A fórmula sustentável da gestão financeira das PME

Pedro Meireles, CEO da Invisible CFO, explica como a combinação entre tecnologia e especialistas experientes permite às PME e freelancers tomar decisões mais informadas, crescer de forma sustentável e ganhar eficiência.

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Como é que a Invisible CFO incorpora a criatividade e a inovação no seu modelo de negócio, especialmente num setor tradicionalmente associado a processos mais conservadores, como a contabilidade e a consultoria financeira?

Durante muitos anos, a contabilidade serviu quase apenas para cumprir obrigações fiscais, ficando longe do dia a dia da gestão das empresas. A Invisible CFO veio mudar isso. Desenvolvemos software próprio com automação e inteligência artificial que dá aos empresários acesso a informação financeira em tempo real. Ao mesmo tempo, apostamos fortemente nas pessoas: contamos com especialistas experientes em fiscalidade, finanças e estratégia, com percursos em grandes empresas e multinacionais como a Deloitte, a EY, a P&G ou o Barclays. A tecnologia trata do trabalho repetitivo e pesado, e as pessoas ajudam a interpretar os números e a tomar melhores decisões. É esta combinação entre tecnologia e talento humano que permite aos nossos clientes serem mais eficientes, crescerem de forma sustentável e tomarem decisões financeiras mais inteligentes.

A transição digital é um tema central para a sua empresa. Quais foram os principais desafios que encontraram ao implementar soluções digitais e de IA na gestão financeira para pequenas empresas e freelancers? E como superaram esses obstáculos?

O maior desafio da transição digital não é a tecnologia, é mudar hábitos. O tecido empresarial português ainda é pouco digital e passar para uma contabilidade em tempo real implica, por exemplo, enviar faturas em formato digital todos os dias, em vez de aparecer de três em três meses com um saco cheio de papéis. No início há alguma resistência, mas quem dá esse passo sente rapidamente a diferença. Temos um cliente, o Sr. Joaquim, com um pequeno negócio de reparação de eletrodomésticos, que costuma dizer: “Foi preciso contratar um cê-éfe-ó para me aumentar o ordenado!”. Com o nosso acompanhamento semanal, em apenas cinco meses passou de um rendimento líquido mensal de 1.100 euros para 1.350 euros. Pequenas mudanças que fazem uma grande diferença na vida real.

Muitos empreendedores ainda sentem dificuldades em aceder a serviços financeiros personalizados e estratégicos. De que forma a Invisible CFO tem ajudado microempresas e freelancers a tomar decisões financeiras mais informadas e a crescer de forma sustentável?

Não há boa gestão sem boa informação. Ter a contabilidade atrasada três ou quatro meses pode servir para cumprir obrigações fiscais, mas não ajuda a gerir um negócio. Sem dados atualizados, as decisões acabam por ser tomadas com base na intuição ou na sorte. Na Invisible CFO damos acesso a informação financeira em tempo real e apoio especializado, o que permite identificar problemas mais cedo e tomar decisões certas no momento certo. Um exemplo simples: um cliente nosso, o Humberto, paga dez mil euros por ano de colégio do filho. Com o nosso apoio, passou a pagar essa despesa pela empresa de forma fiscalmente eficiente. Antes gastava 15 mil euros para ter dez mil euros líquidos; agora gasta dez mil euros e ainda tem um benefício fiscal de quatro mil euros. Só aqui poupa nove mil euros em impostos por ano. Quando apresentamos a Invisible CFO fazem-nos quase sempre a mesma pergunta: “Isso é muito caro, não é?” A resposta é simples: não. Cobramos o mesmo que a empresa já paga ao contabilista e ainda oferecemos três meses de garantia de satisfação ou devolução do dinheiro, sem perguntas.

A Invisible CFO escolheu Portugal como base de operações, com o objetivo de expandir para a União Europeia. Que vantagens encontra no ecossistema português para startups e empresas tecnológicas, e como se posiciona para aproveitar estas oportunidades?

A Europa ainda tem caminho a percorrer para ser tão atrativa para startups tecnológicas como os EUA, e Portugal enfrenta desafios adicionais, como burocracia e dificuldade de acesso a financiamento. Ainda assim, há muitos aspetos positivos no ecossistema português e europeu. A Invisible CFO já beneficiou de 300 mil euros em fundos comunitários e tem contado com o apoio próximo de várias entidades públicas, como o IEFP Algarve, a Unicorn Factory Lisboa e a Câmara Municipal de Monchique. Portugal destaca-se pela capacidade de fazer muito com poucos recursos e, num contexto de grande incerteza internacional, esse espírito criativo e prático torna-se uma vantagem competitiva real. A troca constante de experiências com outras empresas — muitas delas nossos clientes, de setores muito diferentes — também nos inspira e ajuda a gerar novas ideias que aplicamos no nosso próprio negócio.

A empresa enfatiza a sustentabilidade ambiental, a redução de disparidades regionais e a promoção de economias locais. Como estas iniciativas estão a ser aplicadas no dia a dia da Invisible CFO e qual o impacto que têm na comunidade e no meio ambiente?

A sustentabilidade e o impacto local fazem parte do ADN da Invisible CFO. Estamos sediados em Monchique e temos orgulho em trabalhar a partir do interior algarvio. Cerca de 75% da nossa equipa é do Algarve, uma região com muito talento, mas também marcada pelo desemprego e pela sazonalidade. Apostamos em emprego qualificado, com um salário mínimo de 1.500 euros para 35 horas semanais, e em formação contínua. Praticamos preços mais baixos para empresas do interior e apoiamos ativamente a comunidade local — por exemplo, através de um acordo com o Jornal de Monchique, que é a única publicidade paga que fizemos até hoje. A nível ambiental, a contabilidade digital reduz o uso de papel e água, e as reuniões online ajudam a diminuir as emissões de CO₂. Mas o nosso maior impacto está em ajudar as PME a tomar melhores decisões: negócios mais saudáveis criam emprego, pagam melhores salários, exportam mais e ajudam a reduzir as desigualdades regionais, tornando a economia mais forte e resiliente.

O setor financeiro e a gestão de empresas estão em rápida transformação. Como imagina o futuro da gestão financeira digital nos próximos anos, e qual será o papel da Invisible CFO neste cenário?

A gestão das empresas está a mudar rapidamente e queremos estar na linha da frente dessa mudança, democratizando o acesso a serviços de gestão estratégica e financeira digital para as PME. Apesar de só termos começado a aceitar clientes em janeiro deste ano — depois de testarmos o software, o modelo de negócio e a equipa com um grupo piloto — estamos a crescer rapidamente. Trabalhamos tanto com pequenos negócios como com empresas que faturam mais de 100 milhões de euros por ano. O setor da contabilidade vai continuar a transformar-se e a concentrar-se, e muitos pequenos escritórios vão ser comprados ou desaparecer. A Invisible CFO responde a esse desafio através da integração de escritórios de contabilidade, melhorando significativamente o serviço aos clientes, formando as equipas para a nova realidade digital e garantindo a manutenção dos postos de trabalho. O nosso objetivo é crescer de forma sustentável, criando mais valor para clientes, colaboradores e para o setor como um todo.