“A Engenharia nacional é muito boa”

A H Tecnic é uma empresa de requalificação, reforço e reabilitação de pontes e viadutos, túneis, barragens e outras infraestruturas, cujas especificações técnicas exigem recursos humanos e tecnologia adequados. O engenheiro Pedro Gutierres, responsável pela empresa, deu a conhecer este nicho de mercado onde a H Tecnic opera e as diferenças face às restantes empresas do setor.

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Pedro Gutierres, engenheiro e diretor-geral

Há já 18 anos que a H Tecnic atua no mercado da Engenharia Civil. Qual a vossa filosofia de trabalho?

A H Tecnic atua num nicho de mercado. Quando se fala em reabilitação e restauros, estamos sempre a falar em património edificado, mas não é o nosso caso. O nosso core business passa essencialmente pela reabilitação de pontes e viadutos, barragens e estruturas enterradas, como os túneis. Atuamos ao nível da reabilitação e reforço das estruturas de betão armado, onde os edifícios são uma parte residual da nossa atividade, embora não o excluamos. Estamos presentes no mercado há 18 anos e, desde o início, de um modo geral, tem havido crescimento mas, no essencial, a faturação da empresa reflete o investimento público na indústria onde estamos e pretendemos continuar. Temos tido níveis de faturação sempre abaixo dos 10 milhões de euros anuais, acompanhando a evolução do mercado, nesta nossa atividade muito específica. O crescimento da empresa foi resultado de uma boa gestão exercida pelos anteriores acionistas, que deixaram a empresa muito bem preparada e com o devido reconhecimento pelo mercado. Assim, quando adquirimos a empresa, o ano passado, percebemos que existiam características que teriam de ser mantidas para que a H Tecnic não fosse descaracterizada.

Quem são os vossos principais clientes?

Os nossos principais clientes são a Infraestruturas de Portugal, o Metropolitano de Lisboa e a Brisa. Todavia, tendo em conta a diminuição do investimento público, procurámos aumentar a carteira de clientes, surgindo a Direção-Geral da Agricultura, a Repsol, bem como outras empresas – públicas e privadas – que permitiram diversificar, reforçando a nossa posição no mercado.

Como desenvolve a empresa a especialização de que necessita nos seus colaboradores?

A empresa tem um quadro de recursos humanos muito estável, ao contrário do que é mais comum em empresas deste setor. Temos uma equipa fixa com cerca de 40 pessoas e muitos dos nossos colaboradores estão na H Tecnic desde a constituição da empresa, pelo que já têm um know-how e uma experiência de muitos anos. No caso dos encarregados de obra e dos operários quando entra um novo colaborador, será incluído numa equipa de trabalho composta por elementos experientes, para assegurar a aprendizagem e transferência do “como fazer” no terreno. No que respeita aos engenheiros, tentamos recrutá-los logo após a conclusão do curso ou numa fase de pouca experiência, pois estão com maior propensão para a absorção de conhecimento. Formamos os nossos engenheiros dentro da empresa, complementando com formação externa, nomeadamente em universidades com quem temos protocolos de colaboração, para garantir que o know-how fica na empresa e ajustado à atividade que desenvolvemos.

Como são realizadas a análise e a manutenção destas infraestruturas?

Por vezes, são os próprios donos da obra que fazem uma avaliação do património, percebem a necessidade de intervenção e contactam-nos ou, no caso de entidades públicas, são lançados procedimentos de contratação pública. Por vezes, somos contratados para fazer uma análise da necessidade de intervenção e, nesse caso, avançamos com um estudo e uma proposta de manutenção totalmente concebida por nós. Todavia, muitas vezes acabamos por ajudar o dono da obra a melhorar esse estudo inicial sobre o estado do património, dado que o mesmo não tem as informações necessárias para ser feita uma correta avaliação do estado da infraestrutura, pelo que tentamos corrigir essas debilidades com o nosso know-how. De facto, esta não é uma área fácil, pois requer intervenções de pessoas que tenham experiência.

Reabilitação da Ponte do Alcoutenejo

Que análise faz do estado das nossas infraestruturas atualmente?

Em primeiro lugar, é importante referir que a Engenharia nacional é muito boa. Depois, o nosso património público que está em condições deficitárias está identificado e é conhecido. Muitas vezes, os estudos e projetos de requalificação e reabilitação estão materializados, mas não avançam, por falta de investimento público. No entanto, as situações são conhecidas e são acompanhadas pelas entidades que as tutelam. Quando existe a possibilidade de fazer o investimento, assim acontece. Consignámos recentemente uma obra onde foi realizado um relatório de inspeção em 2005, por terem sido identificados problemas com a qualidade do betão, foi elaborado um segundo relatório em 2012, demonstrando um agravamento significativo das condições da infraestrutura face ao relatório de 2005, e a intervenção dá-se em 2020.

Em que é que a tecnologia vos ajuda a executar o vosso trabalho?

Na nossa área, o grande avanço ocorreu ao nível dos equipamentos disponíveis, como o georadar. Através deste equipamento, conseguimos saber exatamente a profundidade das fissuras, armaduras e outros elementos incluídos em estruturas ou no solo, se são superficiais ou não e assim ajustar a intervenção a realizar. A chegada dos drones também veio facilitar o trabalho de inspeção de pontes ou outras estruturas onde exista a possibilidade de utilização daquele equipamento para a recolha de imagens por fotografia ou vídeo. Antes destas tecnologias, era necessário um conjunto mais vasto de recursos humanos e logísticos para se inspecionar uma infraestrutura como uma ponte. Assim, o que evoluiu, na verdade, foi a capacidade de caracterizar os problemas de forma mais eficiente. Ao nível da intervenção em reparações, nomeadamente em estruturas de betão armado, estas continuam a assentar em métodos clássicos, no entanto os equipamentos associados também se tornaram mais eficientes.

Que análise faz deste último trimestre e o que antevê para 2021?

No final do ano passado, alguns dos nossos grandes clientes lançaram obras que nós conseguimos contratar e foram essas obras que fomos desenvolvendo ao longo deste ano. Durante o período inicial da pandemia, não foi evidente, para a H Tecnic, uma grande quebra, mas de maio até agora sentimos um forte abrandamento na promoção de novas das obras por procedimento público. Os três grandes clientes abriram muito poucos procedimentos em que pudéssemos participar e parte dos procedimentos lançados dispunham de valores máximos inferiores ao custo das obras pelo que grande parte ficou sem concorrentes. Uma parte das obras contratadas teve o seu início adiado. Os últimos três meses foram de uma oferta escassa ao nível de novos procedimentos públicos ajustados à dimensão e especificidade da H Tecnic. Todavia, as perspetivas futuras parecem-nos favoráveis, em função do que o Governo anunciou como investimento de apoio à economia, através do Plano de Recuperação e Resiliência.

www.htecnic.pt

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