?

Muitas vezes dizemos “a fruta que comemos não sabe como antigamente” e, de facto, é verdade! É diferente, mas a fruta é agora muito mais segura e saudável. O que chega à nossa mesa é hoje muito mais seguro do que no tempo dos nossos avós. O sistema de avaliação e autorização europeu de produtos fitossanitários é dos mais exigentes do mundo. Os produtos comercializados hoje são muito diferentes dos produtos que estavam no mercado há 30 ou 40 anos atrás. A Nufarm investe na inovação e no desenvolvimento de soluções mais eficazes a menor dose para a construção do seu portfolio. Segundo um estudo efetuado, 30% dos cidadãos referem ter medo de produtos químicos e 40% quer viver num mundo em que estes não existem. Contudo, 82% não sabe que o sal de mesa extraído do oceano ou produzido sinteticamente são a mesma coisa. Creio que a nossa sociedade não estará disposta a aumentar o seu orçamento familiar dedicado à alimentação para banir produtos com base em lugares comuns de opinião pública. Quando banimos produtos como o glifosato, debatemos também o custo de produção da batata e do tomate.

Quem utiliza este tipo de produtos deve ter uma formação para tal. A Nufarm está disponível para formar aqueles trabalhadores que necessitem de novas atualizações (ou mesmo formação base) na aplicação destes produtos?

A utilização destes produtos tem como objetivo principal a sanidade das plantas. O primeiro investimento da Nufarm é na disponibilização da informação acerca da utilização responsável dos produtos e de forma rápida e fácil. Temos um corpo técnico experiente e ágil que atua no mercado nacional. Como acredito numa abordagem macro, assinalo como um bom exemplo a iniciativa da associação do nosso setor, ANIPLA, que tem uma quinta modelo de boas práticas agrícolas -SmartFarm.

No que respeita à proteção ambiental, como se afirma a Nufarm?

A Nufarm aposta no desenvolvimento de soluções mais eficazes, que protegem os recursos naturais e a biodiversidade reduzindo o impacto no meio ambiente. Este ano foi o lançamento de um produto único no mercado – Carnadine – que é um exemplo claro da implementação desta visão estratégica. O desenvolvimento de cada produto implica um grande esforço: de tempo e financeiro. Cada produto no mercado representa um investimento médio de 255 milhões de euros e mais de 120 ensaios científicos, para avaliar o comportamento de cada produto fitossanitário perante vários cenários.

A agricultura portuguesa já acompanha a modernização tecnológica e de processos que se faz sentir em todo o mundo?

Os agricultores portugueses atingiram uma sofisticação e qualidade ao nível do melhor que se faz no mundo. Em momentos como o que vivemos hoje, a indústria agrícola ganha mais importância para o abastecimento de alimentos suficientes e nutritivos para cada um de nós.E ainda, pensando a longo prazo, a agricultura é um fator-chave, a produção alimentar mundial precisa de aumentar 60% até 2050. A agricultura não se baseia em suposições, nem crenças, nem deixa muita margem para o azar. Estamos plenamente conscientes de que todos os alimentos consumidos podem atingir a excelência nos parâmetros de qualidade, sustentabilidade e segurança alimentar.

www.nufarm.com

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