Aprender a escolher o crédito

Olinda Tomé, Contabilista e Intermediária de Crédito na rede XFin, alerta para os riscos de decisões financeiras precipitadas. Com uma abordagem 360º, ensina clientes a interpretar contratos, analisar taxas e compreender o impacto fiscal, promovendo literacia financeira para escolhas mais seguras.

0
229

Apresenta-se como intermediária na área do crédito e contabilista. Como se conjugou o interesse por estas duas áreas?
Sou contabilista desde 2002 e trabalho nesta área com muito gosto e dedicação, mas a profissão é desgastante. Confesso que me sentia muito cansada desta rotina, e sentia a necessidade de trazer para o meu gabinete um dinamismo diferenciador. Como tinha algumas noções sobre o trabalho do intermediário de crédito e me identifiquei bastante com a forma de trabalhar da XFin, percebi que faria todo o sentido ter este serviço na minha carteira. Conjugar as duas áreas foi natural devido às fortes sinergias financeiras: a visão abrangente sobre finanças e fiscalidade, o rigor de análise e a confiança junto dos clientes.

Qual é a vantagem em recorrer a alguém que não seja só intermediário, mas também com formação em contabilidade?
O cliente recebe uma consultoria financeira 360º. Como contabilista, não olho apenas para a prestação mensal, a taxa de juro ou outros componentes do crédito, mas analiso toda a vida financeira do cliente: a taxa de esforço real, impacto fiscal e sustentabilidade da dívida a longo prazo. Tenho uma visão analítica que permite detetar pormenores em balancetes e declarações de IRS que influenciam a decisão bancária, garantindo soluções tecnicamente sólidas e seguras.

Que papel desempenham os intermediários na comparação de soluções e proteção do consumidor?
Os intermediários de crédito são o elo entre a complexidade do sistema bancário e a necessidade do cliente. Funcionam como um agregador de mercado, poupando tempo e evitando erros de interpretação, comparando spreads, comissões e seguros de várias instituições. Além disso, traduzem indicadores complexos como a TAEG ou o MTIC para que a comparação seja feita com base no custo real e total do crédito. Na proteção do consumidor, a atividade é regulada pelo Banco de Portugal (ao abrigo do Decreto-Lei n.º 81-C/2017), destacando-se os deveres de imparcialidade e lealdade, priorizando o interesse do consumidor, garantindo transparência e adequação ao perfil do cliente.

A literacia financeira continua a ser um problema no acesso ao crédito?
Sim, muitos clientes ainda confundem conceitos básicos ou focam-se apenas na prestação mensal, tornando o acesso ao crédito mais arriscado. O meu papel é educar o cliente durante o processo, para que tome decisões conscientes e informadas, mitigando o risco de incumprimento. A educação financeira deve abranger toda a família, não só as crianças, para que os resultados do trabalho desenvolvido sejam mais consistentes e duradouros.

Para 2026, que cuidados devem ter os particulares que ponderam recorrer ao crédito?
É essencial a prudência num cenário pós-volatilidade e atenção às taxas mistas/fixas. Em 2026 o cenário exige uma prudência estratégica e o meu conselho principal é a constituição de uma almofada financeira, analisar todas as componentes do contrato e privilegiar a previsibilidade o quanto possível. Mais importante que o “spread” é importante avaliar o MTIC e a flexibilidade do crédito perante mudanças pessoais ou económicas.