Burnout parental nas férias: A importância da Intervenção Terapêutica

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As férias escolares, geralmente associadas a períodos de descanso e lazer, podem tornar-se um período de grande exigência para muitas famílias portuguesas. A gestão da rotina sem o apoio escolar, a pressão para entreter as crianças e a ausência de tempo para si contribuem para o aumento do burnout parental – um fenómeno cada vez mais presente em Portugal. Estudos indicam que 3% a 4% dos pais portugueses apresentam sintomas de burnout parental, enquanto 15% estão em risco elevado. Desde a pandemia, fatores como o teletrabalho, confinamentos e sobrecarga mental, agravaram a situação, tornando difícil distinguir “tempo de qualidade com os filhos” de “dar
conta de tudo”, o que gera desgaste. Esta condição não afeta apenas o bem-estar dos pais, podendo também comprometer a qualidade da relação com os filhos e impactar negativamente o seu desenvolvimento emocional e comportamental.
Diferente do cansaço habitual, o burnout parental é um esgotamento físico e emocional prolongado. Manifesta-se por irritabilidade, distanciamento afetivo, falta de paciência e sentimento de falha constante, podendo evoluir para quadros de ansiedade, depressão ou conflitos relacionais.
Como terapeuta integrativa, observo que, antes do papel de mãe ou pai, existe um indivíduo com história, necessidades e limites próprios. A abordagem que pratico vai além da palavra: embora inclua escuta e acolhimento, centra-se nos processos inconscientes e na expressão corporal. Este trabalho permite desbloquear emoções reprimidas e padrões ocultos que moldam os relacionamentos, promovendo vínculos familiares mais saudáveis e conscientes. É essencial desconstruir a ideia do “pai ou mãe perfeitos”. A autoexigência constante, sem espaço para falhar, gera sentimentos de culpa – sobretudo pelo receio de que o próprio estado emocional prejudique o desenvolvimento dos filhos.
Além do acompanhamento terapêutico, é fundamental fortalecer redes de apoio e criar espaços para o autocuidado: descanso, atividade física e momentos pessoais devem ser parte integrante da rotina. São estratégias simples, mas cruciais para reduzir a sobrecarga e restaurar o equilíbrio emocional. O processo terapêutico permite reestruturar internamente cada individuo, dissolver padrões nocivos e cultivar a autocompaixão. Quando os pais se sentem cuidados, a parentalidade torna-se mais presente, leve e autêntica.
Pais emocionalmente saudáveis criam filhos mais seguros – cuidar de quem cuida é um compromisso com a saúde emocional das famílias – e com o futuro da sociedade.