Terapia celular no combate à Covid-19

A Crioestaminal, conhecida pelo seu trabalho de desenvolvimento e investigação sobre células estaminais, desenvolveu um medicamento capaz de tratar doentes com pneumonias graves, em resultado da infeção por Covid-19. André Gomes, diretor-geral da empresa, explicou, em entrevista à Valor Magazine, como foi possível desenvolver este medicamento em tão curto espaço de tempo e qual o poder das células estaminais neste tratamento. neste tratamento.

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André Gomes, diretor-geral

Medicamento inovador ajuda doentes com pneumonia grave

Quando teve início a pesquisa sobre este medicamento?

A utilização de células estaminais mesenquimais para tratar doentes com pneumonias graves associadas à Covid19 tem vindo a ser testada na China, EUA e em alguns países europeus, desde fevereiro, estando já em curso mais de 20 ensaios clínicos para estudar de forma alargada a segurança e eficácia desta terapia. Internamente, nós iniciámos este projeto em meados de março, tendo conhecimento daquilo que estava a ser desenvolvido internacionalmente.

O que são células estaminais mesenquimais?

Células estaminais mesenquimais são células estaminais que têm a capacidade de regular a resposta do sistema imunitário e regenerar os tecidos e órgãos do nosso corpo. Podemos encontrá-las no tecido do cordão umbilical e no tecido adiposo, entre outros. São diferentes das células estaminais hematopoiéticas, isto é, do sangue ou da medula óssea, pois estas têm a capacidade de renovar o nosso sistema sanguíneo.

Que resultados são já conhecidos que determinem o sucesso destas células no tratamento de doentes com complicações graves devido à Covid-19?

Em estudos publicados em revistas científicas, foi demonstrado que a função pulmonar e os sintomas de doentes graves com infeção devido à Covid-19 melhoraram significativamente após a administração destas células, tendo-se observado um reequilíbrio nas populações de células do sistema imunitário destes doentes, bem como do perfil de moléculas pró e anti-inflamatórias. Os resultados publicados permitiram observar que a terapia com as células estaminais mesenquimais foi capaz de inibir a hiperativação do sistema imunitário e de promover a reparação celular endógena, melhorando o microambiente pulmonar e permitindo a recuperação destes doentes.

Em Portugal, em que fase está o trabalho da Crioestaminal relacionado com o desenvolvimento do medicamento para ajudar doentes de Covid-19?

Recentemente, a Crioestaminal concluiu a primeira fase de desenvolvimento do medicamento experimental à base de células estaminais mesenquimais, constituído por doses de 100 milhões de células estaminais mesenquimais do tecido do cordão umbilical. Nesta primeira fase foi produzida a primeira dose, com os necessários controlos de qualidade que permitirão a validação de todo o processo e a qualificação deste medicamento inovador como terapia experimental que poderá ser testada em doentes com Covid-19 em condição mais grave. O medicamento ainda não está a ser comercializado, estamos em estreita colaboração com pneumologistas e intensivistas de vários hospitais nacionais, que no caso de identificarem um doente com necessidade de utilização deste medicamento farão um pedido ao Infarmed, e o medicamento será preparado em concreto para essas eventuais utilizações.

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