“A Europa está atrasada digitalmente”

A Lavaimagem tem 17 anos de mercado e conta com dois escritórios, nas ilhas do Pico e de S. Miguel, nos Açores. Trabalhando com clientes regionais e internacionais, o CEO, Rui Veríssimo, reconhece que o economia digital nacional está a crescer, mas precisa de acelerar face aos restantes mercados mundiais.

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Rui Veríssimo, CEO

Qual a vossa filosofia de trabalho e a respetiva interação com os clientes?

A pandemia não nos apanhou desprevenidos porque sempre trabalhámos remotamente, dado que temos projetos com clientes do mercado norte-americano e asiático. Isso exige de nós um leque de horários alargado, uma disponibilidade total para atender os clientes e um conjunto de ferramentas e métodos que encurtam as distâncias. Fazemos sempre uma análise do cliente (pessoa, entidade e projeto), de forma a compreender exatamente o que quer e o que precisa. No que respeita aos mercados que trabalhamos, são completamente distintos entre si. Enquanto que o mercado regional só agora começa a dar passos na direção da economia digital, nos mercados internacionais temos clientes que são cotados em Bolsa e que não se importam de pagar para terem exatamente aquilo que pretendem para a sua solução.

Existe um desequilíbrio entre o mercado digital português e o resto do mundo?

Estamos muito atrasados, embora nos últimos cinco, seis anos tenhamos progredido imenso. Neste momento, quer os Estados Unidos da América, quer a China são mercados com grandes empresas e visão tecnológica. São mercados com grande escala, apetência digital e tecnológica que cedo perceberam as vantagens da aposta no digital. São muito mais predispostos ao investimento em opções digitais, ao ponto de um cliente internacional estar disposto a pagar mais 300% do que um cliente regional para ter a melhor solução para si, e não apenas uma solução. A situação de pandemia a que vivemos veio confirmar exatamente isso: existe muito trabalho a fazer, a nível regional, nacional e europeu.

Ainda falta legislar a parte ética das aplicações?

Os dados de cada um são “sagrados”, devem ser guardados perante todas as instâncias. Todavia, o que as aplicações e redes sociais “vendem/cedem” às agências de marketing são dados. É assim que começamos a receber anúncios ou artigos relacionados com um assunto que, supostamente, nos interessa. A ideia, claro, é levar-nos a comprar. Nesse aspeto, a Europa, e Portugal, já deram passos concretos, mas existe ainda muita falta de sensibilização dos utilizadores para esta questão. As pessoas ainda não perceberam o valor que os seus dados têm. Novamente, a pandemia trouxe à ribalta este assunto e demonstrou o tal desconhecimento do utilizador. A polémica que se gerou em torno da aplicação Stayaway Covid é ridícula, se comparado com outras apps que usamos todos os dias.

Que características destaca na sua empresa que levam ao seu sucesso internacional?

Destacaria as pessoas que trabalham na empresa e a sua atitude. São pessoas autodidatas e que se sacrificam pelo bem comum. Estas áreas exigem que tenhamos uma disponibilidade muito grande para o cliente, tendo em conta os diferentes fusos horários e todos são dedicados. Depois, há a questão da confiança, pois é importante que o cliente compreenda que estamos na vanguarda de conceitos, metodologias e tecnologias. A frontalidade entre cliente e colaborador também é muito importante, para chegarmos a um produto que satisfaça e seja positivo para o cliente. Por fim, o nosso leque de serviços permite apresentar soluções que incluam conceitos e estratégias de várias áreas, o que resulta em produtos sólidos, funcionais e com apetência para o sucesso.

Como lhe parece que será o futuro?

O digital veio para ficar. Já há muitas empresas que ainda não querem começar a vender online, mas que já querem ter tudo preparado caso tal seja necessário. O dinheiro digital veio para ficar, a informatização e digitalização veio para ficar, assim como o teletrabalho. As pessoas estão, mais predispostas para comprar online, o que alterará a questão da concorrência, pois esta passará a ser mundial.

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