“Portugal necessitará de mobilizar esforços para preparar a recuperação”

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Pedro Siza Vieira, ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital

A normalidade que o globo conhecia ao final de 2019 foi interrompida pela pandemia do vírus COVID-19. Numa primeira fase, a comunidade científica e médica consensualizou a importância de medidas restritivas, desde a Contenção na sociabilidade, até aos cuidados redobrados de sanitização. Foram tomadas medidas em diversos países, que alteram temporariamente o funcionamento e a organização da economia mundial. A Europa não é exceção, particularmente numa altura em que a Organização Mundial de Saúde reconheceu que o continente europeu é o atual epicentro da pandemia.

É neste quadro que se inserem a sociedade e a economia portuguesas.

A reação à disrupção requer unidade, empenho e o sentimento de pertença à sociedade. Verifica-se a importância da capacidade da mobilização social para responder em conjunto a um desafio comum a todos. O exemplo português procura aprender com a mobilização dos esforços de diversos quadrantes da sociedade: empresários e trabalhadores, entidades privadas e públicas de todos os setores, sem exceção; entidades governativas locais, regionais e centrais. Portugal necessitará de mobilizar os melhores esforços havidos na primeira fase desta crise para preparar a recuperação económica e social.

A pandemia trouxe às economias europeias um choque de procura e de oferta que não tem precedente nas últimas décadas. Enquanto se dissipa a incerteza entre cenários macroeconómicos, verifica-se que a rutura principal terá epicentro no segundo trimestre de 2020, com repercussões persistentes nos anos que se seguem. Em paralelo, a saúde pública é a prioridade que não se pode perder de vista, tanto no que diz respeito à ocorrência de novos surtos, como na fase de levantamento das restrições, que possibilitará o início da retoma social e económica. A imagem desportiva que surge é a de que nos encontramos a meio de uma maratona, mesmo que a fase inicial tenha sido particularmente brusca e intensa.

Os princípios que nortearam a resposta económica pública em Portugal prendem-se com a manutenção da capacidade produtiva instalada, garantia do acesso contínuo a liquidez pelas empresas e a preservação do emprego. No entanto, a fase que se avizinha requer a tomada de medidas de cariz específico para cada setor da sociedade e da atividade económica, pelo que se reforça a importância de auscultar e analisar as especificidades das respostas de cada ponto em Portugal.

Se a pandemia tornou bastante visível a integração dos portugueses na sociedade de que fazem parte, importa agora apresentar um caminho sólido e partilhado de recuperação social e económica. Este caminho terá de ser interativo, com a capacidade de se reavaliar e reformar, tendo em conta a evolução da propagação da infeção e as respetivas consequências de saúde pública. Sem perder de vista esta prioridade, cabe a todos os agentes económicos portugueses ter a capacidade para, com segurança e criatividade, combinar práticas de higiene e de saúde públicas com as atividades económicas presentes no dia-a-dia dos portugueses; da ida ao supermercado ao trabalho no chão de fábrica; da ida a um cabeleireiro até aos serviços turísticos. Porque a maratona ainda vai a meio, importa dar os pequenos e decisivos passos para que famílias e empresas portuguesas vislumbrem a meta em conjunto, seja em Bragança, Funchal, Vila Nova de Gaia, Aveiro, Ponta Delgada, Beja ou Faro.

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