O seu Escritório de Advocacia apresenta uma atuação marcada pela personalização, rigor técnico e compromisso ético. Que percurso a trouxe até aqui, o que distingue o seu posicionamento no mercado jurídico e de que forma procura responder às necessidades dos clientes nas várias áreas em que atua?
O meu percurso foi-se construindo muito na prática e no contacto direto com as pessoas. Claro que há o lado jurídico, técnico, mas há também tudo o resto — e isso pesa muito na forma como trabalho. Sou mãe, e isso mudou a forma como olho para muitos processos, sobretudo os mais sensíveis. Gosto de acompanhar os clientes de perto, perceber a realidade deles e não tratar os processos como algo standard.
Tento equilibrar rigor com proximidade — sem perder nenhum dos dois.
Enquanto advogada com prática em Direito da Família, quais considera serem os maiores desafios na gestão de conflitos parentais intensos e que papel deve o advogado assumir para promover soluções equilibradas e estáveis?
Nos conflitos parentais mais intensos, o mais difícil é conseguir tirar o foco do conflito entre os adultos e voltar a colocá-lo na criança. Muitas vezes há mágoas, desgaste, e isso acaba por contaminar tudo.
Acho que o advogado tem de ter aqui um papel mais consciente — não é só defender, é também ajudar a trazer alguma clareza e evitar que a situação escale ainda mais.
Nos últimos anos, a residência alternada tem vindo a ganhar maior expressão nas decisões dos tribunais portugueses. Na sua perspetiva, esta solução deve começar a ser privilegiada como modelo de referência, ou continua a exigir uma análise muito casuística?
A residência alternada pode funcionar muito bem, mas não é uma solução “tamanho único”. Depende muito da relação entre os pais, da forma como comunicam e da estabilidade que conseguem garantir. Quando há cooperação, faz sentido. Quando não há, pode acabar por ser mais prejudicial do que benéfico.
“A residência alternada pode funcionar muito bem, mas não é uma solução “tamanho único”. Depende muito da relação entre os pais, da forma como comunicam e da estabilidade que conseguem garantir”
Em que circunstâncias entende que a residência alternada pode não corresponder ao superior interesse da criança, apesar de ser juridicamente possível ou até desejável em teoria?
Na prática, há muitos casos em que a residência alternada até seria possível no papel, mas não resulta na vida real. Situações de conflito constante, falta de comunicação ou instabilidade acabam por pesar muito. E aí temos de ser realistas: o que interessa não é a solução ideal em teoria, é o que funciona para aquela criança em concreto.
Nos processos de regulação das responsabilidades parentais, que peso deve ser atribuído à opinião da criança e de que forma deve o tribunal avaliar essa manifestação de vontade sem a instrumentalizar?
A criança deve ser ouvida, sem dúvida, mas com muito cuidado. Não pode sentir que tem de escolher ou carregar esse peso. A opinião dela é importante, mas tem de ser enquadrada — perceber de onde vem, se há influências, se é consistente. Ouvir é essencial, mas decidir continua a ser responsabilidade dos adultos.










