“A tecnologia é crucial na logística do frio”

A FrioRiver é uma empresa que aposta na logística e no transporte de produtos que necessitam de temperaturas negativas para a sua armazenagem e circulação. Criada em 2021, em plena pandemia, teve uma ótima resposta do mercado, de acordo com a diretora-geral do projeto, a engenheira Deborah Barbosa.

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A FrioRiver nasceu este ano, mas pertence a um grupo com mais de 30 anos de mercado. O que vos levou a apostar nesta abertura, num ano ainda incerto economicamente?

Sendo a FrioRiver uma empresa que surgiu da necessidade de adequar a atividade de uma das empresas do Grupo SunRiver, que é o arrendamento de espaços com temperaturas negativas, o Grupo identificou a necessidade de apostar nesta nova área de negócio, tendo em conta também as tendências de mercado, nomeadamente o aumento de consumo de bens congelados e ultracongelados. A decisão de investimento teve início no ano de 2018, antes da situação pandémica, no entanto, logo nos primeiros meses de atividade, chegou-se à conclusão de que tinha sido uma aposta acertada face às respostas do mercado para este tipo de serviço.

Quais os serviços de que dispõem?

Os serviços de que dispomos vão desde a logística de armazenamento de produtos ultracongelados, a temperaturas mínimas de -18ºC, até ao transporte para o cliente final e, em determinados casos, também fazemos serviço de picking e gestão da qualidade.

Considerando a situação pandémica, um dos setores que não parou de funcionar foi o setor da alimentação e, consequentemente, a logística. Quais as vantagens de disponibilizar este serviço integrado de plataforma logística e transportes para o território nacional e internacional?

A vantagem do armazenamento de produtos ultracongelados, em termos logísticos, é garantir que o produto mantém a qualidade e a rastreabilidade desde o momento em que entra na nossa plataforma até à altura em que sai para o cliente final. Diariamente os nossos clientes recebem um report dos stocks. Também podemos fazer a gestão dos stocks através de rúbricas logísticas do cliente, caso ele assim o pretenda, de modo a permitir a integração dos stocks do cliente nos seus respetivos softwares.

A tecnologia 4.0 está, atualmente, em voga no setor da Indústria. Como utiliza a logística do frio esta tecnologia, de forma a assegurar um bom tratamento e conservação dos produtos?

A indústria 4.0 veio para ficar e está cada vez mais presente nesta indústria, pois quando nos referimos a produtos congelados, a monitorização em tempo real para fatores críticos, como as temperaturas e a gestão da rastreabilidade, são fundamentais.

Quais as mais-valias da utilização da tecnologia 4.0 para assegurar a garantia de qualidade dos produtos?

Com a tecnologia 4.0 conseguimos ter acesso a informação à distância de um telemóvel, seja para monitorizar temperaturas, seja para fazer a gestão energética do edifício, ou acompanhar a rastreabilidade dos produtos bem como é possível ter acesso a todo o diário de movimentos dos produtos. Com esses recursos, é possível assegurar um bom tratamento de dados e uma informação de qualidade para o cliente final.

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De que forma contribuem a Inteligência Artificial e a IoT para a gestão do dia a dia desta plataforma?

A inteligência artificial e as tecnologias da informação e comunicação vão contribuir para que a operacionalidade dos processos seja mais célere, de modo que o próprio sistema assegure ao utilizador e ao operador maior autonomia para efetuar os movimentos, através de processos como a pré-sugestão de sistema. De facto, isto na gestão do dia a dia reduz muito tempo de trabalho e, na área da logística, tempo é algo fundamental para se fazer uma boa gestão.

Que análise faz da evolução tecnológica do setor da Logística?

Nos últimos anos têm surgido muitas novas tecnologias adaptadas ao setor da logística, seja a nível físico, com a gestão dos armazéns e dos espaços cada vez mais otimizada, seja a nível de software, que permite uma informação cada vez mais online. A melhoria tecnológica no processo de armazenagem tem como objetivo principal torná-lo mais célere e eficaz, onde a meta é permitir à cadeia de abastecimento ter o produto cada vez mais just-in-time, com o menor tempo de armazenamento e transporte possível.

Quais os problemas que identifica no setor e que precisam de resolução?

Uma das questões que se coloca, no setor da Logística, está relacionada com a sazonalidade em certos períodos, por exemplo, no Verão claramente o parque de frio e os transportes de frio em Portugal são insuficientes, face às necessidades do mercado. Para além disso, com o aumento da logística de frio, verifica-se também que o parque instalado já apresenta alguma idade e vai necessitar de investimento para atualizar e modernizar, além de que há uma pressão cada vez maior para soluções ecologicamente sustentáveis, como a produção energética, a utilização de gases mais eco-friendly para a produção do frio, entre outras. Poderá ser um ponto que requererá muito investimento das empresas que, neste momento, com o aumento geral dos custos na cadeia de abastecimento, vão ser cada vez mais pressionadas sobre como o fazer.

Qual o balanço que faz, até ao momento, desta empresa? E o futuro, por onde passa?

Neste momento, sendo uma empresa jovem, o balanço que fazemos é bastante positivo, com uma equipa que está focada, unida e motivada para fazer crescer a atividade e esperamos que nos próximos tempos a FrioRiver possa ser vista como mais uma referência logística em Portugal, uma alternativa que se configure como eficaz, eficiente e, acima de tudo, com fiabilidade para os nossos clientes.

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