“A cultura é o que nos define”

A State of the Art foi criada em 2009, como agência de ativação de marketing cultural. Doze anos e vários prémios depois, a State of the Art afirma-se como uma empresa capaz de prestar vários serviços relacionados com marketing cultural, como destaca a fundadora e CEO, Astrid Sauer.

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Astrid Sauer, founder e CEO (Foto: Pau Storch Photography)

É CEO da State of the Art há quase nove anos. Fazendo um balanço desta liderança, como a descreveria?

Os últimos nove anos foram uma viagem de somatório de aprendizagens e sucessos, mas também desafios, que me enchem de orgulho. Pensar e criar um projeto de raiz, numa das áreas que mais me apaixona, é um grande prazer. É gratificante sentir o reconhecimento dos clientes e percebermos que temos vindo a fazer um bom trabalho.

Se tivesse de se definir, enquanto profissional, como o faria?

Não é fácil descrevermo-nos a nós próprios sem enviesamentos, mas considero-me uma pessoa trabalhadora, focada e transparente, tentando nunca perder o sentido ético.

A criatividade e o empreendedorismo são essenciais para que a economia evolua mas, no caso feminino, o empreendedorismo assegura-lhe ainda uma maior independência e liberdade profissional. Portugal é, na sua opinião, um país de iguais oportunidades para homens e mulheres, no mercado de trabalho?

Penso que Portugal está no bom caminho, mas existem, ainda, discrepâncias consideráveis não só a nível salarial, mas também no que toca à divisão de tarefas domésticas entre casais e às políticas familiares. Portugal tem apenas 14% de mulheres em lugares de gestão de topo (Gender Diversity Index 2020) e, por isso, existe ainda algum caminho a percorrer nesta área.

Quais os conselhos que deixaria às mulheres que estão a iniciar o seu percurso profissional e ambicionam crescer, na sua área de atuação profissional?

“Eyes on the Prize”. Se queremos progredir na nossa carreira, temos que identificar os contributos que nos tornam melhores. Além de investir no nosso trabalho e na nossa autoestima, temos que gostar do que fazemos e temos que nos apoiar mais, como os homens fazem entre si, criando amizades e um network de mulheres que pensam da mesma forma. As mulheres têm que deixar os ciúmes para trás e ajudarem-se umas às outras a tornarem-se líderes.

A State of the Art nasceu em 2009. Mais de 10 anos depois, como é a cultura percecionada em Portugal?

Persiste na sociedade a velha crença que é um setor subsídio-dependente, mas pouca gente sabe da importância das Indústrias Culturais e Criativas (ICC) para a Economia. Em 2019, as ICC na UE-28 representaram uma faturação de 643 mil milhões de euros, representando 4,4% do PIB da UE em termos de volume de negócios total e empregando mais de 7,6 milhões de pessoas na UE-28. Em Portugal, o setor cultural representa mais de 3.6% do PIB nacional. Quase 50% das pessoas empregadas em Portugal nas ICC têm menos de 39 anos. Falamos das futuras gerações. Futuras famílias, que têm a chave para o crescimento coletivo como sociedade, para o crescimento da inovação e da criatividade e, por isso, também para o crescimento económico.

Quais os principais serviços que disponibilizam e que gostaria de salientar?

A State of the Art é uma agência premiada de ativação de marketing cultural que tem como objetivo proporcionar às empresas e organizações soluções de comunicação elevadas pela cultura, porque acreditamos no elevado potencial da cultura para gerar relações, reconhecimento, afetos e negócios. Gostamos sempre de destacar os serviços que consideramos serem de valor acrescentado a todos os clientes com quem trabalhamos: ativações de marketing cultural, exposições de arte, exposições comemorativas, ações de responsabilidade social, comissões de arte pública, programação cultural, bem como concursos de fotografia, design ou arte, entre outros.

Como exemplo, destaco dois projetos recentes que nos deram muito prazer em termos de conceção de conceito e desenvolvimento de trabalho. O primeiro, a criação, curadoria e produção executiva da obra de arte contemporânea “Memórias do Mar” da artista Cristina Rodrigues, desenvolvida especificamente para o Vila do Conde Porto Fashion Outlet que reúne três instalações de arte permanentes: “Estaleiro”, “Sob o Mar” e “Medusas”, totalizando 43 esculturas de inspiração em elementos de cultura popular como o Mar, os Estaleiros Navais e a Pesca, em homenagem a Vila do Conde e às suas atividades marítimas. O segundo, a organização do Prémio A Arte Chegou ao Colombo, em parceria com o Centro Colombo, com o objetivo de apoiar artistas emergentes. Além de proporcionar aos vencedores um prémio monetário de 20 mil euros, as obras de arte dos 10 finalistas foram apresentadas numa Exposição no Museu Coleção Berardo, que estará patente até ao dia 23 deste mês.

“Culture is everyone’s business”. De facto, todos os agentes ativos de uma comunidade são, de certa forma, um pouco responsáveis pela cultura e pela sua dinamização?

A nossa assinatura é mais do que isso. Quer dizer que a cultura, numa perspetiva abrangente, é o que nos define. É a nossa língua, é a gastronomia, são as histórias que passam de avós para netos e são expressões artísticas que nos fazem pensar enquanto sociedade, que nos fazem evoluir e crescer, que nos distanciam e aproximam. Por essa razão deve ser uma preocupação de todos, porque nos representa a todos.

Em Portugal, quando se fala em “cultura”, ainda existe uma conotação com as classes mais altas da sociedade. Falta desconstruir esta ideia e trazer “a cultura para a rua”, para ser verdadeiramente vivida?

A democratização da arte e da cultura é uma missão da State of the Art. Mas essa definição de cultura de que fala, julgo que está ultrapassada. Felizmente, hoje em dia, existe já uma perceção mais abrangente do que é cultura. O que ainda está por fazer é tornar o acesso mais fácil, mais universal. A democratização da cultura não se faz apenas pelo lado da procura, também se faz pelo lado da oferta, quer dizer que precisamos de desenvolver esforços para derrubar barreiras à criação artística e incentivar maior produção cultural.

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