“O confinamento despertou a necessidade de sair das cidades”

António Carlos é consultor imobiliário há cerca de seis anos e este ano tornou-se chefe de equipa. Com um mercado sobretudo rural, reconhece que a procura pelos imóveis do interior do país aumentou, desde a chegada da pandemia,e realça os bons resultados conseguidos até agosto de 2020, que já superaram os valores do ano passado.

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António Carlos, consultor imobiliário e chefe de equipa

Esta foi sempre a área em que quis trabalhar?

Não, tive outra atividade que sempre desenvolvi com gosto, dedicação e profissionalismo. Depois, devido à conjuntura que a Europa sofreu, fechei a empresa que tinha e, em 2014, dediquei-me inteiramente ao mercado imobiliário, por convite dos brokers da RE/MAX Ideias Covilhã: Paula Soares e Jorge Silva.

Como caracterizaria a sua forma de trabalhar os clientes e os projetos?

Eu dedico-me inteiramente aos clientes e angariações e os respetivos seguimentos mais diretos, chamados de atividades de alta rentabilidade. O restante delego na minha assistente, Marta Cardoso, e no outro consultor da equipa, Ivo Henriques. Depressa percebi que, para se crescer nesta atividade, necessitava de alguém que me ajudasse a dar resposta mais rápida, na logística e no acompanhamento, de modo a ter um crescimento mais equilibrado e, para tal, solicitei uma assistente, em 2016. Faço questão de acompanhar as visitas aos meus imóveis, mesmo que sejam clientes dos colegas, devido a trabalhar um mercado muito específico, nomeadamente propriedades agrícolas, numa zona periférica.

Experiência, profissionalismo e resultado. Este é o vosso lema?

Sim, enquanto equipa identificamo-nos muito com essas três palavras.

A Remax está a celebrar 20 anos. Quais as mais-valias que trabalhar neste grupo oferece?

Segurança, formação, partilha, trabalho em equipa, seguimento e a divulgação em rede. Conhecemos pessoas de Norte a Sul do país, litoral, interior, ilhas… e temos um encontro anual, a Convenção Nacional, geralmente na Herdade dos Salgados, no Algarve, onde somos reconhecidos e premiados pelo trabalho do ano anterior, que nos possibilita quatro dias de convívio e troca de experiências e contactos. Nesta rede qualquer um pode vingar.

É chefe da sua própria equipa. Isso traz responsabilidades acrescidas a um consultor?

Sim, claro. Temos de delinear e planificar não só a curto, como a médio e longo prazo. Acima de tudo, tenho de ser um exemplo e ter uma presença ativa no trabalho dos restantes membros. Não os posso deixar desamparados. Talvez seja uma das maiores dificuldades no cargo, encontrar pessoas com a mesma garra, gosto pela atividade e dinamismo, daí só ter formado equipa em 2020. Afinal de contas, os membros da equipa passam a representá-la sem perder a sua imagem própria. Somos vistos pelas outras empresas como uma equipa de referência e temos sido muito solicitados para promover e patrocinar eventos de destaque tanto a nível regional, no caso da Feira Medieval de Belmonte, como nacional, como foi o caso das Jornadas de Psicologia e a Beira Noivos.

Quais as dificuldades com que se deparou, enquanto profissional e chefe de equipa, durante o período pandémico?

Estive sempre ativo. A nossa agência proporcionava vários momentos de reunião e formação diária. O restante tempo era passado ao telemóvel com os clientes proprietários, a definir a melhor estratégia para a divulgação dos seus imóveis e a gerir os pedidos de visitas, não presenciais, mas virtuais que nunca pararam, talvez por trabalhar numa zona do interior do país, que felizmente foi mais poupada em termos de focos de contágio. Mas ainda assim, as poucas visitas e pré-angariações presenciais que fiz foi sempre munido de luvas, proteções de sapatos, máscara e gel desinfetante para mim e para oferecer aos clientes.

Como se motiva uma equipa numa altura em que o confinamento obrigou ao teletrabalho ou ao fecho das atividades empresariais?

Reuniões diárias com a equipa. Começámos por fazê-lo ao final do dia e agora é às 8 horas da manhã. A minha assistente ainda continua em teletrabalho, mas tenho consciência que se trabalha mais horas, se bem que o rendimento é sempre menor.

Foi possível fazer negócios durante o confinamento? Como caracterizaria a relação entre a oferta e a procura?

Muitos dos negócios que tínhamos previsto ficaram suspensos, mas ainda assim outros avançaram. O confinamento despertou a necessidade das pessoas escaparem das grandes cidades e eu tinha esse produto pronto a vender. Em oito meses de 2020 atingimos o volume de negócios do ano de 2019. Sempre tive uma carteira de imóveis muito superior à procura, devido a ser um produto muito mais rural do que citadino. Neste momento é o mais apetecível, tendo fechado negócios em 48 horas. Acho que estes resultados vieram divulgar mais a minha equipa e temos sido muito solicitados na zona urbana.

A formação é um fator decisivo para o desenvolvimento dos negócios, atualmente?

Cada vez mais. O mercado muda e a conjuntura também. Necessitamos repensar e ajustar estratégias e a formação está na base de tudo.

Como caracterizaria este período de confinamento, no que respeita à concretização de negócios?

Menos procura, mas muito mais assertiva. As pessoas deixaram de pedir para ver cinco imóveis, querem um ou outro já muito específico. Parece que nos chegam já qualificadas e só temos de fazer uma última triagem. Passei a optar por enviar vídeos dos imóveis, porque os próprios clientes têm receio de vir fazer visitas longas.

Como prevê a evolução do mercado e quais as suas expectativas em relação à retoma económica?

Estou um pouco apreensivo com o ano 2021, por uma questão do aumento do desemprego. Os investidores continuarão a procurar oportunidades e as pessoas tenderão a adaptar-se à nova realidade, podem ter necessidade de vender um imóvel maior e comprar outro mais pequeno. Acredito que haverá um aumento de compra de segundas habitações fora da confusão citadina.

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