“O futuro passa por um equilíbrio entre ensino presencial e à distância”

A OPCO é uma entidade formadora certificada, com formações direcionadas, sobretudo, para a indústria automóvel e aeronáutica. Aquando do confinamento obrigatório, tal serviu para implementar a OPCOnline, uma plataforma que servirá agora para e-learning. Pedro Silva, engenheiro e CEO desta instituição, explicou como a OPCO viveu este período e como se preparam as próximas formações.

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Pedro Silva, CEO e engenheiro

A OPCO tornou-se independente, através da sua Academia, em 2015, apesar de estar presente no mercado desde 2006. Essa independência foi importante?

Na realidade, essa alteração não só foi importante como foi decisiva! Neste espaço de cinco anos não só crescemos em termos de faturação como, principalmente, em termos de “dimensão”. Digo dimensão entre aspas pois na realidade foram várias as dimensões: em termos de parcerias, em termos de imagem, em termos de organização, em termos de estrutura consolidada, consolidada através de alterações nomeadamente na estrutura interna da academia, com a consolidação do grupo de formadores/consultores internos e externos e, no último ano, com uma estrutura mais abrangente para apoiar as iniciativas do Industrial Forum Portugal e do Automotive Summit.

Oferecem várias formações, viradas para as áreas da indústria, indústria aeronáutica e automóvel. Falamos sempre de formações certificadas?

Sim, trabalhamos principalmente com a indústria automóvel e também com a aeronáutica. Temos formações OPCO, enquanto entidade formadora certificada pela DGERT mas, dentro da área de formação, cerca de 80% a 85% dessa formação é certificada pelos nossos parceiros VDA QMC, Odette ou FIEV. Nos últimos anos, se olharmos para o número de formandos qualificados, falamos de, em média, mais de 1.500 profissionais por ano, isto para um universo de cerca de 250 empresas certificadas, como fornecedores do ramo automóvel em Portugal.

Gostaria de salientar algumas formações em específico?

As formações VDA QMC, associação da indústria automóvel alemã, continuam a dominar, contudo temos estado a desenvolver mais recentemente outras parcerias, com a Plexus International, mais ligada à indústria norte-americana ou com a Renault Consulting, mais ligada à Renault. Tal também só é possível graças ao desenvolvimento dos nossos colaboradores, devidamente aprovados por essas entidades. Neste momento contamos com 15 formadores certificados, entre internos e externos.

Como enfrentaram a Covid-19, no que respeita à necessidade obrigatória de confinamento?

Como muitas organizações, primeiro protegemo-nos, depois adaptámo-nos. Primeiro, tivemos em consideração a nossa própria segurança e a segurança dos nossos clientes. Aproveitámos as primeiras semanas do confinamento para recuperar algumas atividades que tínhamos pendentes, como a implementação de várias das funções relativas ao nosso software de gestão da formação. Podemos assim começar a planear as atividades online e lançar a OPCOnline, começando assim a fase da adaptação, com uma presença online muito mais ativa e com uma oferta mais próxima para o público.

O ensino não presencial pode ser uma solução para este tipo de situações. Qual a posição da OPCO sobre esta questão?

A resposta a esta questão centra-se no final da última resposta. A OPCOnline irá apostar numa presença 100% de e-learning, com uma plataforma própria e com conteúdos especificamente desenvolvidos para e-learning. Estamos na fase da adaptação de materiais, estando a plataforma já desenvolvida. Quanto às restantes atividades, cremos que o futuro passará por uma situação blended, entre atividades presenciais e atividades remotas. Cremos ser esta a melhor solução para os tempos futuros, inclusive aquela que os clientes irão exigir, pois realidades como 10 a 12 pessoas em sala, durante quatro ou cinco dias, não pensamos ser suportáveis no futuro.

Que ferramentas foram criadas durante a pandemia que poderão manter-se de agora em diante?

Como dizia, cremos que algumas coisas vieram para ficar. A realidade do teletrabalho, a realidade de várias reuniões, antes apenas feitas presencialmente, agora realizadas através de plataformas de comunicação digital. Tudo aquilo que agora, por exigências das condições, foi testado e aprovado, será para ficar. A tal situação blended, anteriormente referida, cremos que será a nova realidade.

Qual o feedback dos formandos sobre o ensino à distância?

A nossa crença nesta nova realidade baseia-se no feedback que fomos tendo. Alguns temas tiveram de ser adaptados, como os trabalhos de grupo, agora possíveis com a criação de subgrupos mas, no final, mesmo a partilha de experiências entre os participantes, continuou a ser referida com um ponto forte. Temos aspetos mais logísticos como numa formação interempresas, onde termos pessoas do Sul, Centro, Norte e mesmo do estrangeiro e essas mesmas pessoas não terem de suportar uma viagem de horas para estarem presentes. Tivemos uma sessão de formação com presença de dois colegas a trabalhar no México. Não fosse esta nova realidade e dificilmente poderiam ter participado naquela ação específica.

Como foi possível fazer a gestão destas formações? Como é que tal situação afetou a OPCO?

Afetar, claro que afetou. A partir de finais de fevereiro tivemos cancelamentos de formações (ou de outras ações) com o impacto que se imagina em termos de faturação, mas toda a moeda tem duas faces e, se a atividade B2B sofreu, uma outra atividade B2C começou a despontar, com muitos particulares, em casa ou em teletrabalho, a aproveitarem para fazer formação e, assim, aumentarem as suas competências. A situação da OPCOnline, na vertente de e-learning, terá uma componente B2B, claro, mas também alimentará a vertente B2C.

Como antevê os próximos tempos, no que respeita à retoma económica das atividades?

Cingindo-nos apenas ao tema Covid e deixando de parte cenários de recessão global, prevemos um de três cenários. Uma retoma “normal”, com a pandemia controlada ou com uma eventual vacina ou medicação, e que fará as necessidades virem ao de cima, com a dita nova realidade, em que as empresas não aceitarão disponibilizar as suas pessoas para quatro ou cinco dias fechados em sala. Outro cenário, totalmente oposto, em que se verifique uma nova vaga e em que viveremos novamente meses difíceis, contudo agora já com um período de preparação, em que aqueles que se souberam reinventar, poderão continuar a oferecer soluções. O terceiro cenário, eventualmente o mais provável, com uma situação mista, em que as empresas irão retomar as suas atividades e necessidades, mas com eventuais episódios de surtos, eventuais cancelamentos ou alterações, mas, de uma forma ou de outra, de uma forma controlável.

www.opco.pt

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