Para Manuel João Oliveira “o IBERFAR é um grupo farmacêutico com uma forte tradição, mas simultaneamente orientado para o futuro, com uma atuação diversificada e internacional”. Atualmente, o portefólio da empresa cobre toda a cadeia de valor: desde a investigação e desenvolvimento de novos produtos, à produção industrial e à distribuição de medicamentos, garantindo elevados padrões de qualidade, segurança e eficácia.
A aposta estratégica na canábis medicinal
Nos últimos anos, o IBERFAR deu um passo estratégico ao apostar na canábis medicinal. “Reuníamos, dentro do próprio grupo, todas as valências necessárias para desenvolver um projeto verdadeiramente integrado na área da canábis medicinal”, explica o diretor. A experiência acumulada em agricultura, desenvolvimento farmacêutico, produção, extração e formulação permitiu implementar um modelo “da semente ao doente, controlando todo o ciclo de vida do produto”. Atualmente, o grupo detém oito Autorizações de Colocação no Mercado (ACM) com produtos disponíveis e está a desenvolver cinco novas formulações, todas destinadas exclusivamente a fins terapêuticos. “Toda a flor que produzimos é destinada à extração, sendo utilizada no desenvolvimento dos nossos próprios produtos ou comercializada sob a forma de extratos para outras empresas do setor”, sublinha.
O IBERFAR tem vindo a desenvolver soluções farmacêuticas inovadoras. As primeiras formulações líquidas de administração oral permitem absorção rápida dos canabinoides, evitando a metabolização inicial pelo fígado e facilitando doses mais baixas para obter efeito terapêutico. Além disso, estão a ser desenvolvidos comprimidos, pomadas, géis e sistemas transdérmicos, pensados para maximizar a eficácia, conforto e adesão dos doentes. “A investigação científica e os dados provenientes de estudos clínicos são fundamentais para ajustar a libertação dos canabinoides, garantir a estabilidade do produto e definir esquemas de dosagem adequados às diferentes indicações terapêuticas”, reforça.
“A investigação científica e os dados provenientes de estudos clínicos são fundamentais para ajustar a libertação dos canabinoides, garantir a estabilidade do produto e definir esquemas de dosagem adequados às diferentes indicações terapêuticas”.
Diferenciação e vantagem competitiva
O que distingue o projeto da IBERFAR de outros na Europa é a experiência centenária e o controlo integral de toda a cadeia produtiva. “Este modelo verdadeiramente integrado permite-nos assegurar a manutenção dos padrões de qualidade ao longo de toda a cadeia de fabrico”, explica. Ensaios clínicos contínuos permitem gerar evidência científica sobre a eficácia dos produtos, estudando novas aplicações terapêuticas, reforçando a diferenciação no mercado.
O impacto na vida dos doentes é outro pilar central do projeto. “Os canabinoides oferecem oportunidades terapêuticas em áreas onde existem lacunas significativas no tratamento, como na esclerose múltipla ou em pacientes oncológicos, melhorando a qualidade de vida, aliviando sintomas e promovendo maior autonomia”, afirma Manuel Oliveira. Apesar de algum ceticismo inicial, tanto na sociedade como na classe médica, a evidência científica crescente e os resultados clínicos têm aumentado a confiança no uso terapêutico da canábis. a relação com médicos e hospitais é estruturada e contínua, combinando contacto proativo da equipa da Ferraz Lynce, ações de formação e divulgação científica, e consultas solicitadas pelos próprios profissionais de saúde.

Portugal como polo de referência e perspetivas futuras
Portugal tem vindo a afirmar-se como polo relevante da canábis medicinal, mas enfrenta desafios regulatórios e estruturais. “O país apresenta, de forma geral, um problema estrutural de eficácia regulamentar que dificulta a implementação de projetos, criando obstáculos desnecessários ao empreendedorismo e à inovação”, aponta. Para ultrapassar estas barreiras, defende maior diálogo entre legisladores e agentes económicos, avaliação rigorosa do impacto das leis e mecanismos de acompanhamento que permitam ajustar políticas ineficazes.
Olhando para o futuro, o grupo mantém uma visão otimista. Portugal, com enquadramento legislativo robusto e clima favorável ao cultivo, tem potencial para se tornar um cluster internacional de referência. “É urgente reduzir a carga burocrática e aproveitar a grande oportunidade de mercado que se abre a nível mundial. A oportunidade nos mercados existe, se aproveitamos ou não depende dos diferentes reguladores”, explica.
Combinando tradição centenária, inovação científica e compromisso com o bem-estar dos doentes, o IBERFAR posiciona-se como protagonista de uma revolução na medicina, transformando a canábis medicinal numa ferramenta terapêutica segura, eficaz e reconhecida internacionalmente.









