“Vê mais longe a gaivota que voa mais alto”

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Dulce Forte, General Manager of DSolutions Group,Direction at AESS and Direction at AIIE

O título deste artigo é uma frase que consta do livro Fernão Capelo Gaivota, lançado há 50 anos, precisamente em 1970, o ano do meu nascimento. Neste livro, uma gaivota sonha voar mais alto e descobrir o mundo. Este seu sonho vai contra tudo e todos os que fazem parte do seu bando porque, dizem, é anti natura. As gaivotas não voam alto apenas sobrevoam o mar e mergulham para se alimentarem. Mas, Fernão Capelo sonhou, voou mais alto e alcançou!

Quantas vezes deixamos que a opinião dos outros nos impeça de sonhar e de alcançar os nossos objetivos? O ano em que nos encontramos e todos os acontecimentos que temos estado a viver desde março, vieram mostrar que, tal como a gaivota, vê mais longe quem sonha mais alto. Para muitos o isolamento foi o fim de um ciclo, o encerrar portas e o ficar de mãos a abanar. Para outros foram tempos de mudança e reorganização pessoal e profissional. Para outros ainda foram tempos de ver mais longe, inovar e criar novas oportunidades de negócio ou novos negócios.

Tendo como umas das minhas principais atividades acompanhar pessoas desempregadas a criarem o seu próprio emprego, há muito que me habituei a ver nos momentos de crise, e em que tudo parece estar perdido, uma oportunidade para mudar de vida e levar a cabo aquele projeto que sempre sonhámos e nunca tivémos coragem de desenvolver. Por duvidarmos, por termos medo de sair da zona de conforto, entre tantos outros motivos. Falando por experiência pessoal foi nos momentos em que pensei ter chegado ao fim da linha que lancei os meus projetos. O desempregou levou-me a criar uma empresa há mais de 13 anos anos que ainda mantenho (DSolutions) e na qual fui criando novas áreas de negócio nestes anos de existência. A crise financeira levou-me a reestruturar modelos de negócio e assim nasceu uma associação (AESS – Associação Economia Solidária e Sustentável) que tem como foco apoiar pessoas que como eu querem realizar o seu sonho. A pandemia também me fez voar mais alto e ver mais longe. Acelerei projetos que estavam na gaveta e que talvez lá ficassem se não tivesse sido “obrigada” a reinventar-me mais uma vez. Às vezes também nos acomodamos e precisamos de um abanão para reagir!

Olhando para o mercado vemos todos os dias novos negócios a surgir, sobretudo no mundo digital, e outros a reinventarem-se e a adoptarem novas formas de comercialização, sobretudo online, dos seus serviços e produtos. Perante esta nova realidade surgem as dúvidas: estamos todos a ver mais longe porque estamos a voar mais alto ou apenas nos adaptamos às circunstâncias que a pandemia e o isolamento nos trouxeram? Estamos todos a seguir uma moda e em breve vamos ter que nos reinventar mais uma vez porque, se esta nova realidade se alterar teremos que voltar a redefinir novos métodos ou voltar aos tradicionais? Acredito que mais que uma moda esta nova realidade surgiu de uma necessidade porque se estamos isolados os produtos e serviços têm que chegar até nós, mas também acredito que as relações humanas fazem parte dos negócios e vai certamente ser necessário encontrar um novo caminho. Fica então a pergunta: qual será o próximo voo?

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