Crédito com proximidade, clareza e confiança

Marta Bexiga defende uma comunicação mais simples, transparente e humana no setor financeiro, para ajudar os portugueses a tomarem decisões mais conscientes e seguras.

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O que distingue um bom gestor de crédito de alguém que apenas vende soluções financeiras?
A experiência na área da banca faz toda a diferença na forma como olhamos para cada processo e na forma como acompanhamos o cliente do início ao fim. Quem conhece o lado da banca tem uma visão mais completa de todo o processo, desde a análise até à relação com o banco e restantes intervenientes. Mais do que “vender” soluções, o essencial é perceber a realidade de cada cliente, ouvir com atenção e acompanhar com responsabilidade. O objetivo é criar confiança e garantir que o cliente se sente apoiado em todas as etapas.

Muitos portugueses sentem ansiedade quando falam de dinheiro. Ainda existe um tabu financeiro em Portugal? Como isso influencia as decisões das famílias?
Sim, o tabu em torno do dinheiro continua presente. Muitas pessoas evitam falar das suas dificuldades financeiras, até em família, o que gera ansiedade e pressão. Quando o tema não é tratado com naturalidade, as decisões acabam a ser adiadas ou tomadas sob maior stress, afetando a gestão do orçamento e o planeamento do futuro. A solução passa por falar mais abertamente sobre dinheiro e reforçar a literacia financeira. Quanto maior for a informação e a clareza, maior será a confiança das pessoas para tomarem decisões equilibradas.

A Gurus do Crédito aposta numa comunicação próxima. Acredita que as marcas financeiras devem abandonar a linguagem técnica para criarem relações mais transparentes e confiáveis?
Acho isso fundamental. As pessoas valorizam cada vez mais uma comunicação simples, direta e próxima, sobretudo numa área onde já existe alguma insegurança. A minha experiência na banca mostrou-me que, quando a informação é explicada de forma clara, o cliente sente-se mais confortável e confia mais no processo. Usar linguagem demasiado técnica — o chamado “banquês” — cria muitas vezes uma distância desnecessária. Simplificar não significa perder profissionalismo, mas sim aproximar-se das pessoas e tornar a informação mais acessível.

Equipa Gurus do Crédito

Considera que as novas gerações estão mais conscientes financeiramente ou apenas mais cautelosas perante a instabilidade económica?
Hoje existe mais informação sobre literacia financeira e maior apoio de profissionais e intermediários de crédito. Isso faz com que os mais jovens estejam mais informados e conscientes nas decisões relacionadas com crédito e gestão financeira. Ao mesmo tempo, vivem num contexto económico instável, o que os torna naturalmente mais cautelosos. Ainda assim, são gerações mais abertas a aprender, investir e procurar soluções, embora com maior atenção ao risco.

Se pudesse mudar alguma coisa no sistema financeiro português, o que seria
Tornaria a informação financeira mais simples, clara e acessível para todos. Apesar do apoio já existente através dos intermediários de crédito, muitas pessoas continuam a sentir dificuldades perante termos, taxas e condições técnicas. Quanto mais transparente e simples for a comunicação, maior será a confiança dos consumidores. E com confiança, as decisões financeiras tornam-se mais seguras, conscientes e ajustadas à realidade de cada pessoa.