“A tecnologia de ponta não serve só as grandes empresas”

“A transformação digital já não é um tema apenas para as grandes empresas. É também para as pequenas, que muito se podem alavancar em novas tecnologias, e para as pessoas, que cada vez mais dependem da tecnologia.” Este é o mote da genesis.studio, uma empresa de consultoria e soluções digitais para todo o tipo de empresas, fundada por Guido Santos e Ricardo Correia.

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Como avalia o investimento que é feito, por parte das empresas, para esta transformação digital? Existe uma noção real do que é a transformação digital e da sua importância para as empresas?

Existe hoje mais tecnologia disponível do que nunca e a transformação digital está a acelerar. Todos os dias aparecem coisas novas. É muito complicado para as organizações agregar todo o conhecimento necessário para tomar decisões sobre tecnologia, além de que, normalmente, quanto maior a disrupção, maior a resistência. Existe aquilo a que os americanos chamam de analysis paralysis. A este ritmo, só os especialistas conseguem acompanhar e ter uma noção real das dimensões possíveis para a transformação digital a cada momento. As melhores empresas já investem bem e incorporam princípios e mecanismos de gestão do conhecimento e de transformação digital permanente. As maiores oportunidades para transformação digital em Portugal estão hoje onde há menos investimento e variados graus de literacia tecnológica: nas PME. Por um lado, temos start-ups tecnológicas a desenvolver soluções de ponta. Por outro, temos empresas de base industrial e agrícola em que o investimento em modernização e digitalização pode desbloquear cada vez maiores ganhos de eficiência. Parte do nosso trabalho é justamente facilitar a tomada de decisão de investimentos em tecnologia, em negócios de todas as dimensões. Conseguimos simplificar desde a primeira conversa porque já tivemos oportunidade de explorar o que pode ser feito com estas tecnologias com centenas de gestores, engenheiros e técnicos e em negócios de todas as dimensões. Sabemos o que une e o que separa as visões e necessidades das diferentes áreas das organizações e como a tecnologia pode ser aplicada de forma concreta em cada uma delas.

Dentro das tecnologias com que a genesis.studio trabalha, o RPA é uma das áreas com maior desenvolvimento. Quais os setores de atividade em que soluções baseadas em RPA podem ser aplicadas e como se posiciona a genesis.studio nesta área, junto dos clientes?

O RPA é uma tecnologia que já se estabeleceu nas grandes empresas e começa a fazer o seu caminho para organizações de menor dimensão, particularmente empresas de base industrial e agrícola, PME’s e start-ups bem capitalizadas. Tem um âmbito muito vasto de aplicações: um robô digital pode automatizar tarefas de gestão da informação, da aquisição, processamento, transformação e correlação ao reporte. Estamos a trabalhar com empresas da indústria e do retalho que estão a usar RPA para automatizar processos com fornecedores: emissão de RFP’s, validação de propostas de fornecedores recebidas, emissão de PO’s, receção e pagamento, atualização de stocks, etc. Todos os processos humanos repetitivos e que obedecem a regras predefinidas podem ser automatizados e feitos por um robô. Os humanos ficam com mais tempo para lidar com as exceções, casos especiais e com o que realmente importa. A genesis.studio está à distância de uma chamada para ajudar as organizações e as pessoas a perceber onde, concretamente, podem ser aplicadas as tecnologias e soluções com que trabalhamos. Hoje, adotar estas tecnologias de automação mais avançadas já não está apenas ao alcance das grandes empresas. É cada vez mais acessível adotar soluções de RPA e cada vez mais fácil e rápido entender o que pode ser feito.

O primeiro projeto público da genesis.studio em Portugal é a recém-lançada plataforma de monitorização remota de saúde PLANO-A, que combina tecnologias de automação, inteligência artificial e blockchain. Como é que esta solução vai ajudar no combate e recuperação da Covid-19?

Queremos acreditar que o combate à Covid-19 está a chegar ao fim em Portugal, graças à vacinação. No entanto, o consórcio PLANO-A percebeu os constrangimentos que o confinamento trouxe aos serviços de saúde e o potencial de manter uma monitorização remota ativa, não só durante a doença, mas também depois. A plataforma materializa a visão do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), da Escola Superior de Saúde Egas Moniz, da Nova Information Management School e da genesis.studio para o acompanhamento remoto doentes e pessoas recuperadas, agregando dados anónimos de saúde que serão valiosos no futuro, para a deteção de padrões e análise preditiva da evolução da doença em cada pessoa.

Além de Covid-19, a plataforma foca-se na monitorização ativa de doentes com Depressão e Alterações do Sono e doentes crónicos com Insuficiência Cardíaca e Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). Com a monitorização remota ativa e em tempo-real, a plataforma pode reduzir a necessidade de deslocação dos pacientes às unidades de saúde, diminuir a pressão nas unidades locais de saúde, ajudar a melhorar a resposta a situações de urgência ou necessidade de internamento, e uma mais eficiente prestação de serviços de saúde em proximidade (deslocações ao domicílio, apoio à hospitalização domiciliária, etc.).

Quais os principais objetivos a atingir, futuramente, por parte da genesis.studio?

Estamos a trabalhar com algumas das maiores empresas do país e não temos dúvidas que os próximos anos serão férteis em transformação digital e inovação no setor público e privado, começando pela identidade digital – uma área em que somos especialistas. Queremos falar e trabalhar com mais empresas portuguesas de base industrial e agrícola e com mais pequenas empresas de base tecnológica. Existe um enorme potencial de poupança e otimização de operações com a adoção de algumas tecnologias. Podemos contribuir para tornar o tecido empresarial português mais digitalizado e mais competitivo. O PRR está aí para cofinanciar e apoiar as organizações nesta nova jornada e nós estamos à distância de um clique. Em paralelo, vamos continuar a crescer organicamente, ultrapassar os 100 colaboradores no próximo ano e assumir-nos como uma das melhores empresas para trabalhar em Portugal. Continuaremos envolvidos em projetos de transformação digital. consultoria, arquitetura, desenvolvimento, implementação e manutenção de soluções com as tecnologias com que trabalhamos, para clientes e com parceiros na Europa, Estados Unidos e Médio Oriente. Também continuaremos a participar em projetos nacionais e europeus de inovação tecnológica nas áreas da Saúde e identidade digital. Finalmente, queremos que a genesis.studio seja um projeto apelativo para todos os tipos de investidores: VC, Business Angels, crowd e investidores de retalho, e, claro, para os nossos colaboradores. Esperamos concluir uma ronda de investimento até ao final deste ano para cofinanciar o desenvolvimento de um produto estratégico e o desenvolvimento de negócio e as operações a nível internacional.

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