“A confiança conquista-se com resultados”

Beatriz Rodrigues defende que a diversidade fortalece a advocacia e acredita que o futuro da liderança jurídica passa por modelos mais inclusivos, preparados para antecipar os desafios de uma sociedade em constante transformação.

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Enquanto advogada e elemento de relevo da José Rodrigues & Associados, que desafios sentiu ao afirmar-se profissionalmente e de que forma acredita que o feminino pode trazer novas perspetivas à liderança no universo jurídico?
A advocacia é, historicamente, um universo masculino e os Açores não são exceção. Afirmar-me numa sociedade com décadas de história implicou provar, dia após dia, que competência não tem género. Os desafios existiram, mas nunca os deixei definir o meu percurso.

Acredito que as mulheres trazem à liderança jurídica uma capacidade de escuta ativa, uma gestão emocional mais apurada e uma visão integradora que complementa, e muitas vezes supera, os modelos tradicionais. Não se trata de substituir, mas de enriquecer. A diversidade de perspetivas numa equipa jurídica é, hoje, uma vantagem competitiva real.

O seu percurso profissional cruza áreas tão distintas como Direito Fiscal, Trabalho, Imobiliário, Penal, Ambiente e Desporto. Como é que nasceu esta versatilidade e de que forma essa experiência multidisciplinar influencia hoje a forma como acompanha clientes e empresas?
A versatilidade não foi uma escolha estratégica, foi uma resposta à realidade dos clientes. Nos Açores, as pessoas e as empresas precisam de um advogado que as acompanhe a 360 graus, não de especialistas isolados em silos. Com o tempo, percebi que dominar áreas tão distintas como o Direito da Família, Direito Civil, o Administrativo, o Laboral ou o Penal me tornava uma profissional mais completa e os clientes sentiam isso.

Hoje, essa experiência multidisciplinar permite-me antecipar riscos cruzados que um olhar mais estreito não captaria. É essa visão de conjunto que mais valorizo e que os clientes mais reconhecem.

Quais considera serem os principais fatores diferenciadores da José Rodrigues & Associados e que tipo de proximidade procuram construir com os clientes, tanto nos Açores como no restante país?
O principal diferenciador da José Rodrigues & Associados é a conjugação entre tradição e modernidade: somos uma das mais antigas sociedades de advogados dos Açores, com toda a credibilidade e memória institucional que isso representa, mas com uma equipa atual, ágil e tecnicamente exigente. A proximidade com o cliente não é um slogan, é uma prática. Conhecemos as suas famílias, os seus negócios, a sua história. Essa relação de confiança é insubstituível e é o que nos distingue, quer nos Açores quer no continente.

Ao longo da sua carreira, houve algum caso, desafio ou momento marcante que tenha contribuído para reforçar a sua confiança enquanto mulher líder e profissional do Direito? O que aprendeu com essa experiência?
Há um momento que recordo com particular significado: um processo complexo, em área sensível, onde fui repetidamente subestimada pela parte contrária. O desfecho favorável ao meu cliente foi a melhor resposta possível.

Aprendi que a melhor arma de uma advogada é a preparação implacável e que a subestimação alheia, quando bem gerida, pode ser uma vantagem. Reforçou em mim a convicção de que a confiança não se pede, conquista-se com resultados.

Quais são as principais preocupações jurídicas que identifica nos clientes e como é que a vossa equipa se adapta a uma realidade cada vez mais exigente e em constante mudança?
As preocupações jurídicas dos nossos clientes acompanham a transformação da sociedade: o teletrabalho e as novas formas de vínculo laboral, as exigências ambientais e de sustentabilidade sobre as empresas, a proteção de dados e transformação digital, para além do grande desafio que diz respeito aos impactos da inteligência artificial. A nossa equipa adapta- se através de formação contínua e de uma leitura atenta da legislação emergente. Não reagimos às mudanças, mas procuramos antecipá-las. Esse é o nosso compromisso com quem nos confia os seus interesses.

Para muitas jovens mulheres que ambicionam construir carreira na advocacia ou assumir posições de liderança, o caminho ainda pode parecer desafiante. Que conselho lhes daria e que legado gostaria de deixar enquanto mulher, advogada e uma referência?
O meu conselho é simples: não peçam licença para ocupar o espaço que é vosso por mérito. Preparem-se mais do que qualquer outro na sala, sejam rigorosas, e não confundam assertividade com agressividade – são coisas muito diferentes.

Quanto ao legado, gostaria de ser recordada como alguém que exerceu advocacia com ética, que defendeu os seus clientes com convicção, dedicação, empenho e profissionalismo e que, pelo caminho, ajudou a normalizar a ideia de que uma mulher pode e deve liderar com plena autoridade.