A biomassa assume um papel cada vez mais relevante na transição energética da indústria. Na perspetiva da Energest, onde estão as maiores oportunidades desta fonte de energia e quais são os principais desafios que ainda condicionam a sua adoção em contexto industrial?
Na perspetiva da Energest, devido aos importantes problemas logísticos associados à utilização da biomassa, não é, na indústria transformadora, que estão as maiores oportunidades para esta fonte de energia. Excetuando as indústrias de energia intensiva que se dedicam à transformação da biomassa em produtos derivados, esta deveria ser utilizada em Centrais Termoelétricas estrategicamente localizadas no país, recorrendo obrigatoriamente à biomassa resultante da limpeza e gestão das florestas. Esta é a única forma de dar valor económico a essa limpeza e evitar o grave e habitual problema dos incêndios.
A transição energética na indústria será, assim, feita progressivamente, substituindo os combustíveis fósseis pela eletricidade na produção da energia mais utilizada na indústria transformadora: a energia térmica.
A Energest desenvolve caldeiras de biomassa dimensionadas caso a caso, procurando responder às necessidades de cada cliente. Até que ponto a personalização das soluções é determinante para garantir eficiência energética, competitividade e viabilidade dos projetos?
Em Engenharia, a melhor solução técnica e construtiva resulta, caso a caso, dos dados e particularidades de cada projeto. Se considerarmos o dimensionamento caso a caso uma “personalização” das soluções, podemos afirmar que só dessa forma é possível garantir a eficiência energética, a competitividade e a viabilidade dos projetos.

Um dos desafios da biomassa é conciliar eficiência energética, desempenho operacional e controlo das emissões. Como a engenharia pode responder a este equilíbrio e que avanços tecnológicos considera essenciais?
A Engenharia pode responder a esse desafio procurando melhorar o desempenho operacional através do desenvolvimento de sistemas de preparação da biomassa, que permitam uniformizar a sua dimensão, efetuar a limpeza e reduzir a humidade.
A redução das emissões pode ser conseguida através da utilização de Filtros de Mangas ou Precipitadores Eletrostáticos e monitorização contínua. Deve ainda evoluir-se para a implementação de Sistemas de Captura e Armazenamento de CO₂, através da absorção química com aminas, nos casos em que exista viabilidade económica.
Embora estas últimas medidas impliquem um encargo energético, a eficiência dos sistemas pode ser mantida ou mesmo aumentada através de um melhor desempenho operacional, através de mais horas de disponibilidade anual.
A Energest combina diferentes competências, como engenharia, fabrico, montagem, eletricidade, automação e sistemas de controlo. Que vantagens concretas traz esta abordagem “chave na mão” para uma indústria que procura transformar os seus sistemas energéticos?
A abordagem “chave na mão” em projetos de sistemas energéticos apresenta múltiplas vantagens para a indústria promotora, ao permitir um interlocutor único com conhecimento integrado. Entre as principais vantagens estão a inexistência de falhas de comunicação e conflitos entre especialidades, a garantia integrada do controlo de qualidade, o cumprimento de um cronograma e uma gestão simplificada com maior articulação entre as diferentes áreas.

Que tecnologias ou soluções estão a marcar a evolução da engenharia térmica e em que áreas acredita que veremos as mudanças mais significativas nos próximos anos?
Para além do progressivo recurso à simulação CFD (Computational Fluid Dynamics) na engenharia térmica aplicada a caldeiras de biomassa, a evolução está focada em soluções para ultrapassar os principais problemas associados à combustão da biomassa florestal, nomeadamente a variabilidade da humidade, da composição e a mistura com inertes.
Uma das soluções exploradas passa pela transição das grelhas tradicionais para a combustão em leito fluidizado, que consiste em suspender as partículas de biomassa numa corrente de ar e material inerte, como a areia. esta tecnologia permite uma combustão estável e de elevada eficiência térmica, mesmo com biomassa de tamanho irregular e elevado teor de humidade.
Outra solução passa pela adoção de sistemas híbridos, nos quais a combustão direta da biomassa é substituída pela sua submissão a altas temperaturas, sob condições controladas, para produzir “syngas”, ou gás de síntese, que pode depois ser queimado de forma mais limpa e eficiente em caldeiras industriais concebidas para a queima de Gás Natural.
Olhando para o futuro, que papel pretende a Energest assumir na transformação energética da indústria?
Considerando a sólida experiência no projeto de caldeiras industriais e equipamento térmico para sistemas de recuperação de energia residual, a Energest está idealmente posicionada para acompanhar e crescer com a transição energética global, em qualquer mercado.










