Que análise pode fazer deste projeto,12 anos depois do seu início?
O projeto nasceu através de parcerias e do lançamento da marca Santos e Seixo, mas nos últimos anos demos um grande passo ao nível de infraestruturas próprias, com a aquisição da Encosta do Sobral, em Tomar, e, mais recentemente, da Quinta do Cevêr e da Quinta do Outeiro, no Douro. Isto permite-nos controlar todo o processo desde a vinha até ao engarrafamento. Comercialmente, temos uma oferta alargada que inclui vinhos do Tejo, Douro, Alentejo, Vinho Verde, Porto e Espumante.
A adega online surgiu dada a importância desta ferramenta digital, mas também porque a pandemia acabou por obrigar a que muitos negócios se fizessem no digital. Em 2022, porém, a normalidade regressou aos negócios. Que análise se pode fazer deste período comercialmente, e também das colheitas do ano 2022, caracterizado pela seca?
A pandemia veio trazer bastante incerteza ao setor, não apenas a nível comercial, mas em toda a cadeia de abastecimento. Em Portugal, os produtores bem posicionados no Offtrade viram as suas vendas crescer, uma vez que o consumo passou a ser efetuado maioritariamente neste canal. Quem sofreu foram as pequenas adegas, que tinham as suas vendas concentradas no canal Horeca e tiveram de encontrar soluções mais criativas para escoar stocks. O canal online cresceu consideravelmente, mas é necessário uma estrutura logística bem montada e uma oferta alargada e competitiva. Não basta abrir uma loja online, é preciso conquistar relevância e fidelidade. Em relação à colheita 2022, ainda é cedo para fazer um balanço, teremos de esperar alguns meses para ver a evolução das uvas.
Em destaque, para este ano, temos vinhos de três das principais regiões vitivinícolas nacionais: Encosta do Sobral Vinhas Velhas 2019, Regional Tejo Tinto; Duquesa Maria Superior 2018, Regional Alentejo Tinto; Encosta do Sobral Selection 2021, Regional Tejo Rosé; Perspectiva Reserva 2019, Douro DOC Tinto. Fale-nos um pouco sobre as características de cada um e o que os leva a ser destaque?
Em cada região procuramos produzir vinhos característicos, que nos façam viajar até à origem utilizando maioritariamente castas locais, de forma a reforçar essa diferenciação. Estes vinhos são um pouco esse reflexo.

O projeto da Santos & Seixo tem também a sua marca – Santos da Casa – que foi a impulsionadora da internacionalização deste projeto. Atualmente, como está esta marca e a sua evolução?
Como primeira marca do projeto, existe uma ligação emocional especial. O objetivo é encontrar os melhores canais e parceiros para a sua comercialização, de forma a manter um posicionamento Premium. Mantém-se uma marca multirregião, que procura oferecer o melhor vinho das principais regiões vitivinícolas do país. Em breve,
iremos lançar novas colheitas no Douro e aproveitámos para efetuar um ligeiro rebranding. Vamos também lançar um novo vinho de uma região muito particular, mas não queremos ainda desvendar.
Além da produção de vinhos, a Santos & Seixo desenvolveu também outros negócios, como o turismo rural. Que análise é possível fazer agora, num momento em que o Verão está quase a terminar e, segundo consta, foi uma das melhores épocas turísticas de sempre?
Estamos a desenvolver a área do Enoturismo, tentando reforçar a oferta, tanto em Tomar, como no Douro. É uma das nossas apostas no curto/médio prazo, mas são desenvolvimentos que necessitam de tempo e pessoas especializadas na área, pelo que ainda não foi possível explorar todo o potencial em 2022.
Como se prepara, desde já, o próximo ano na Santos & Seixo? Quais os projetos à espera de serem concretizados de que nos possa dar conta?
Ao nível das infraestruturas, estamos a terminar o projeto na Quinta do Outeiro (produção) e na Quinta do Cevêr (Enoturismo). A nível comercial, estamos a reorganizar o portfolio, reforçando a aposta em gamas médias e altas, mas nunca descurando negócios de maior volume. Vamos apostar muito na criação de marca, de forma a tornar as nossas marcas uma referência no setor nas diferentes regiões.











