Quando comecei a Get to Work, há dez anos, sabia que entrava num setor que não foi construído, literalmente, a pensar em mim. A construção civil em Portugal é, ainda hoje, um mundo maioritariamente masculino, com linguagem masculina, redes masculinas e uma cultura que tarda a mudar. Entrei assim mesmo, mulher, com um projeto claro, uma visão definida e uma convicção maior do que os obstáculos que sabia que viriam.
Neste ano em que celebramos 51 anos do 25 de Abril, é impossível não fazer a ligação. As conquistas desse dia foram reais e transformadoras. Mas a igualdade plena ainda é um projeto em construção. Em Portugal, os homens continuam a ganhar, em média, 16% mais do que as mulheres. No setor da construção, essa diferença sente-se de forma ainda mais visceral, nas salas de reunião, nas obras, nas redes de contacto.
A Get to Work nasceu com uma premissa diferente. Especializámo-nos em LSF (Light Steel Framing), uma metodologia de construção a seco, mais rápida, mais eficiente, com menor desperdício e menor impacto ambiental. Mas o que nos distingue não é apenas a técnica. É a filosofia que a atravessa e que é também o fio condutor de tudo o que faço, construir espaços e organizações para pessoas reais, num planeta que não pode continuar a ser tratado como recurso infinito.

É essa visão que alimenta os projetos mais inovadores que estamos atualmente a desenvolver na Get to Work:
1. Construção Autossustentável: edifícios concebidos com recurso a energias verdes, reaproveitamento de águas pluviais e residuais, bioconstrução e biodesign. Espaços que respiram com o ambiente em vez de o consumir.
2. Construção Neurodivergent-Friendly: é ainda mais próximo de mim, um conceito de construção inclusiva com adaptações personalizadas às necessidades de quem habita o espaço, pensado para pessoas com dislexia, PHDA, perturbações sensoriais e outras formas de ser e estar no mundo. Porque um espaço verdadeiramente inclusivo não é aquele que cumpre a norma mínima de acessibilidade, é aquele que foi pensado, desde o início, para quem o vai viver.
Sustentabilidade e inclusão não são conceitos que colamos ao nosso trabalho por tendência, são o fio condutor, o que liga a Get to Work à Design by Nídia Teodoro, o meu projeto de consultoria, mentoria e oratória na área da sustentabilidade humana. Duas marcas, uma visão única: Construir Espaços e Organizações para Pessoas Reais.
A Get to Work está também a expandir a sua presença para o centro do país, levando a novas comunidades e territórios a abordagem em que acreditamos que construir melhor é, acima de tudo, construir a pensar nas pessoas.
É também a partir desta visão que nascem duas rubricas que em breve partilharei regularmente: “A Mulher das Eco-Obras”, onde falo de construção consciente, inovação no setor e o que significa liderar diferente numa industria que ainda se está a reinventar; e “A Mulher das Eco-Vidas”, onde exploro sustentabilidade humana, liderança consciente, life design, inclusão e a arte de construir uma vida com sentido.
Liderar este projeto enquanto mulher, mãe de quatro filhos e gestora de uma empresa com dez anos de história, trouxe-me desafios que não estavam no plano de negócios, mas trouxe-me também uma perspetiva que considero uma vantagem real, a capacidade de olhar para a construção a partir das pessoas, e não apenas das estruturas.
Cinquenta e um anos depois do 25 de Abril, a liberdade existe. A igualdade ainda se constrói e eu já estou a trabalhar nisso, uma eco-obra de cada vez.










