De que forma o seu percurso contribuiu para a sua visão enquanto empreendedora e para a fundação da B Wiser?
Encanta-me o facto de todos os dias aprender algo de novo, seja com as pessoas com que me cruzo, com os desafios que me propõem ou com as pesquisas que faço.
Felizmente, a minha trajetória profissional tem-me proporcionado uma aprendizagem constante a diferentes níveis e em diferentes áreas. Enquanto jornalista aprendi a importância do saber escutar os outros. No marketing percebi que, mais do que atrair, importa construir e manter uma relação sólida com os clientes. As ativações de marca e os eventos trouxeram-me a polivalência necessária para desempenhar diferentes funções e a flexibilidade para lidar com imprevistos sem perder a calma e o foco.
Que competências intrapessoais considera essenciais para que as mulheres transformem mudanças ou ruturas profissionais em oportunidades de liderança?
Destacaria a essência da B Wiser, a inteligência emocional, como a competência intrapessoal chave para liderar. É fundamental saber gerir emoções, revelar um comportamento adequado nas relações interpessoais e evitar conflitos. Isto passa por saber controlar os nossos impulsos, manter a calma e reagir de forma ponderada face a situações adversas e pontos de vista distintos. O truque é procurar sempre posicionar-se no lugar do outro.
Admito que nem sempre é uma tarefa fácil, porque somos seres únicos com características
distintas, aptidões e motivações muito diferentes. Em momentos de mudança ou de rutura, todos sentimos medo e insegurança. Mas quando já não nos sentimos felizes ou valorizados
no local de trabalho, respirar fundo já não basta e a nossa autoestima está periclitante, há que agir.
É preciso coragem. No meu caso, a rutura profissional representou uma oportunidade para me redescobrir e criar um projeto à minha imagem, com base em experiências que fui tendo ao longo dos anos. Umas boas, outras menos boas.
“Destacaria a essência da B Wiser, a inteligência emocional, como a competência
intrapessoal chave para liderar. É fundamental saber gerir emoções,
revelar um comportamento adequado nas relações interpessoais e
evitar conflitos. Isto passa por saber controlar os nossos impulsos, manter
a calma e reagir de forma ponderada face a situações adversas e pontos de vista
distintos. O truque é procurar sempre posicionar-se no lugar do outro”.
Acredita que a abordagem humanista da B Wiser constitui uma vantagem competitiva num mercado europeu cada vez mais tecno lógico?
A B Wiser trabalha com pessoas e para pessoas. As pessoas estão no centro de tudo, sejam colaboradores, clientes ou fornecedores. É para elas que existimos. Acredito que é precisamente esta abordagem humanista que nos diferencia e que tem sido responsável pelo nosso sucesso e crescimento. Somos seres emocionais. Todos gostamos de um abraço, de um sorriso, de um gesto simpático. Todos nós apaixonamo-nos por alguém ou algo alguma vez na vida.
A tecnologia apoia-nos muito e facilita-nos a vida, mas não consegue reproduzir genuinamente as emoções ou os afetos que alimentam a nossa alma e de que tanto precisamos para viver. Se respeitarmos, seremos respeitados. Se dermos felicidade, conquistamos produtividade. Infelizmente, muitas empresas continuam a tomar decisões racionais com base em números e custos imediatos, quando a verdadeira rentabilidade do negócio depende de um investimento contínuo na vertente emocional dos colaboradores. Nem tudo é 8 ou 80. O segredo está na procura do equilíbrio entre a razão e a emoção. É preciso investir sim na inteligência emocional.
Que papel desempenham as redes pessoais e profissionais no sucesso de líderes na Europa?
Tudo é relacionamento e comunicação. A nossa experiência de vida advém essencialmente dos relacionamentos que vamos estabelecendo ao longo do nosso percurso. Começa no berço com os afetos e a educação transmitida pelos nossos pais e avós. Na partilha de espaço físico e emocional com os nossos irmãos.
Nos amigos que vamos fazendo na rua, na escola e na universidade, nas atividades em que
escolhemos participar, nas férias que tanto apreciamos, nos parceiros que escolhemos para a vida e nos filhos que tanto amamos, nas chefias que vamos tendo, às vezes com perfis tão díspares, nos clientes que conquistamos, nos fornecedores que nos apoiam e nos colaboradores que selecionamos. Falamos de muitas pessoas, muito diferentes e que também têm as suas redes de contactos pessoais e profissionais. Estamos todos ligados em rede e enquanto seres sociais, temos de saber partilhar, colaborar e interagir com os nossos semelhantes. Temos de usar a nossa inteligência emocional para saber comunicar e construir. Sozinhos não somos nada.
“A B Wiser trabalha com pessoas e para pessoas. As pessoas estão no
centro de tudo, sejam colaboradores, clientes ou fornecedores. É para elas
que existimos. Acredito que é precisamente esta abordagem humanista que nos
diferencia e que tem sido responsável pelo nosso sucesso e crescimento”.
Que conselhos daria às mulheres que ambicionam criar o seu próprio negócio e marcar a diferença no mercado?
Qualquer negócio deve começar por uma reflexão pessoal simples: quem somos, em que meio nos inserimos e para onde queremos ir. Depois é começar a planificar e construir um plano de negócios passo a passo, filtrar o que se quer e o que não se quer fazer. Colocar como pontos fortes as nossas maiores aptidões e competências e descrever os nossos pontos fracos. Precisamos de acreditar no que vamos construir, de sentir paixão e confiança. Um negócio cresce com o tempo e é necessário ter resiliência. Não desistir à primeira adversidade, nem à segunda. É fundamental ladearmo-nos de pessoas com inteligência emocional e acreditar sempre que estamos a ir juntos na direção certa, mesmo quando precisamos de fazer alguns desvios. Falhar é humano e devemos ser humildes o suficiente para compreender, aceitar e corrigir essas falhas.
Devemos olhar para a competitividade e globalidade como uma oportunidade e não como uma ameaça. O facto de estarmos inseridos num mercado global e competitivo é estimulante para fazermos sempre mais e melhor, mas não nos retira mérito, nem a nossa unicidade. Há sempre algo que nos distingue e que nos torna únicos. Basta que pensem um pouco nas várias pessoas que conhecem. Não há ninguém igual e nós, enquanto negócio, também podemos ser únicos.









