O imobiliário na 4ª Revolução Industrial

Amudança ocorre quando o digital substituiu o suporte papel, os classificados dos jornais foram substituídos por portais digitais, as imobiliárias apostaram em sites. A informação disponível 24/7, métricas geográficas e demográficas, promoções a alvos selecionados, tracking do utilizador, etc, acabaram por traduzir-se em resultados de tal forma expressivos que o mercado acomodou-se e estagnou. Os algoritmos tornam-se mais complexos e sofisticados para irem ao encontro do perfil do consumidor, mas sem perceberem que este estava a mudar.

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João Abelha, Partner DS Real Estate

Após 2011, com o desenvolvimento das redes sociais e da tecnologia em smartphones e tablets, ocorre uma mudança do comportamento dos consumidores, os dispositivos portáteis passaram a ter uma presença permanente e uma importância crescente. Os consumidores passaram a ter uma palavra a dizer, as redes sociais deram-lhes o poder; o poder de comentar, de elogiar ou reclamar, de com um click fazer uma marca desaparecer do seu “feed”, ou partilhar uma marca pela qual se enamoraram. Apareceram os bloggers, vloggers, influenciadores que alimentam o recente Marketing de Conteúdos, fundamental na relação com as redes sociais.

A nível global, de acordo com a Brandwatch, contabilizamos uma população de 7.7 biliões de habitantes, dos quais 4,4 biliões têm internet e 3,5 biliões estão ativos nas redes sociais, em média o Facebook Messenger e Whatsapp processam 60 biliões de mensagens por dia. A empresa CREtech, revela que o investimento em empresas de tecnologia imobiliária atingiu globalmente 14 biliões de doláres no primeiro semestre de 2019, mais do que durante todo o ano de 2017, que registou um recorde de 12,7 biliões de doláres de investimento em “Proptech ’s”, ou seja, um aumento de 309% em relação ao primeiro semestre de 2018. Três dos principais líderes da revolução digital, a Google, a Amazon e a Apple investem fortemente na tecnologia de assistentes de procura por voz.

O tratamento de informação armazenada ao longo de anos (Big Data) e a AI (Inteligência Artificial) tem ajudado a um desenvolvimento rápido, em todo o mundo estão a implementar-se sistemas de assistentes de procura por voz: Amazon Echo, The Google Home e o Apple Homepod. Em breve, teoricamente, será possível pedir á “Siri” ou á “Alexa” um T3, vista Tejo!”.

Surgem novos conceitos como o I-Buying que promete revolucionar a mediação imobiliária, já a ser aplicado nos EUA e Brasil, com modelos de AVM (automatic valuation models), em que o proprietário recebe uma proposta de compra do próprio portal de anúncios, que depois se encarrega da venda.

Nesta quarta Revolução Industrial, as tecnologias denominadas BIG9 serão determinantes: Drones, Cloud’s, AR/VR, SaaS, AI/Robotics, Wearable technology, Big Data, IOT/IOE, 3D-Scanning, irão transformar a indústria do imobiliário tradicional em “Smart Real Estate” .
Diz-se que o Imobiliário é um negócio de pessoas para pessoas, resta saber de que forma estes modelos vão evoluir e qual será o peso remanescente do capital humano e emocional.

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