A Brain Power é pioneira num modelo que ajuda a desenvolver e a gerir as carreiras de Consultoria Comercial. Como funciona o vosso modelo? Em que se baseia?
O nosso modelo tem como base o outsourcing, mas numa perspetiva inovadora e humanizada. Ao contrário do que é habitual no setor, não recorremos a recibos verdes e oferecemos contratos de trabalho, estabilidade e condições que permitem às pessoas construir uma carreira sólida. Acreditamos que o verdadeiro valor está em tratar os nossos consultores como pessoas e não apenas como recursos. Por isso, criamos percursos de progressão com formação contínua, acompanhamento próximo e atividades de integração e team building que reforçam o sentimento de pertença.
Este modelo permite aliar a flexibilidade do outsourcing a um compromisso real com a proteção e desenvolvimento de cada profissional. No fundo, procuramos transformar a consultoria comercial numa carreira estruturada, em que
o crescimento individual se traduz também no crescimento da Brain Power.
Quais as vantagens claras para os profissionais que trabalham convosco em aderir a este modelo?
Os profissionais que integram o nosso modelo beneficiam de um conjunto de vantagens que trazem maior proteção e estabilidade à sua carreira. Para além de terem um contrato de trabalho com todos os direitos associados, disponibilizamos formação contínua e adequada às suas funções, bem como seguro de acidentes de trabalho. Existem ainda benefícios muito concretos: maior proteção legal, direito a subsídio de desemprego, estabilidade na carreira contributiva e maior facilidade no acesso a crédito ou financiamentos.
Acresce o apoio burocrático e fiscal que prestamos, permitindo que os profissionais se concentrem no que realmente importa — o seu desempenho e evolução profissional. Em resumo, oferecemos condições que asseguram mais liquidez, mais segurança e mais perspetivas de crescimento a longo prazo.
“Os recibos verdes continuam a ser amplamente utilizados em Portugal, inclusive em setores onde se esperaria maior estabilidade. Isso demonstra que ainda há um longo caminho a percorrer para garantir condições mais justas e equilibradas para todos os profissionais”.

E para as empresas que contratam estes profissionais, quais as vantagens de o fazerem através da Brain Power?
As empresas que recorrem à Brain Power têm acesso a profissionais motivados, qualificados e com um elevado grau de fidelização. Isto significa equipas mais estáveis, com menor rotatividade e uma integração mais rápida nos projetos. O nosso acompanhamento contínuo e a aposta em formação garantem que os consultores chegam ao mercado com competências atualizadas e preparados para responder aos desafios de cada cliente.
Ao mesmo tempo, o investimento que fazemos na motivação e no bem-estar das pessoas traduz-se em maior dedicação e resultados consistentes. Desta forma, conseguimos oferecer às empresas um parceiro de confiança, que
disponibiliza talento preparado e dedicado, ao mesmo tempo que simplifica todo o processo administrativo e de gestão.
O número de trabalhadores independentes tem vindo a crescer em Portugal. A que lhe parece que tal se deve?
Este crescimento reflete uma nova cultura de trabalho. Cada vez mais pessoas procuram flexibilidade e autonomia na forma como gerem as suas carreiras, deixando de encarar o vínculo laboral para a vida como a única opção. Há uma valorização crescente da liberdade de escolha, da possibilidade de experimentar diferentes projetos e de equilibrar a vida pessoal com a vida profissional. Esta tendência está alinhada com aquilo que acontece noutros mercados internacionais e mostra que o trabalho independente deixou de ser visto como um recurso temporário,
passando a ser uma escolha consciente de muitos profissionais.
Como avalia as condições atualmente em vigor, a nível burocrático e legislativo, para estes profissionais?
Atualmente, as condições em vigor ainda não acompanham a realidade do mercado. A legislação e a burocracia foram pensadas para um modelo laboral do passado, demasiado rígido, e que não contempla devidamente as
especificidades de quem trabalha de forma independente.
Na prática, isso significa que muitos destes profissionais enfrentam obstáculos no acesso a direitos básicos, lidam com processos administrativos complexos e veem pouca justiça na forma como são tributados. Esta falta de adaptação cria instabilidade e desencoraja quem poderia contribuir de forma mais ativa para a economia através do trabalho independente.
É fundamental atualizar o enquadramento legal e fiscal, tornando-o mais flexível, inclusivo e capaz de oferecer maior proteção a todos os profissionais, independentemente da forma como escolhem desenvolver a sua carreira.
“Cada vez mais pessoas procuram flexibilidade e autonomia na forma como gerem as suas carreiras, deixando de encarar o vínculo laboral para a vida como a única opção. Há uma valorização crescente da liberdade de escolha, da possibilidade de experimentar diferentes projetos e de equilibrar a vida pessoal com a vida profissional”.
A nova lei laboral, se entrar em vigor, virá trazer alguma alteração de monta relativamente aos trabalhadores independentes que queira destacar?
O impacto será muito limitado, já que os trabalhadores independentes não estão abrangidos pela lei laboral. Este enquadramento continua a aplicar-se apenas aos trabalhadores dependentes, deixando de fora quem exerce atividade de forma independente. No caso da Brain Power, a nossa realidade é distinta. Não trabalhamos com profissionais independentes: todos os que integram a nossa estrutura são contratados como trabalhadores dependentes, com vínculo formal e todos os direitos assegurados. Desde a nossa fundação que assumimos o compromisso de oferecer estabilidade, proteção e enquadramento legal, antecipando preocupações que hoje começam a surgir no debate público.

Em 11 anos de atividade, a Brain Power tem acompanhado as alterações no mercado laboral. Como é que isso se consegue e que resultados conseguem obter em resultado da vossa constante atualização e acompanhamento do mercado?
O nosso sucesso tem estado sempre ligado à proximidade com as pessoas. Nunca olhámos para os nossos profissionais como números ou meros ativos financeiros, mas como parte de uma família que cresce connosco. Essa visão permite-nos perceber de forma muito direta as mudanças nas suas necessidades, expectativas e motivações, e ajustar o nosso modelo de acordo com a evolução do mercado laboral. Ao privilegiarmos esta relação próxima, conseguimos construir equipas mais motivadas, estáveis e alinhadas com os valores da Brain Power. Isso traduz-se em maior retenção de talento, melhor desempenho nos projetos e numa reputação sólida junto dos nossos parceiros. É este acompanhamento constante que garante que crescemos de forma sustentável e continuamos a ser uma referência no setor.

Estamos mais perto do fim da precariedade nos chamados “recibos verdes”? Como tem sido este caminho, para a Brain Power?
Não creio que possamos afirmar que estamos mais perto do fim da precariedade. A perceção de instabilidade varia muito: para alguns, o trabalho independente representa liberdade e flexibilidade, para outros, continua a significar
falta de segurança e de proteção. O que é claro é que os recibos verdes continuam a ser amplamente utilizados em Portugal, inclusive em setores onde se esperaria maior estabilidade. Isso demonstra que ainda há um longo caminho a percorrer para garantir condições mais justas e equilibradas para todos os profissionais. Na Brain Power seguimos uma via diferente desde o início, oferecendo vínculos estáveis, enquadramento legal e proteção real a quem trabalha connosco. Acreditamos que é esse o caminho para reduzir a precariedade e valorizar verdadeiramente as carreiras.
Já se internacionalizaram, estando presentes em Malta. Comparativamente com o mercado nacional, quais os maiores desafios?
A experiência em Malta não trouxe grandes desafios porque se trata de um mercado muito mais liberal em termos de legislação laboral. O mesmo acontece em países como os Estados Unidos ou Inglaterra, onde já estamos presentes, já que a legislação é menos restritiva e permite maior agilidade na adaptação dos modelos de trabalho.
Em Portugal, pelo contrário, continuamos a lidar com uma lei laboral excessivamente rígida e, em muitos aspetos, penalizante. Isso torna a inovação mais difícil e limita a capacidade de responder às novas realidades do mercado.
A internacionalização tem-nos mostrado que existem enquadramentos legais mais modernos e ajustados, que reconhecem a diversidade de formas de trabalho. Essa experiência reforça a nossa convicção de que Portugal
precisa de evoluir para um modelo mais flexível e inclusivo, capaz de equilibrar proteção com competitividade.

“A flexibilidade do nosso enquadramento permite adaptar o modelo a diferentes geografias e contextos, sem perder o foco na proteção e na valorização das pessoas”.
Acredita que é possível aplicar o vosso modelo de trabalho a nível europeu, sobretudo num momento em que o mercado de trabalho vive muito de trabalhadores remotos?
Sim, é perfeitamente possível e, na verdade, já o fazemos. Trabalhamos com profissionais das áreas de IT e marketing digital que desempenham funções em regime totalmente remoto, integrados no nosso modelo com a mesma estabilidade e acompanhamento de quem está presencialmente.
A flexibilidade do nosso enquadramento permite adaptar o modelo a diferentes geografias e contextos, sem perder o foco na proteção e na valorização das pessoas. O trabalho remoto deixou de ser exceção e tornou-se parte integrante da realidade laboral europeia, o que reforça ainda mais a pertinência do nosso modelo.










