A Pet’s Dream: para animais que fazem parte da família

A Pet’s Dream nasceu da convicção forte de que os animais não precisam de estar sob stress quando vão ao veterinário. A solução encontrada para corrigir esta questão, por parte de Miguel Gaspar e Filipa Araújo, ele sócio-gerente e ela sócia da empresa e diretora clínica do Centro de Atendimento Médico Veterinário (CAMV), foi criar um espaço que responde a todas as vertentes do bem-estar animal, física e emocionalmente. N´A Pet’s Dream, a maioria dos animais que entra não quer sair. O conceito abrange treino, daycare e medicina veterinária – com a Fisioterapia animal a surgir já este ano – pelo que o crescimento da empresa tem sido exponencial, alicerçado pela cada vez maior quantidade de pessoas que tratam os seus animais de estimação como membros da família.

0
501

Miguel Gaspar e Filipa Araújo são apaixonados por animais e, apesar de a sua vida académica ter começado por áreas distintas, ambos acabaram por seguir Medicina Veterinária. Em 2012, quando analisavam o facto de os animais chegarem sempre stressados às consultas, particularmente os cães, surgiu a ideia de encontrar uma solução para essa questão: “Eu tinha acabado de sair do Exército e estava na faculdade, a estudar Medicina Veterinária, quando conheci a Filipa, que também estava no mesmo curso. Acontece que, como éramos mais velhos do que a maioria dos nossos colegas – eu já era formado em Cardiopneumologia e a Filipa em Biologia – decidimos arranjar alguma forma de garantir trabalho, quando terminássemos os cursos e começámos, assim, a oferecer treinos para cães e dogwalking. Através disso rapidamente percebemos que, conseguindo ganhar a confiança do cão, poderíamos trabalhar com ele, mesmo no que respeita aos momentos de consulta veterinária, não utilizando nenhuma contenção – como um açaime, por exemplo. O nosso objetivo final era, pois, conseguir que, quando terminássemos o curso, tivéssemos já alguns clientes com quem trabalhar”, começa por contar o sócio-gerente da A Pet’s Dream.

Fenrir, Embaixador d’A Pet’s Dream

O momento chegaria em 2016, quando Filipa Araújo terminou o curso de Medicina Veterinária: “Já tínhamos um espaço que iríamos utilizar como consultório veterinário e o mesmo iria começar a funcionar quando a Filipa acabasse o curso, o que aconteceu em junho desse ano. Todavia, quando o consultório deveria começar a funcionar naquele espaço – em outubro – percebemos que simplesmente não seria possível exercer Medicina Veterinária num espaço de 80 metros quadrados, que já contava com mais de 10 animais em daycare – serviço que começámos a oferecer em 2015, juntamente com o treino canino”. Este serviço de daycare surgiu por necessidade dos donos dos animais que frequentavam os treinos de Miguel Gaspar, que demonstravam sempre alguma dificuldade para chegar a tempo ao treino, depois do trabalho, pois ainda tinham de ir buscar o seu animal de estimação a casa. Além disso, Miguel Gaspar era, nessa época, dono de Zeus, um labrador nascido em 2007 que desenvolveu uma queratoconjuntivite seca bilateral, que o obrigava a estar em espaços fechados ou a recorrer a lágrimas artificiais, para as deslocações exteriores. O daycare era, pois, um serviço à sua medida.

A Pet’s Dream – um espaço para quem os cães são um membro da família

Foi no momento em que o primeiro espaço destinado ao consultório veterinário deixou de ser suficiente para todos os animais com quem Miguel Gaspar e Filipa Araújo já trabalhavam que nasceu A Pet’s Dream: “Neste segundo espaço, já tínhamos espaço para ter todos os animais e aumentar estes serviços e acabámos por acrescentar a Medicina Veterinária, enquanto serviço ao domicílio, à nossa oferta, bem como banhos e tosquias”. Pouco tempo depois, o sucesso dos serviços oferecidos obrigou novamente a A Pet’s Dream a trocar de espaço, desta feita para um com mil metros quadrados – onde se encontra atualmente – e foi nesse momento que foi possível acrescentar aos serviços do espaço o Centro de Atendimento Médico Veterinário (CAMV): “Este crescimento aconteceu em 2019 e, como se pode perceber pelos anos de existência da empresa, o nosso crescimento tem sido muito rápido, porém ele tem acontecido sem qualquer salto ou antecipação. Este crescimento é sustentado nas necessidades que os nossos animais vão tendo e que nós vamos tentando suprimir. O desenvolvimento da empresa vem da resposta à pergunta ‘o que é que os nossos cães precisam?’”, explica o sócio-gerente.

Filipa Araújo, sócia e diretora clínica do CAMV

Filipa Araújo nasceu em julho de 1985 e desde criança que queria ser veterinária. Licenciou-se, inicialmente, em Biologia, em 2008, mas concluiu o mestrado integrado em Medicina Veterinária em 2016,no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, pouco antes de a Pet’s Dream ter tido início.

Em 2020, num ano de pandemia, a A Pet’s Dream foi obrigada a fechar portas, mantendo apenas os serviços destinados aos cães de profissionais de saúde ou outros profissionais que atuavam na linha da frente, com Miguel Gaspar encarregado dessa responsabilidade. Todavia, mesmo contra todas as expectativas, a empresa cresceu: “Em abril do ano passado, considerámos a hipótese de a empresa ter de fechar. Falei com os clientes e disse-lhe que, se eles não fizessem mais compras connosco rapidamente, teríamos de fechar portas. Em troca, oferecemos desde então 10 por cento daquilo que gastam connosco anualmente em crédito para futuros gastos sempre que tenham algum tipo de dificuldade económica. Os clientes corresponderam largamente. É uma troca de serviços, considerando que sabíamos que eles próprios também estavam em dificuldades – muitos deles não tinham problemas financeiros, mas a pandemia veio alterar isso. No entanto, nunca deixámos de prestar aos animais todos os cuidados, facilitando o pagamento a vários tutores. 2020 acabou por ser, até ao momento, o nosso melhor ano”.

Ainda assim, em 2021 a evolução não parou e, no final de junho, a A Pet’s Dream regista muito acima do que estava programado: “Se continuarmos assim, em julho teremos ultrapassado os objetivos que delineámos para este ano. Faturámos tanto este semestre como nos anos de 2017 e 2018”. Mais uma vez, Miguel Gaspar relembra que este crescimento é assente nas necessidades dos animais: “Foi a partir de fevereiro deste ano que adicionámos à nossa oferta de serviços a Hidroterapia para animais, porque surgiu o Fenrir, o malamute da Filipa, foi diagnosticado com Osteocondrite Dissecante (OCD) nos cotovelos, o que nos obrigou a assegurar-lhe o melhor tratamento terapêutico possível após as duas cirurgias”.

Miguel Gaspar, sócio-gerente

Filipa Araújo relembra o processo da criação deste novo serviço n’A Pet’s Dream: “Eu própria tinha sofrido uma mordida de cão e tive de fazer fisioterapia (fevereiro de 2020) para poder voltar a utilizar a mão para trabalhar e recordo-me de que, no momento, me encontrava a fazer uma Especialização nessa mesma área, para tratamento de animais. Percebi, através do meu exemplo, o quanto poderia ajudar os animais. Quando o Fenrir foi diagnosticado com OCD do cotovelo, percebemos que, depois das cirurgias, seria fundamental que ele fizesse fisioterapia e isso é algo que o acompanhará para toda a vida. Assim, em vez de o levarmos a um outro colega, resolvemos investir nós numa passadeira de hidroterapia e acabámos por disponibilizar mais um serviço aos nossos Dreamers – e percebemos que, afinal, muitos donos já tinham sido alertados para a possibilidade de os seus cães necessitarem de fisioterapia e em particular de hidroterapia, mas não tinham ainda iniciado o tratamento. Quando disponibilizámos o serviço, tivemos vários a aderir e o investimento inicial, o maior que fizemos até hoje, já foi ressarcido”.

Miguel Gaspar reforça: “Temos noção que trabalhamos para um nicho de mercado – o nosso público-alvo são aquelas pessoas para quem os cães são, literalmente – membros da família. Muitos veem-nos como filhos e estão dispostos a fazer alguns sacrifícios para garantir que os animais têm tudo o que precisam”. N’A Pet’s Dream, os clientes podem usufruir de três serviços distintos ou de todos eles – treino canino, daycare e CAMV, que agora agregou também o serviço de Fisioterapia e Reabilitação animal: “Nós temos clientes de todos os níveis económicos, desde aqueles que optam por um serviço, apenas, e têm de contabilizar bem os seus gastos, até àqueles que nos disponibilizam o cartão e dizem para gastar o que for necessário. Neste momento, não estamos a aceitar mais nenhum animal no daycare, por exemplo. Só conseguimos dar resposta em quatro meses”.

Miguel Gaspar nasceu em maio de 1983 e sempre adorou animais. Licenciou-se em Cardiopneumologia, em 2005, mas acabou por optar pelo Mestrado Integrado em Medicina Veterinária – primeiro na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e depois no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar

Isto acontece porque o conceito Pet’s Dream é um conceito para a vida. O animal pode chegar à empresa ainda cachorro, para iniciar o treino e a socialização no daycare, onde acaba por permanecer, depois, ao longo da sua vida. É n’A Pet’s Dream que faz as suas consultas veterinárias e é acompanhado diariamente, para se aferir do seu bem-estar. Quando começa a envelhecer, pode agora ter acesso ao serviço de Fisioterapia, que pretende dar maior qualidade de vida aos cães com mais problemas ósseos e musculares: “É por isso que, connosco, os animais estabelecem uma relação de confiança e amizade muito grande”, explica Filipa Araújo. “Há casos em que eles entram aqui ainda cachorros e nós os vemos crescer. Já temos aqui situações em que o primeiro cão que cá esteve, de um determinado dono, já faleceu, mas o cachorro seguinte já veio para cá também”. É também por este motivo que a resposta veterinária d’A Pet’s Dream é, atualmente, exclusiva dos “seus” animais: “Não conseguimos dar resposta para o exterior. Todos os nossos animais ocupam-nos o tempo e, no nosso caso, o veterinário não está apenas presente nas consultas. Nós temos um veterinário em permanência durante o daycare – neste espaço – bem como nos treinos. Se não houver veterinário disponível, não há treino”.

Atualmente, só Filipa Araújo desempenha essas funções, tendo como auxiliar uma enfermeira veterinária que integrou recentemente o projeto A Pet’s Dream. No final do ano, porém, Miguel Gaspar quer fazer a equipa – e o espaço – crescerem: “Teremos de contratar pelo menos mais um veterinário, sendo que já trabalhamos com dois em regime de prestação de serviços, para que a Filipa possa ocupar-se, essencialmente, da área de Fisioterapia e Reabilitação. Além disso, teremos de aumentar o espaço – estamos a negociar já um quarto local para nos estabelecermos – mas vamos manter, pela primeira vez, dois espaços abertos, para conseguirmos dar resposta aos pedidos que nos chegam”.

Bem-estar animal versus antropomorfizar animais

A sociedade atravessa atualmente um momento em que o bem-estar animal está em evidência. Todavia, a preocupação dos donos com os seus animais de estimação e, sobretudo, o conceito de que fazem parte da família, quase ocupando o lugar de filhos, pode levar à antropomorfização dos animais, isto é, tratá-los como se fossem seres humanos. Miguel Gaspar recebe, diariamente, no treino “cães que não sabem ser cães”: “Isso acontece quase todos os dias e, cada vez mais, agora que estamos a sair do confinamento pandémico, nota-se muito cães que não têm qualquer socialização com outros animais da sua espécie. Estão apegados aos humanos, com quem lidam diariamente, que lhes pegam ao colo, que mimam e que não os deixam sujar-se e correr e brincar… Depois, os animais ficam com ansiedade de separação do dono ou agressividade. São os dois problemas com que mais me deparo”. Ainda assim, o sócio-gerente d’A Pet’s Dream alerta para a humanização dos animais noutra vertente: “Já tive donos que trouxeram os cães ao treino de vestido. Outros aparecem com purpurinas no pelo, para o daycare. Não estou a fazer uma crítica direta e incisiva, mas é importante que os donos entendam que o cão deve ter comportamentos caninos. Deixem os cães serem cães”.

“Ir ao veterinário é caro”

Quem tem animais de estimação sabe que o peço de qualquer ato médico veterinário é caro, levando em consideração a comparação com alguns serviços de medicina humana. Embora a regulamentação do setor exista, Miguel Gaspar esclarece que só é assim até determinado ponto e que, para mudar a consciência da população de que ir ao veterinário é caro, é necessário agir em conformidade, legislativamente: “Os serviços veterinários pagam IVA a 23 por cento, de qualquer ato médico que façam – uma consulta, uma vacina que é obrigatória por lei, análises…nós, n’A Pet’s Dream, sabemos que não somos muito acessíveis a pessoas que ganhem, por exemplo o salário mínimo nacional, mas não é porque não queiramos. É porque nos é impossível baixar mais os preços, mantendo a qualidade. Então, temos que nos assumir como serviço premium e super premium… Se o IVA baixasse para seis por cento, por exemplo, já faria uma diferença enorme na vida de todos, inclusivamente dos donos dos animais, pois para valorizar corretamente o bem-estar do seu animal de estimação com a nossa equipa necessita de gastar, atualmente, cerca de 200 euros com ele. É por isso que é preciso muita responsabilidade quando se adota ou se compra a um criador um animal. Ele vai necessitar de consultas veterinárias, vai adoecer, quando for mais velho vai ter problemas de saúde… e isso é caro”.

“As necessidades da empresa nunca vão valer mais do que as dos animais”

“Nós temos espaço e conceito para crescer”, realça Miguel Gaspar, “mas as necessidades da empresa nunca se vão sobrepor às necessidades dos animais. Se tudo correr bem, no final do mês de julho ultrapassaremos o objetivo definido para este ano e temos planos para continuar a evoluir. Além do que já mencionámos, relativamente à contratação de um médico veterinário, no final deste ano, queremos também contratar mais um funcionário já em julho e estamos negociar um novo espaço, ainda que mantenhamos este a funcionar simultaneamente”.

Filipa Araújo relembra que “não há como não crescer”: “Eu gostaria de me dedicar em exclusivo à área da Fisioterapia e Reabilitação animal e, para isso, será necessário um investimento nessa área, com a compra de mais equipamentos – para já, está previsto adquirirmos um laser para reabilitação este trimestre”.

Miguel Gaspar recorda o momento em que teve uma oferta de compra da empresa, por um milhão de euros: “Ficámos tentados, mas não aceitei. E agra, faltam-nos cerca de 100 mil euros para atingirmos esse valor. Encontrámos um público-alvo que é o nosso, identifica-se com o nosso conceito e cada vez mais há pessoas a querer que o seu animal de estimação seja um ‘dreamer’. Esse é o caminho que queremos seguir”.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here