Está há quase 15 anos a desempenhar as funções de presidente do LNEG. Como tem sido este percurso e que mudanças nota, enquanto líder, ao longo deste tempo?
Ser líder é ter a capacidade de inspirar, motivar e conduzir as equipas a alcançar os objectivos, que devem estar sempre alinhados com as agendas de investigação e desenvolvimento da Europa e para a capacidade de resposta ao apoio à política pública do nosso país. Obriga ainda à capacidade de decidir, em momentos estratégicos,
estando sempre muito atentos ao mundo que nos rodeia. Penso que a principal mudança é a permanente atenção às oportunidades e necessidades da sociedade, através de colaborações internacionais e nacionais que permitem a observabilidade do sistema em que estamos inseridos.
Enquanto mulher ligada à Ciência, tem vindo a aperceber-se de uma maior quantidade de mulheres que escolhem esta área de trabalho? Que diferenças isso pode trazer ao ambiente de trabalho e à forma de conduzir um trabalho de investigação, por exemplo?
Não há diferenças na capacidade de trabalho entre homens e mulheres que, ao longo dos tempos, têm vindo a ganhar esse reconhecimento, apesar de sabermos que não é assim em todas as sociedades. A diversidade enriquece o trabalho pois permite incluir diferentes perspectivas e fomenta a discussão. Penso ser essa
diversidade que enriquece as equipas.
Que características assume ter que lhe permitem não só levar a bom porto o seu trabalho, como também gerir de forma equilibrada os outros lados da sua vida?
Sou observadora, atenta aos outros líderes das instituições pares, e tento liderar aplicando e replicando os bons exemplos adaptados às orientações nacionais. A gestão das equipas é simultaneamente estratégica (em linha com as directivas nacionais) e democrática, tendo em conta as linhas de investigação. Desde longa data procuramos reforçar as equipas envolvendo-as em redes internacionais, o que tem sido bem-sucedido, pelo que podemos constatar da nossa intervenção reconhecida nessas redes. Neste momento, sou vice-presidente
executiva da European Energy Research Alliance, a rede europeia para a investigação na Europa, o que tem sido simultaneamente uma aprendizagem e instrumental para seguirmos as melhores práticas. Tenho ainda uma
capacidade de organizar as tarefas e optimizar o aproveitamento do tempo, o que permite encaixar todas as tarefas da minha vida.
Como avalia a importância de um mercado de trabalho mais equilibrado entre homens e mulheres?
Posso afirmar que nunca me senti discriminada, mas reconheço que a frieza dos números nos diz que ainda
estamos muito distantes da paridade. No sector onde me movo, investigação e energia, apesar de ter como pares mulheres muito competentes, com sensibilidade para a liderança, a paridade está longe de ser realidade, em contraponto da qualidade. Faço notar que para além das qualidades científico-técnicas, as mulheres têm um
perfil mais eclético que os homens, tendo capacidade para aliar ao rigor e determinação a sensibilidade e a inteligência emocional. Este equilíbrio entre homens e mulheres é fundamental.
Relativamente ao posicionamento de Portugal no sector do lítio, na sua exploração e aplicação, qual tem sido o papel do LNEG nesta questão?
Lideramos a Estratégia Nacional para o Lítio e temos a informação sobre os nossos recursos disponível no nosso GeoPortal de forma aberta a todos os cidadãos. Temos ainda colaborado na divulgação à sociedade dos impactos, mas também dos benefícios, desta riqueza nacional.
Como pode o lítio ser explorado da melhor forma?
Há ainda um caminho a fazer junto das populações na sensibilização e na garantia de que há benefícios para a região. É necessário ainda assegurar que a exploração estará associada à valorização do recurso através do
processamento do minério e da sua transformação numa fábrica de baterias.
A autora não segue o Novo Acordo Ortográfico











