Hidrogénio, um futuro mais verde

A PRF iniciou a sua atividade em Portugal há 29 anos. Desde sempre, procurou manter-se na vanguarda da tecnologia relacionada com os gases combustíveis e, atualmente, já desenvolve soluções de equipamentos adaptados ao hidrogénio, a nova aposta no setor dos “combustíveis verdes”. O CEO, Paulo Ferreira, explicou que mais-valias trará este produto ao mercado nacional.

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Paulo Ferreira, CEO

Que avaliação faz da evolução do mercado nacional de combustíveis?

Atualmente, os combustíveis fósseis constituem a principal fonte de energia para os setores dos transportes e da eletricidade. As preocupações ambientais, os avanços tecnológicos, o alarmante crescimento da procura de energia e outras forças socioeconómicas conduziram à adoção de novos recursos energéticos. Com a entrada do hidrogénio no setor energético de alguns países, incluindo Portugal, avizinha-se uma nova Era para a energia, que terá uma contribuição importante para a diversificação energética. A comunidade internacional reconhece o hidrogénio como a componentechave de um sistema energético limpo e sustentável, utilizado como vetor energético nos setores elétrico, industrial, comercial, residencial e transportes.

Que mais-valias poderá trazer este gás?

A contribuição do hidrogénio, utilizado como vetor energético há já vários anos, quando produzido com recurso a fontes de energia renovável, o processo mais sustentável, pode contribuir para a descarbonização de quatro grandes setores:

Energia. A capacidade do hidrogénio para armazenar energia em grande escala é especialmente útil para conseguir uma maior penetração das energias renováveis no “mix” elétrico.

Transporte. Os veículos elétricos de célula de combustível complementam os de bateria. Expandem o mercado da mobilidade elétrica para maiores autonomias e para usos contínuos, onde as baterias são atualmente limitadas: camiões, comboios, autocarros, empilhadores…

Indústria. Atualmente, grandes quantidades de hidrogénio são utilizadas em vários setores da indústria, mas obtidas a partir de combustíveis fósseis, pelo que substituí-lo por “hidrogénio verde” conseguiria reduzir consideravelmente as emissões de CO2 associadas a estes processos.

Residencial. A injeção de hidrogénio na rede de gás natural reduz o consumo deste combustível fóssil, tão utilizado nos edifícios particulares, escritórios e empresas.

Para além destas mais-valias, a estratégia pretende reduzir a importação de gás natural entre 300 e 600 milhões de euros e criar 8.500 a 12 mil novos empregos, diretos e indiretos, segundo as previsões do Governo.

Como poderá o país preparar-se para esta mudança?

Portugal é um dos países com maior exposição solar da UE e um país com bastantes investimentos realizados em fontes de energias renováveis (quer solar fotovoltaica, quer eólica), que poderão ser complementados com os investimentos no H2. A via para a descarbonização não pode ser apenas a eletrificação, pois há indústrias e processos que nunca poderão ser exclusivamente elétricos e, portanto, a transição energética será um “mix” de todas as formas de energia, em que o H2 terá um papel relevante. Desde o gás natural e do GNL, ao Biogás, ao Biometano, incluindo ainda o Hidrogénio, em todas estas novas formas de energia a PRF tem vindo paulatinamente a desenvolver projetos, quer seja para as diversas formas de mobilidade em substituição de outros combustíveis verdadeiramente mais poluentes, quer seja para a injeção e mistura nas redes de distribuição de gás natural até às diversas formas de produção de energia elétrica.

Pensa que o país já se encontra devidamente informado sobre esta nova realidade?

Na elaboração do Roteiro Nacional para o Hidrogénio, o Governo promoveu um debate alargado sobre o interesse e a oportunidade de desenvolvimento do hidrogénio enquanto vetor energético e enquadrou a situação da investigação e desenvolvimento tecnológico do hidrogénio em Portugal, de modo a permitir fazer a avaliação do potencial e do impacto, para além de lançar as bases que permitiram a constituição de uma rede formal de apoio à elaboração de um roteiro nacional que contou com a participação de representantes da comunidade científica, académica e empresarial, nacionais e comunitários. Como resultado, o Roteiro olha para toda a cadeia de valor, desde a produção em grandes projetos centralizados e em pequenos projetos locais, até ao consumo. Além disso, iniciou as alterações legislativas necessárias ao desenvolvimento do setor. O hidrogénio pode recombinar-se com o oxigénio do ar num dispositivo eletroquímico denominado ‘célula de combustível’, que permite obter eletricidade e água como única emissão, sistema em torno do qual estão a ser desenvolvidos os novos usos deste elemento há décadas. Também pode ser utilizado como matéria-prima para uma grande variedade de processos químicos ou ser queimado para obter calor para determinadas aplicações ou para aquecimento. A sua utilização em células de combustível elimina totalmente as emissões poluentes no ponto de consumo da energia, o que faz do hidrogénio o combustível mais limpo que existe.

As infraestruturas e equipamentos necessários para trabalhar este novo gás terão de ser alteradas?

Embora a molécula do hidrogénio seja diferente da do gás natural, a tecnologia associada é toda semelhante à do gás natural, pelo que a abordagem a esta tecnologia foi um passo natural. Desde 2018, ano em que criámos o Departamento de Hidrogénio, que temos vindo a ganhar competências nesta área, aproveitando todas as valências que temos vindo a desenvolver na área do gás natural, ao longo de quase 30 anos. A par da qualidade, da capacidade de realização, da permanente disponibilidade e constante crescimento, a empresa foca-se e acompanha permanentemente a inovação nesta área, apostando na formação de quadros e apresentando soluções inovadoras aos nossos clientes.

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