A habitação modular como solução permanente

Sónia Rodrigues, CEO da MSRI, destaca que a construção modular reduz prazos, controla custos, assegura qualidade e permite personalização total. Contrariando a ideia ainda existente de que se trata de uma solução provisória ou de menor valor, sublinha a importância de um maior reconhecimento institucional e técnico do setor em Portugal.

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Como conciliam a habitação permanente com o alojamento turístico? E qual é a vossa prioridade entre estas duas vertentes?
No modelo da MSRI, essa distinção está bem definida. A habitação permanente é uma prioridade clara, não só pela urgência social que representa, mas também pela forma responsável como deve ser planeada e executada. No entanto, segue uma linha cronológica mais exigente, dependente de processos completos de licenciamento e da aprovação prévia dos projetos.

Já no alojamento turístico, na maioria dos casos, os projetos chegam até nós já licenciados ou com aprovação prévia, permitindo um arranque mais rápido da produção e execução.

Assim, atuamos em ambos os segmentos de forma complementar, ajustando processos à maturidade de cada projeto, sempre com rigor, qualidade e controlo. A habitação permanente responde a uma necessidade estrutural do país; o alojamento turístico enquadra‑se numa lógica de investimento mais ágil de execução.

Quais são as diferenças entre a construção modular e tradicional? Ainda existe resistência do mercado em reconhecer a vantagem do modular?
As diferenças destacam-se ao nível dos prazos, custos e qualidade final.

Na construção modular, grande parte do processo é realizado em ambiente de fábrica, reduzindo significativamente os tempos de execução, eliminando a dependência das condições climatéricas e garantindo um planeamento rigoroso. Em muitos casos, os prazos são mais curtos do que na construção tradicional. Os custos são mais controlados, com o orçamento definido e estável até ao final do projeto, evitando derrapagens e custos inesperados. Ao nível da qualidade, o ambiente controlado de produção assegura maior precisão, consistência e controlo técnico.

A resistência do mercado ainda existente resulta sobretudo de perceções antigas que não acompanham a evolução tecnológica e construtiva do setor.

O que oferecem aos jovens casais para justificar a escolha da habitação modular?
O nosso objetivo é que a habitação modular seja a primeira escolha dos jovens casais, sobretudo na primeira habitação. Na construção tradicional, é comum que o orçamento disponível permita adquirir a casa, mas não o seu uso imediato: recheio, climatização, eletrodomésticos ficam para depois, e a personalização fica limitada por constrangimentos financeiros.

Na MSRI, isso não acontece, oferecemos uma solução totalmente fechada e chave na mão, pensada desde o início para permitir que o casal entre numa casa pronta a habitar, sem necessidade de um segundo crédito ou de investimentos adicionais após a entrega. Além disso, o tempo de construção é menor e os custos são mais controlados, uma vez que toda a produção é feita em fábrica. Na MSRI, garantimos o mesmo preço até ao final do projeto, sem surpresas.

Ainda existe a perceção de que uma casa modular é provisória, menos sólida ou com menor valor patrimonial. Como desconstruem essa ideia?
Essa perceção já não corresponde à realidade. As casas MSRI são habitações permanentes, licenciáveis e construídas com os mesmos requisitos técnicos da construção tradicional, cumprindo integralmente as normas legais e construtivas. O valor de um imóvel depende da qualidade construtiva, durabilidade, eficiência e procura do mercado, não do método de construção.

Até que ponto é possível personalizar sem perder eficiência industrial nem encarecer o produto?
Na MSRI, o equilíbrio entre personalização e eficiência é garantido antes de iniciar qualquer construção. Todo o projeto é pensado e definido, com um orçamento claro ou um limite previamente alinhado com o cliente. A partir daí, criamos soluções totalmente à medida dentro desse enquadramento.

Esta preparação antecipada permite personalizar sem encarecer nem perder eficiência industrial, evitando alterações a meio do processo. A personalização é um elemento diferenciador — não é o mais rentável em fábrica, mas é aquilo que nos distingue. Nada é standard ou importado. Tudo é produzido nas nossas instalações e pensado em conjunto com o cliente.

O que falta para o reconhecimento pleno do modular em Portugal e qual é o papel da MSRI?
Falta evolução na perceção e no enquadramento institucional. O modelar ainda é avaliado com critérios de modelos tradicionais, apesar de ser um método diferente. Para que seja reconhecida como uma solução habitacional permanente, segura e valorizável, é necessária maior normalização técnica, clareza regulatória e atualização cultural.

A MSRI quer ter um papel ativo nessa mudança, demonstrando pelo exemplo que o modular cumpre todos os requisitos legais, técnicos e patrimoniais, oferecendo qualidade, previsibilidade e qualidade de vida. Mais do que uma alternativa, é parte essencial do futuro da habitação.