Um setor ainda pouco reconhecido

Maria do Rosário Amorim teve a sua primeira experiência na área da mediação de seguros aos 18 anos, quando começou a trabalhar na Norsecur,mediadora cativa do Grupo Cerealis. Desde então,a empresa cresceu,expandiu a carteira de clientes e abriu uma agência própria,emancipando-se da empresa onde foi criada. Hoje,Maria do Rosário Amorim é sócia-gerente da Norsecur e concedeu uma entrevista à Valor Magazine, onde falou sobre a evolução dos seguros,da área da mediação e de como os portugueses veem a obrigatoriedade de fazer seguros.

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Estrela Santos, gestores de clientes, e Maria do Rosário Amorim, sócia-gerente

A Norsecur nasceu pela mão da Amorim Lage, atualmente conhecida como Cerealis, para gerir os seguros da própria empresa fabricante de massas alimentícias, farinhas e outros produtos alimentares. Por esse motivo, a Norsecur estava sediada dentro do edifício sede da Cerealis,na Maia,e foi aí que Maria do Rosário Amorim começou a trabalhar: “Entrei para a empresa aos 18 anos, para o departamento comercial e acabei por assistir o diretor comercial na gestão dos seguros pois,na altura era ele o responsável pela carteira da Norsecur–maioritariamente seguros da empresa,alguns colaboradores e familiares. Quando o diretor comercial saiu, assumi a responsabilidade da carteira de clientes da Norsecur, como sócia-gerente, passando a ter uma pequena participação da sociedade para cumprir os requisitos exigidos relativamente à gestão da empresa de mediação”. Desde essa altura, a Norsecur alargou a sua carteira de clientes, criando o seu próprio espaço em 2013. Aberto ao público numa das ruas principais de Águas Santas, o escritório da Norsecur já conta com oito anos e Maria do Rosário Amorim diz-se muito satisfeita com a integração da agência na comunidade.

“A disponibilidade faz a diferença”

É com muito orgulho que a gerente da Norsecur afirma que a taxa de fidelização de clientes se situa nos 90 por cento, justificando o sucesso com a forma de trabalhar e,em simultâneo, com o atendimento: “Temos muita sorte com os nossos clientes,pois são pessoas de valores semelhantes àqueles que partilhamos e, por isso, é muito fácil trabalhar com eles. Por outro lado, reconheço que a forma de tratar quem confia em nós é diferenciada – fazemos questão de não falar com os nossos clientes apenas quando enviamos documentação, quando há um sinistro ou quando é preciso fazer o pagamento. Enviamos brindes, temos o cuidado de ajudar e auxiliar em qualquer esclarecimento ou dúvida e fazemos questão de explicar as cláusulas da apólice”.

A confiança dos clientes e o reconhecimento da comunidade fazem Maria do Rosário sentir-se bem no seu trabalho. A noção de responsabilidade social que a Norsecur tem é materializada em apoios ao desporto – futebol, desporto adaptado – e em campanhas solidárias na época de Natal, onde participam os clientes e a restante comunidade: “Se podemos ajudar, nem que seja em pequenas tarefas, fazemo-lo. Estamos inseridos numa comunidade que nos reconhece também por esse espírito de ajuda e disponibilidade”.

Os seguros são um negócio de pessoas

Embora a área da mediação de seguros ainda tenha um longo caminho a percorrer no ponto de vista de reconhecimento social, Maria do Rosário Amorim admite que muito já mudou, ao longo dos mais de 30 anos em que trabalha no setor: “Antigamente, ser mediador de seguros era uma profissão secundária. Qualquer pessoa podia assumir-se como mediador, e era uma atividade que muitos exerciam nas horas vagas, quando não estavam a trabalhar na sua profissão principal. De alguns anos a esta parte, felizmente,os mediadores têm de reunir um conjunto de requisitos, conhecimentos, comportamentos, que levam a um estatuto profissional que lhes permite ser especialistas nesta área. Não pode ser um setor tratado como segunda opção”.Maria do Rosário Amorim também assume que, para além de ser responsabilidade dos mediadores mudar esta visão social,a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundo de Pensões (ASF) tem um papel fundamental no setor, assim como as companhias de seguros e todas as alterações regulamentares que têm vindo a ser implementadas.

Trabalhando com cinco companhias de seguros, sendo que maioritariamente a carteira está colocada em duas em particular, a Norsecur oferece uma oferta variada, para particulares e empresas e quer continuar a evoluir: “A implementação da Norma da Responsabilidade Social, com a qual nos identificamos, é um objetivo a concretizar nos próximos anos, a contínua aposta na comunicação digital é essencial para a sustentabilidade do negócio, a garantia da manutenção do padrão de atendimento e serviço que prestamos e um crescimento sustentável são fatores sempre presentes na nossa gestão”. Atualmente com a sua carteira composta por um número superior de clientes particulares face às empresas, Maria do Rosário Amorim quer aumentar o número de clientes empresariais:“Empresas só mudam a mediação dos seguros se tiverem alterações nas direções responsáveis, nova Administração ou algo não corra bem relativamente ao seguro… o desafio é maior, mas estamos confiantes de que vamos conseguir!”.

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