O que a levou a fundar a InGrowth? Porquê a necessidade de criar um projeto de raiz?
Fundar a InGrowth foi uma consequência natural do meu desejo de trabalhar com liberdade criativa e visão estratégica, criando algo alinhado com os meus valores e forma de pensar. A minha paixão por viajar também contribuiu para que procurasse uma solução onde pudesse viver das minhas duas paixões. Tendo passado tanto por uma agência de media como pelo lado do cliente, identifiquei uma falha clara no mercado: agências e equipas
internas operam muitas vezes em silos, sem uma visão de crescimento verdadeiramente integrada. A InGrowth nasceu dessa inquietação, assumindo-se como uma extensão estratégica das equipas de marketing, focada em
gerar impacto real e sustentável, através de colaboração ativa e comunicação constante.
Onde se nota, na empresa, a sua forma de liderar? Quais as características que salienta dessa sua capacidade que a destacam?
Lidero com autonomia, empatia e clareza. Acredito que conhecimento partilhado é poder multiplicado — quando todos compreendem o “porquê”, o alinhamento acontece naturalmente. Dou espaço para que cada pessoa traga
o seu melhor, mas com responsabilidade e direção. Valorizo relações honestas e uma cultura onde se pode questionar, propor, errar e melhorar. A minha liderança vê-se na forma como tomamos decisões na InGrowth: de
forma rápida, informada e com abertura para testar, ajustar e aprender.
A Filipa assume-se como desenrascada. Que impacto isso tem na forma de gerir os negócios?
Sempre fui desenrascada — acredito que todos os problemas têm solução e, se não têm, então não são um problema. Essa mentalidade, aliada a um foco claro nos objetivos, faz com que raramente desista antes de encontrar uma alternativa viável. Cresci a resolver desafios com poucos recursos, o que me ensinou a pensar rápido, agir sem dramatismos e simplificar processos. Isso traduz-se numa abordagem muito prática: não espero por condições ideais — executo, corrijo e sigo. A minha curiosidade natural e sede de conhecimento fazem com que esteja sempre à
procura de formas novas e melhores de fazer as coisas. Além disso, o facto de ser nómada digital reforçou ainda mais a minha resiliência e capacidade de adaptação.
“Para liderar com sucesso, é essencial ter foco, conhecimento e a humildade de se rodear de pessoas melhores do que nós em várias áreas”.
Encontrou entraves particulares que acredita serem causados pelo facto de ser mulher?
Sim, especialmente no início da minha carreira, senti entraves por ser mulher e jovem num setor ainda marcado por uma liderança predominantemente masculina. Houve momentos em que percebi que precisava de me esforçar mais para ser levada a sério, ou que as minhas ideias só ganhavam peso quando validadas por alguém “mais legítimo”.
O que destaca como aspetos-chave para conseguir liderar um negócio e levá-lo a ter sucesso?
O meu motto de vida é simples: se existe uma vontade, existe uma maneira. Para liderar com sucesso, é essencial ter foco, conhecimento e a humildade de se rodear de pessoas melhores do que nós em várias áreas. A base está na clareza de visão, na coragem para dizer que não, e na consistência na execução. Mas, acima de tudo, é preciso ter sede de fazer mais e melhor, todos os dias.










