Novos objetivos, a mesma determinação

Ana Pedras é diretora de duas agências Decisões e Soluções, ambas situadas no Barreiro. A primeira agência DS Barreiro (Alto do Seixalinho) abriu em 2009, em plena crise económica, e a DS Barreiro (Rio), apesar de bastante recente, também conheceu um período de crise – este que agora o país e o mundo atravessam, causado pela pandemia de Covid-19. Quando, em março, conversámos com Ana Pedras, existiam objetivos bem definidos para este ano. Agora, os objetivos mudaram, mas o espírito otimista e a determinação para crescer mantêm-se intactos.

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Ana Pedras, diretora de agência

O passado profissional de Ana Pedras está relacionado com a área das Finanças. Diretora financeira de várias empresas, inscrita na Ordem dos Contabilistas Certificados e na Ordem dos Economistas, foi quando decidiu dedicar-se a um projeto da sua autoria que colocou a hipótese de se tornar parte da rede Decisões e Soluções. Em 2008 decidiu concretizar a ideia, e a inauguração oficial da primeira agência – DS Barreiro (Alto do Seixalinho) – teve lugar já em 2009. De então para cá, Ana Pedras já abriu uma outra agência – a DS Barreiro (Rio) – e continua dedicada a servir bem os clientes que a procuram. Especialista na área financeira, é sobretudo na intermediação de crédito que Ana Pedras se sente à vontade, mas ambas as agências têm serviços 360º, que englobam as vertentes de seguros e de mediação imobiliária. Em março, a Valor Magazine falou com Ana Pedras, na agência Barreiro Rio, sobre o panorama do mercado imobiliário e a diretora das duas agências DS do Barreiro estava otimista. Agora, depois do confinamento e numa altura em que se dá o regresso à (nova) normalidade e ao trabalho presencial, com a reabertura das atividades económicas, Ana Pedras continua otimista mas assume que se viu obrigada a mudar os seus objetivos.

Como lidou a DS Barreiro com a necessidade de confinamento e fecho de negócios imposta pela pandemia?

Decidi fechar portas a 14 de março (antes de ser declarado o Estado de Emergência), por uma questão de respeito pela saúde pública e civismo. Nunca imaginei que iríamos ter os escritórios tanto tempo encerrados. Há 12 anos que tenho a empresa e nunca fechei a porta, nem para férias.

Que medidas foram tomadas para garantir a continuidade do trabalho?

Ficámos todos em casa e todos os dias foi uma aprendizagem nova. Rapidamente começámos a usar as novas tecnologias, para nos mantermos em contacto, entre nós e com os clientes, pois só falar ao telefone não era suficiente. Tínhamos de nos ver e foi essa a diferença – usar Skype, Zoom e videochamadas…começámos a fazer as nossas reuniões de equipa por Zoom ou Skype. Incentivei os consultores a manterem contacto com os clientes e, até mesmo, retomarem contactos mais antigos, para saber como estavam a reagir as pessoas a todo este novo contexto. No fundo, tentámos, por momentos, ultrapassar a esfera profissional e apelámos ao nosso lado mais humano para genuinamente tentarmos estar juntos das pessoas e passar a mensagem “estamos aqui para si, para o ajudar no que pudermos”. Inclusivamente, ajudámos clientes a tratarem das moratórias nos seus créditos e, entre outras coisas, ouvimos. As pessoas precisavam de desabafar e de partilhar as suas angústias e incertezas e nós tentámos dar-lhes esse conforto.

Que desafios surgiram com esta necessidade de teletrabalho, no que respeita à coesão da equipa e à gestão do trabalho e da empresa?

Senti falta da proximidade diária. Mesmo tentando manter um contacto por videoconferência, não é suficiente. As primeiras duas semanas foram um pouco confusas e desorganizadas, mas rapidamente fizemos um grande esforço para combater isso. Quando percebi que o confinamento estava para durar, tentei retomar as nossas rotinas, dentro desta nova realidade virtual. Alguns consultores não conseguiram adaptar-se e tiveram uma quebra, outros foram quase imparáveis e muito resilientes.

Sentiu, durante esta fase de confinamento, uma quebra dos negócios em todas as áreas trabalhadas pela DS?

A maioria dos serviços que prestamos não são concretizados no imediato, muitos podem ter um “atraso” de um ou dois meses. Curiosamente, os meses de confinamento foram dos melhores em vendas, este ano. Grande parte dos negócios já estavam em “pipeline”, mas ainda assim houve o grande mérito de os concretizar. Para isso, foram necessárias muita paciência e resiliência de todos: consultores, clientes e parceiros. Sem dúvida que os nossos parceiros tiveram um papel fundamental (entidades bancárias, solicitadores , advogados e notários), com vários serviços fundamentais ao nosso negócio a fecharem portas (Câmaras Municipais, Finanças, Conservatórias, entre outros), foi muito difícil reestruturar tudo e desenvolver novas metodologias, mas conseguimos realizar todos os negócios previstos.

Que medidas tomadas durante o confinamento, no que respeita à gestão de recursos humanos e técnicos, serão para manter agora nesta fase de reabertura da economia?

A reabertura dos escritórios tem sido faseada e de acordo com as recomendações da DGS e OMS. Desde 15 de junho, já estamos a funcionar em horário completo nos dois escritórios, com exceção do sábado, que ainda estamos fechados. Mantemos a restrição no número de pessoas em cada escritório e as reuniões com clientes têm de ser previamente agendadas.

Agora que a reabertura económica está a acontecer, como avalia os impactos da crise nos setores dos seguros, mediação imobiliária e intermediação de crédito?

Na área imobiliária houve um ligeiro abrandamento, devido a vários fatores: maior dificuldade em realizar visitas presenciais a imóveis habitados (demos primazia a visitas virtuais e/ou vídeos), clientes que se retraíram na aquisição ou venda de imóveis, ou porque efetivamente tiveram as suas vidas afetadas financeiramente, ou com receio de que pudessem perder os empregos e do futuro em geral.Nesta fase de confinamento, apostámos mais na área financeira, principalmente nas transferências de crédito, para assim podermos melhorar ainda mais as condições dos créditos das famílias, com poupanças significativas. A atividade seguradora manteve-se, até porque o nosso relacionamento com o cliente já era muito “virtual”, ou seja, não requer muita presença física.

Aquando da nossa primeira conversa, a Ana mostrava-se otimista em relação ao futuro imobiliário desta região. Mantém a opinião ou algo se alterou?

O meu otimismo mantém-se, mas mais prudente e ponderado. Sem dúvida que esta paragem obrigatória refreou um pouco a economia, no geral, mas continuo a acreditar no grande potencial imobiliário da nossa região, sem dúvida! Notamos que a procura e as necessidades dos clientes estão a redirecionar-se.

Enquanto empresária, como avalia as medidas tomadas até aqui pelo Governo para apoiar as empresas – numa primeira fase, aquando do fecho obrigatório das atividades presenciais – e agora, na fase de retoma económica?

As medidas sucederam-se em catadupa e foi difícil acompanhar tanta alteração legislativa. Penso que foram tomadas várias medidas, no geral, boas. Porém, não se consegue agradar a todos nem abarcar todas as situações. No meu caso pessoal, não consegui beneficiar de nenhuma medida e lamento que não o tenha conseguido, pois em todas a medidas lançadas há sempre algum critério onde não me enquadro e, como consequência, não tenho “direito a nada”. Lamento, porque efetivamente luto e trabalho imenso para manter o que tenho construído ao longo dos anos e também manter as pessoas que fazem parte da minha equipa e que também me ajudam diariamente.

Há quem afirme que estamos a regressar a um “novo normal” e que a economia como a conhecíamos não existe mais, tendo as empresas que se adaptar à nova realidade. Concorda?

Parcialmente. Esta “provação” foi transversal a todos, sem exceção. Serviu para aprendermos, todos nós, que é possível melhorar e criar novas formas de trabalhar e até de viver. Por exemplo, serviços públicos que, por vezes, podem ser tão burocráticos e inflexíveis, conseguiram ultrapassar essas burocracias e arranjaram formas online de fornecer documentos necessários à realização de escrituras.

A digitalização de processos técnicos e de procedimentos, como as reuniões com os clientes (muitas ocorreram via videoconferência) faz esta área ressentir-se, tendo em conta que a proximidade com os clientes é um dos fatores-chave para a confiança)?

É verdade que a proximidade é importante, e nem todos têm apetência ou possibilidade de realizar as reuniões por videoconferências, mas as pessoas aderiram bem, com mais ou menos dificuldade, mas tentaram. Porque, efetivamente, ou era assim ou não era. E como se costuma dizer – “a necessidade aguça o engenho”!

Se tivesse de atualizar as expectativas para 2020, o que diria?

Sem dúvida que os objetivos traçados no início do ano estão alterados e tive de os redefinir, mas a estratégia mantém-se. Agora é tentar recuperar o ritmo e manter o foco até ao final do ano!

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