“Conhecer as nossas pessoas para lá do cargo é fundamental para criar equipas coesas”

Joana Grácio começou por criar a Tox’Inn, hoje reconhecida como Bloomer – há mais de 20 anos. A evolução aconteceu, e com ela Joana Grácio cresceu enquanto profissional e pessoa. Uma entrevista sobre liderança colaborativa, pessoas e a sua importância para as empresas.

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Criou a Bloomer – antes Tox’Inn – há praticamente 21 anos. Na época, o que a fez apostar numa nova empresa, com um modelo de trabalho diferenciado?

O nascimento da Tox’Inn foi uma experiência transformadora. Tinha pouco mais de 20 anos e uma convicção firme: era possível criar uma estrutura que elevasse o papel dos embaixadores de marca a nível nacional, com critérios exigentes de seleção, acompanhamento e entrega. Na altura, essa abordagem ainda não era prática comum. Quis preencher essa lacuna e construir uma equipa verdadeiramente comprometida com o sucesso dos projetos e com
a satisfação dos clientes.
Foi o primeiro grande projeto da minha vida profissional. Ver hoje a Bloomer representada em todo o território nacional é um marco que não apenas me orgulha, mas também reforça a importância da colaboração e da visão de
longo prazo.

Como descreve a sua liderança?

É uma liderança colaborativa e atenta. Acredito que conhecer quem está connosco — para lá do cargo — é essencial para criar equipas coesas e motivadas.O nosso trabalho é exigente e dinâmico, e só é possível manter o padrão Bloomer com uma cultura de confiança e pertença.

Que impacto acredita que uma liderança positiva e eficaz tem na empresa – nos resultados apresentados aos clientes – e no bem-estar dos colaboradores?


Ambientes saudáveis potenciam resultados sólidos. Lidero com presença, abertura e clareza. Estar próxima da equipa permite-me desbloquear desafios rapidamente e reforçar a autonomia com segurança. Uma cultura vivida com verdade traduz-se numa equipa motivada, resiliente e pronta a dar aquele “little extra” que nos define.

O que é que ser líder de uma empresa como a Bloomer mudou em si?

A adaptabilidade tornou-se uma aliada constante. Ao longo dos anos, enfrentei mudanças estruturais, tecnológicas e humanas que exigiram escuta ativa, flexibilidade e uma liderança mais emocional. Aprendi a equilibrar direção com autonomia e a manter o foco nas pessoas para garantir inovação com critério.

Como analisa o mercado de trabalho nacional, atualmente, no que respeita à forma como as mulheres estão presentes e às oportunidades para poderem alcançar funções de liderança nas empresas?

Apesar dos avanços, persistem desigualdades, sobretudo após a maternidade. A conciliação entre vida pessoal e profissional continua a limitar o acesso a cargos de liderança. A mudança não pode ser apenas institucional — precisa de uma transformação cultural nas empresas e na sociedade.

Como avalia a evolução do mercado da criação e gestão de eventos em Portugal? Há espaço para um maior crescimento da Bloomer?

O setor evoluiu: está mais dinâmico, profissional e com visibilidade crescente. Eventos de grande escala descentralizados e o reconhecimento internacional confirmam o seu potencial. A Bloomer acompanha essa evolução. Não somos apenas um fornecedor de equipas — somos parceiros estratégicos na criação e execução de eventos com rigor, sensibilidade e impacto. E continuaremos a crescer com o setor, com o país e com as pessoas.