Arquitetura integrada e pensada para o futuro

Para Luís Moreira, a Arquitetura deve unir criatividade, Engenharia e Construção numa visão integrada, capaz de responder aos desafios da reabilitação urbana, sustentabilidade e às novas necessidades habitacionais.

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De que forma a sua abordagem integrada, que gere arquitetura, engenharia e construção numa só equipa, beneficia o cliente?
O cliente ganha maior coerência e controlo de todo o processo. A comunicação contínua entre as áreas permite antecipar problemas, alinhar decisões técnicas e garantir a viabilidade da obra. Na prática, há uma gestão mais eficiente de prazos, custos e decisões, reduzindo incompatibilidades entre projeto e execução e assegurando maior fidelidade ao conceito inicial. O atelier trabalha projetos de diferentes escalas.

O que aprendem num projeto de grande dimensão que depois aplicam num projeto mais íntimo?
Projetos de maior dimensão, como o Meneres 777, Riveer Prestige Village ou Inside Park, exigem planeamento, coordenação de equipas multidisciplinares, gestão de prazos e uma leitura urbana mais ampla. Já os projetos mais íntimos, como a Casa da Fonteita ou a Casa Paredes, exigem maior proximidade ao cliente e atenção ao detalhe, porque cada decisão influencia diretamente o quotidiano de quem vai habitar o espaço. No atelier existe uma transferência constante entre estas realidades: a organização adquirida em projetos maiores torna os pequenos mais eficientes, enquanto a atenção ao detalhe e à experiência humana valoriza os de maior escala. Em qualquer caso, procuramos criar uma imagem forte e reconhecível, valorizando o investimento de clientes e parceiros.

Meneres 777

Considerando a sua tese de Mestrado de 2011, a sua abordagem ao edificado existente conti nua a influenciar o seu trabalho atual?
Sim, o Mestrado reforçou a importância de compreender o contexto histórico e urbano dos edifícios existentes. Reabilitar exige uma leitura cuidada da cidade, das suas tipologias e da identidade dos lugares. Intervir no património não é só preservar: é adaptar os edifícios às necessidades atuais, garantindo conforto, eficiência energética e qualidade de vida.

A minha tese Living (Re)volution procurava soluções habitacionais adaptáveis às diferentes fases da vida. O objetivo mantém-se: equilibrar o respeito pelo existente com respostas às exigências do presente.

O que está efetivamente a mudar no perfil dos clientes e na forma como o mercado olha para a arquitetura de qualidade?
Hoje existe uma maior consciência da importância do projeto como ferramenta para garantir qualidade, controlar custos e valorizar o investimento imobiliário. Temas como eficiência energética, sustentabilidade e durabilidade dos materiais passaram a estar mais presentes desde o início das conversas com os clientes.

Ao mesmo tempo, a crise habitacional e a pressão sobre os centros urbanos trouxeram novas exigências ao mercado, obrigando a encontrar soluções que conciliem densidade, qualidade arquitetónica e sustentabilidade. Nesse contexto, a arquitetura deixou de ser vista apenas como um exercício estético e passou a assumir um papel estratégico no desempenho dos edifícios e na forma como pensamos as cidades e o futuro da habitação.