“A recuperação virá em 2022”

Maria Paula Lima fundou a Check In há 22 anos. Foi a primeira agência de viagens a abrir na Parede e foi um sucesso. Especializada em viagens corporate e tailor made, viu o negócio parar aquando da pandemia, mas Maria Paula Lima acredita que o “pior já passou”.

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Maria Paula Lima, manager

Como foi o seu percurso profissional até se tornar manager da Check In?

Quando terminei o secundário e estava prestes a entrar na faculdade, estava muito indecisa sobre que curso iria seguir. Acabei por escolher Turismo, um curso novo na época, que acabou por se tornar uma paixão, particularmente no que respeita às viagens para o exterior do país. Por esse motivo, quando iniciei a minha atividade profissional, optei pela área do outgoing. Comecei por organizar programas de viagens para o estrangeiro e percebi que gostava particularmente da área de corporate. Foi nesta área que construí a maior parte da minha carteira de clientes. Há 22 anos, decidi abrir uma agência própria. Já era mãe e os meus filhos eram pequenos. Queria trabalhar mais perto de casa e avancei para a abertura da Check In, na Parede. Foi a primeira agência de viagens a abrir nesta localidade e foi um sucesso desde o primeiro dia.

Que avaliação faz da evolução da Check In desde a sua criação?

A abertura desta agência foi uma surpresa. As pessoas perceberam que não precisavam de ir a Lisboa, pois tínhamos todo o tipo de viagens e de pacotes disponíveis. Além disso, havia a experiência e a segurança que passávamos. A carteira de clientes cresceu, inclusivamente na área do lazer, pois também organizava esse tipo de viagens para os meus clientes do corporate. Aos poucos, a Check In especializou-se em viagens tailor made – viagens à medida.

Como tem sido lidar com a pandemia, neste setor?

Logo que a pandemia surgiu, os desafios passaram por conseguir repatriar as pessoas que estavam noutros países. Havia ainda que cancelar e reagendar as viagens programadas que não iriam acontecer, devido ao fecho de fronteiras. No fim deste trabalho, chegou a tristeza de não podermos fazer mais nada. O período difícil é o da espera. Neste momento, as viagens estão em suspenso. A questão económica também tem sido complicada, pois a faturação é mínima, mas acabámos por apostar na divulgação de espaços de alojamento local e opções de férias diferenciadas, dentro do país, para nos reinventarmos.

Qual a avaliação que faz dos apoios que o Governo concede a este setor?

Acredito que o setor do Turismo vai conseguir sobreviver e continuar a ajudar o país, mas à custa do esforço dos empresários do setor e suas equipas. O maior problema dos apoios é o tempo que estes demoram a chegar a quem deles precisa. Enquanto o processo se desenrola, temos de assumir pagamentos periódicos de contas fixas e de salários. Pretendíamos apoios a fundo perdido, pois as facilidades em créditos bancários obrigam a maior endividamento.

Enquanto empresária, qual a expectativa para este ano?

As pessoas ainda têm medo de viajar e a oferta disponível está longe de ser a que era. Nós temos reservas, sobretudo de clientes com viagens tailor made que tiveram de as adiar em 2020 e que procuram fazê-las em 2021, mas ainda não é fácil. Contamos que o segundo semestre seja mais animado, com algumas viagens de lua-de-mel e “escapadinhas” pela Europa. O fluxo turístico de pessoas que viajam por lazer só regressará em 2022.

Como lhe parece que o mercado vê as mulheres, sobretudo em posições de liderança?

Ainda existe o estigma de que a mulher, por ter de se ocupar também da família, não pode entregar-se à carreira, como o homem. Eu acredito que, quando há determinação, a mulher tem mesmo vantagem, devido à sua capacidade de gestão e organização. Os cargos de liderança estão ao alcance de mulheres e homens e o que deveria determinar essa escolha deveria ser a qualificação, o desempenho e as provas dadas, e não um estigma.

www.checkin.pt

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