Atualmente, são mais de 40 os profissionais de saúde envolvidos na TRANSFORMAR. Quais as especialidades presentes e que mais-valias existem nesta prática integrada da saúde?
Mais do que o número de profissionais de saúde da equipa, importa-nos o número de pessoas às quais conseguimos chegar e o impacto transformador da nossa ação. A nível de prevenção primária e secundária, para além das ações presenciais e online que dinamizamos, produzimos conteúdos nas redes sociais que pretendem fomentar literacia emocional e níveis superiores de autocuidado e higiene psicológica. São já mais de sete mil os seguidores no Instagram da Academia Transformar e 35 mil os seguidores da minha conta profissional. Estamos
neste momento a chegar a cerca de mil pessoas por mês, em acompanhamentos individuais, presencialmente e online. E com as nossas presenças em conferências e parcerias com empresas, conseguimos chegar a centenas de pessoas. Trabalhamos sobretudo com adultos, em todas as esferas da sua vida: pessoal, familiar, parental, conjugal e profissional, assegurando psicoterapia individual, terapia de casal e familiar e coaching psicológico, com abordagens como o EMDR, o IFS ou a Terapia Somática. Com as empresas, fomentamos lideranças
emocionalmente inteligentes, padrões de comunicação eficaz, equipas mais coesas e saudáveis psicologicamente, com todos os benefícios que daí advêm a nível de produtividade e atratibilidade. Criámos também resposta para
crianças, sobretudo a partir dos seis anos, e adolescentes. Asseguramos também consultas de especialidade em Medicina Funcional e Integrativa, Psiquiatria, Nutrição, Terapia da Fala e Medicina Tradicional Chinesa, a par de grupos de Mindfulness e aulas de Meditação e de Yoga.
Os jovens nascidos entre 1997 e 2012 alegam, num estudo da consultora Oliver Wyman, que sofreram de perturbações de saúde mental (65%), sendo que 42% dos inquiridos consideraram os últimos dois anos particularmente difíceis, tendo sofrido de ansiedade, e 39% de depressão. A seu ver, que razões existem para esta geração se deparar com estas dificuldades?
Esta geração, que tem sido apelidada de geração deprimida, cresce em modo de aldeia global, com todas as vantagens e desvantagens que isso acarreta. Maior acessibilidade de informação traz também maior pressão, os ecrãs aproximam, mas também afastam, gerando mais ansiedade social e fenómenos como o fomo e cyberbulling.
Como lidam os jovens (Millenials, Geração Z) com a saúde mental? São mais preocupados com o seu bem-estar psicológico e têm em conta a importância do equilíbrio mental para uma boa saúde?
Temos um paradigma educacional que promove competição e não cooperação e que ignora a importância da educação emocional. A nossa cultura organizacional tem características que acentuam o risco de burnout. Por isso, quando sabemos que 1 em cada 5 portugueses sofre ou já sofreu de uma perturbação mental (Católica
Lisbon Business & Economics, 2022), é natural que, sobretudo os jovens, estejam mais despertos para os temas de sustentabilidade emocional e saúde psicológica.
Quão importante é que se fale de saúde mental, de medicina integrativa e que a sociedade possa aceitar que a saúde mental é algo para ser falado, trabalhado e tido em conta seja no dia a dia de cada um, seja pelas empresas e organizações?
Há 30 anos considerou-se a reciclagem um tema de ambientalistas e hoje é uma prática recorrente. Falta-nos agora atualizar mentalidades e perceber que a saúde mental não é um tema de psicólogos nem de “maluquinhos”. É uma necessidade imperativa da nossa sociedade, para assegurarmos a sustentabilidade individual e comunitária.










