Na sequência de um protocolo entre a Ordem dos Advogados e a Autoridade para as Condições do Trabalho, Sandra Moura acompanhou processos de contraordenação laboral e percebeu que os incumprimentos resultavam da falta de conhecimento da legislação. “As minhas duas paixões, o Direito e a Gestão de Recursos Humanos, começaram a cruzar-se numa perspetiva de prevenção, aconselhamento e apoio às organizações. Foi aí que percebi que podia ajudar as empresas”, recorda.
Dessa convicção nasceu, em 2007, a Laboral-Gest, dedicada à gestão laboral de micro, pequenas e médias empresas. Mais tarde fundou a RH Premium Consultores, especializada em auditorias, certificação e projetos do Portugal 2030, assumindo uma visão baseada na proximidade, confiança e criação de soluções adaptadas às necessidades de cada organização. “O nosso objetivo é sermos um verdadeiro parceiro das empresas”.
Uma rede de apoio às mulheres
A pandemia deu origem a outro projeto marcante. Percebeu que muitas mulheres empresárias enfrentavam os desafios da gestão praticamente sozinhas. Foi dessa realidade que nasceu a AMERC – Associação das Mulheres Empresárias da Região Centro. “A associação não surgiu por uma questão de feminismo, mas pela necessidade de criar um espaço de apoio e capacitação”, explica.
Em menos de dois anos, a associação já reuniu mais de 120 associadas e passou a disponibilizar apoio jurídico e contabilístico, ações de formação e iniciativas dedicadas à liderança, comunicação, gestão e saúde mental. Mais do que uma associação, tornou-se uma rede de partilha e entreajuda. “Queremos lembrar-lhes que não precisam de ser perfeitas. Antes de tudo, são mulheres, com emoções, dificuldades e fragilidades, e não têm de enfrentar tudo sozinhas”, destaca.
“Queremos lembrar-lhes que não precisam de ser perfeitas. Antes de tudo, são mulheres, com emoções, dificuldades e fragilidades, e não têm de enfrentar tudo sozinhas”
O peso de provar mais
Embora nunca se tenha sentido discriminada diretamente, reconhece que o caminho foi mais exigente por ser mulher. Nos primeiros anos percorreu milhares de quilómetros para conquistar clientes e afirmar a sua credibilidade. “Enquanto mulher, senti que tinha de fazer um esforço acrescido para afirmar a minha credibilidade”, relata.
Ainda assim, considera que o maior desafio continua a ser a conciliação entre a vida profissional e familiar. “Muitas vezes somos nós próprias que impomos níveis de exigência impossíveis, tentando ser excelentes profissionais, mães, esposas e gestoras ao mesmo tempo, esquecendo-nos completamente de cuidar de nós”, admite.
Liderar é criar oportunidades
Apesar dos desafios, acredita que as novas gerações encaram a igualdade de oportunidades e a partilha das responsabilidades familiares de forma diferente. As empresas valorizam cada vez mais o mérito, competências e soft skills, independentemente do género, acreditando que os Planos de Avaliação das Diferenças Remuneratórias demonstram uma evolução positiva. “Espero que se continue a criar condições para facilitar o acesso das mulheres ao tecido empresarial e que estas tenham mais oportunidades de assumir funções de liderança e responsabilidade”.
“Espero que se continue a criar condições para facilitar o acesso das mulheres ao tecido empresarial e que estas tenham mais oportunidades de assumir funções de liderança e responsabilidade”
Com uma longa carreira profissional, deixa uma mensagem às mulheres: “Não desistam dos vossos sonhos apenas porque o caminho parece difícil. Persistir, procurar apoio e não abdicar dos nossos objetivos é o maior exemplo que podemos dar aos nossos filhos. É através da perseverança, da resiliência e da determinação que mostramos que vale a pena lutar pelos nossos sonhos”, conclui.










