A revolução que junta liberdade e segurança no trabalho independente

Sandra Soares transformou a sua experiência como trabalhadora independente numa solução empresarial: a Brain Power. A empresa oferece vínculos contratuais estáveis com direitos completos para profissionais que querem manter autonomia. Em onze anos o grupo integrou mais de 15 mil colaboradores e continua a desafiar tradições laborais, combinando flexibilidade, segurança e inovação.

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A Brain Power nasceu de uma necessidade muito concreta do mercado laboral. Que lacunas identificou no início do projeto e de que forma estas continuam atuais hoje?
A Brain Power nasce depois de eu própria sentir as dificuldades de ser trabalhadora independente, sobretudo a falta de estabilidade, de direitos laborais, de segurança contributiva e de apoio burocrático e fiscal. Esse vazio foi a base para a criação do modelo que hoje caracteriza a empresa.
Essas lacunas continuam muito atuais. Em Portugal, muitos profissionais continuam a trabalhar a recibos verdes, com insegurança financeira, sem benefícios laborais e com grandes dificuldades no acesso a apoios sociais ou crédito. É precisamente nessas áreas que a Brain Power procura intervir, oferecendo um vínculo contratual com direitos completos.

O conceito de transformar trabalhadores independentes em trabalhadores dependentes, mantendo a liberdade profissional, é pioneiro. Quais foram os maiores desafios para implementar este modelo?
O nosso modelo enfrentou, desde o início, muitos desafios, sobretudo ao nível legislativo, cultural e de mentalidade. Empresas e profissionais estavam habituados a modelos tradicionais ou à lógica da economia gig e olharam com algum ceticismo para uma solução híbrida que junta segurança e flexibilidade.
No que concerne a legislação laboral em vigor, a mesma continua a não ser flexível o suficiente para que possamos oferecer soluções mais personalizáveis e adaptadas ao conceito.
Foi um trabalho de pedagogia e de consistência, para mostrar que é possível proteger os profissionais sem lhes retirar autonomia.

Costuma afirmar que a Brain Power é mais do que uma empresa, é uma missão pessoal. Em que momentos essa missão se tornou mais evidente?
Esta missão esteve presente desde o início, porque a Brain Power nasce da minha própria experiência e da vontade de resolver um problema que me tocava diretamente e que afetava muitos outros profissionais.
Um dos momentos mais marcantes foi a transformação do projeto num grupo empresarial, com presença em várias áreas, sempre mantendo o foco na estabilidade e nos direitos dos trabalhadores. Ao fim de 11 anos, termos mais de 15 mil colaboradores que escolhem a Brain Power é algo muito reconfortante, mas também uma enorme responsabilidade.

A estabilidade e os direitos laborais estão no centro da vossa atuação. Considera que o mercado português está preparado para este tipo de soluções híbridas?
O mercado português não estava, inicialmente, preparado para modelos híbridos como o nosso, muito por causa de um enquadramento legal que favorece o vínculo tradicional e não contempla soluções intermédias de forma clara. Cada vez mais, com a passagem dos anos e após covid, notamos que o mercado está mais disponível para encontrar soluções híbridas.

A globalização e a transformação digital têm alterado o mundo do trabalho. Como é que a Brain Power se mantém ágil e relevante?
Mantemo-nos relevantes através de uma adaptação constante e de uma forte aposta na inovação. Toda a informação e relação com os colaboradores é gerida em tempo real, o que nos permite responder rapidamente às necessidades.
Investimos também em tecnologia, como a automação de processos, e em formação condesafios e diferentes cenários de trabalho.

A confiança e a proximidade são valores-chave do grupo. Como se constrói essa relação?
A confiança constrói-se desde o primeiro momento, através de relações próximas, personalizadas e transparentes. Fazemos questão de conhecer bem cada profissional e cada empresa, respondendo às suas necessidades específicas.
Desde sempre, o meu foco foi tratar cada profissional como uma pessoa e não como um número. Essa proximidade é essencial para criar relações de confiança duradouras.

O investimento contínuo na formação da equipa é um dos pilares da Brain Power. Que impacto tem essa aposta?
A formação contínua é fundamental para melhorar o desempenho individual e coletivo. Apostamos no desenvolvimento de competências que permitem aos colaboradores crescer dentro da organização e sentir que existe um verdadeiro percurso profissional.
Este investimento ajuda-nos também a responder melhor às mudanças tecnológicas e às exigências constantes do mercado.

O vosso modelo de integração profissional é composto por várias fases. De que forma responde às diferentes realidades dos profissionais?
O nosso modelo não é “tamanho único”. Gosto de lhe chamar um verdadeiro “fato à medida”. Parte sempre de uma avaliação personalizada, com acompanhamento, formação, contrato estável, apoio administrativo e um plano de carreira ajustado à realidade e aos objetivos de cada profissional. Esta flexibilidade permite que pessoas com em contextos diferentes encontrem um equilíbrio entre segurança e liberdade.

No apoio às empresas, o Grupo Brain Power assume-se como um departamento de recursos humanos externo. Que vantagens oferece face aos modelos tradicionais?
Oferecemos soluções completas de gestão de carreiras e de recursos humanos, libertando as empresas de toda a carga administrativa, fiscal e burocrática. Ao mesmo tempo, garantimos aos profissionais contratos com todos os direitos. Isto permite às empresas focarem-se no seu crescimento, sem terem de gerir contratos, salários ou obrigações legais.

A irreverência e a ousadia fazem parte dos valores da organização. Como influenciam a estratégia do grupo?
A irreverência e a ousadia estão no ADN da Brain Power, porque o nosso modelo é, por si só, disruptivo. Procuramos constantemente soluções fora dos padrões habituais, devidamente enquadrados na legislação em vigor. Esses valores levam-nos a inovar, a testar novas abordagens e a não aceitar respostas pré-definidas para problemas laborais que são complexos e exigem novas formas de pensar.

Olhando para o futuro do trabalho, que mensagem deixaria aos profissionais que sentem insegurança entre liberdade e estabilidade?
A mensagem é simples: é possível ter o melhor dos dois mundos. Juntar segurança, direitos e proteção com liberdade e autonomia profissional. O futuro do trabalho não deve estar preso a um único tipo de contrato. Deve passar por modelos que respeitem a liberdade, sem abdicar dos direitos fundamentais do trabalhador.