“A procura por espaços comerciais manteve-se”

A Medling é uma agência de mediação imobiliária situada em Albufeira e fundada por Jazelina Pescada que, há mais de 20 anos, trabalha no setor imobiliário. Focada no acompanhamento do cliente, mesmo após a conclusão do negócio, a Medling é um exemplo das empresas que nunca pararam de trabalhar, mesmo aquando do confinamento.

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Jazelina Pescada, diretora

Como se posicionam no mercado, no que respeita à relação com o cliente e a características específicas que distingam a Medling das restantes empresas do setor?

Estou no ramo imobiliário há 20 anos e, ao longo destes anos de trabalho, decidi criar a minha própria marca, porque considerava que existiam algumas lacunas relacionadas com o acompanhamento do cliente, sobretudo. Havia pouca comunicação com o cliente e, logo após a compra do imóvel, não lhe era dado qualquer acompanhamento. Eu não me identificava com isso. Considero que o cliente devia ser acompanhado desde o momento em que ele vem à procura de casa. Devemos conhecer bem as necessidades do cliente, perceber exatamente o que ele procura, quer em relação à localização, à tipologia de casa, se tem filhos ou não, animais de estimação… o objetivo é fazer uma busca que deixe o cliente satisfeito com o resultado. Além disso, o acompanhamento deve continuar, mesmo após a compra do imóvel. Temos pessoas que têm dificuldades para questões como decorar a casa ou fazer alguma manutenção ou alteração no imóvel e devem poder contar connosco. Por isso, também resolvi trabalhar essencialmente clientes da classe média-alta, para assegurar um serviço completo.

Tendo em conta a pandemia, que alterações notaram no que respeita ao mercado – internacional e interno – bem como à localização e tipologia da habitação procurada?

Pelo lado da procura, a pandemia trouxe uma grande alteração ao mercado, mas ele não estagnou. As pessoas continuaram a procurar por imóveis, quer de habitação, quer de comércio, pois muitos decidiram abrir o seu próprio negócio. A partir do verão, a confiança voltou e, inclusivamente, houve transação de imóveis. O comércio foi, aliás, uma das principais vendas e arrendamentos. No que respeita ao mercado internacional, houve o fecho das fronteiras e verificou-se alguma dificuldade em circular. Ultrapassámos isso através de procurações e com a ajuda de advogados – nós temos uma equipa de advogados com quem trabalhamos e estas situações não são novas para nós. Agora, foram apenas mais frequentes.

Aquando do confinamento, como é que lidaram com este distanciamento, sobretudo tendo em conta a vossa filosofia de relacionamento com o cliente?

Encarámos facilmente toda a situação. Foi uma questão de nos organizarmos e, de toda a forma, os consultores já trabalham a partir de casa quando não estão no escritório. A parte administrativa é que passou a ser feita a partir de casa, algo que antes não acontecia, mas funcionou muito bem, porque temos tudo digitalizado. Os clientes também compreenderam muito bem a situação. Ainda assim, conseguimos algumas angariações e, inclusivamente, visitas, tendo sempre em conta todos os cuidados. Na loja, não temos tantos requisitos como outros setores, por isso aqui apenas tivemos de desinfetar os postos de trabalho e assegurar que tudo estava limpo. Usamos sempre máscara e, como a loja tem salas separadas, a adaptação não foi difícil.

Algumas destas medidas – teletrabalho, videoconferências – serão implementadas de agora em diante no dia a dia da rotina profissional?

Nós praticamente já fazemos teletrabalho, dado que muitos dos consultores o fazem. De facto, a parte administrativa ainda trabalha no escritório, mas temos espaços separados, por isso não oferece perigo. Os consultores fazem um trabalho de prospeção e angariação de imóveis que passa obrigatoriamente por andar na rua e conhecer o mercado, por isso não devemos ter muitas alterações ao nosso modo de funcionamento.

Como caracterizaria o vosso mercado nessa região?

Neste momento, e tendo em conta a situação da pandemia, temos bastante procura. E como frisei, temos muita procura a nível de lojas. Também temos procura de pessoas que querem uma primeira habitação, muitas vezes por parte do cliente nacional, mas a procura internacional também já está presente. Tivemos uma fase mais baixa, mas neste momento temos bastante procura e mantemos as transações.

Se tivesse de salientar algumas questões que falta melhorar no setor em que trabalha, que questões salientaria?

Penso que há muita falta de formação. É necessário que exista mais formação para os consultores, porque é essencial que um profissional destes vá para a rua preparado para lidar com o cliente comprador ou com o cliente vendedor e consiga resolver qualquer situação que possa surgir. Acredito que há situações em que isso não acontece, nomeadamente quando falamos, por exemplo, de consultores freelancers, que desempenham as suas funções por conta própria e não apostam na formação, o que descredibiliza o nosso trabalho, enquanto agência.

Que análise económica faz da chegada de 2021?

Penso que, para o ano, com a vacina, teremos alguma segurança, mesmo no que respeita ao mercado internacional, dado que a circulação poderá voltar a ser mais simples. Parece-me que, no próximo ano, a procura por imóveis continuará a aumentar e teremos o surgimento da situação causada pelo fim das moratórias bancárias, que poderá obrigar muitos proprietários a venderem as suas habitações. Nesse momento, haverá quem identifique uma oportunidade de investimento no mercado e isso poderá ter influência nos números do próximo ano.

www.medling.pt

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