Dar vida a um futuro de mobilidade sustentável

A atuar, desde 2015, como Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica (EGME), a MOBI.E atua nas áreas da gestão e da monitorização da rede de postos de carregamento elétricos. A sua multiplicidade de tarefas permitiu que 2020 se tornasse um ano histórico para a mobilidade elétrica em Portugal, quando a 1 de julho se deu início à fase plena de mercado. Luís Barroso, CEO da MOBI.E, dá conta da importância desta empresa no setor.

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Como se posiciona a MOBI.E na área da mobilidade elétrica?

A MOBI.E é uma empresa do setor empresarial do Estado. No ano passado, fizemos a apresentação pública da estratégia da empresa, depois de termos entrado na fase plena de mercado. É essa a estratégia que tem vindo a ser implementada desde então e concentra a atividade da empresa em duas áreas distintas. Em primeiro lugar, atua como investimento público para o desenvolvimento da mobilidade sustentável e, portanto, procura seguir as melhores políticas para o ambiente. Em segundo lugar, atua como a entidade gestora da rede de mobilidade elétrica, em que asseguramos a gestão dos fluxos de informação relativos aos consumos e às transações financeiras realizadas na rede MOBI.E.

A mobilidade elétrica é um dos assuntos mais falados quando se discute o tema das alterações climáticas. Em Portugal, que evolução tem sentido no tema?

Eu penso que a mobilidade elétrica, cada vez mais, é entendida como uma opção de futuro para a mobilidade sustentável. Portugal foi pioneiro, em 2010, com o lançamento de um quadro legislativo específico para a mobilidade elétrica. Neste momento, e ao nível da União Europeia, estamos a discutir um pacote legislativo para a Europa. Constatamos que a nossa legislação de 2010 ainda é bastante atual, porque muitos dos nossos princípios, como a universalidade do uso e a interoperabilidade dos postos de carregamento, estão agora a ser seguidos pela proposta que está em discussão. Com a chegada da troika, em 2011, o processo paralisou e, só em 2015, voltou a ser retomado. Em 2016, foi-lhe dado um novo impulso quando o Governo decidiu alargar a rede piloto a todos os municípios do continente e incumbiu a MOBI.E de o fazer. Até que, em julho de 2020, conseguimos chegar à tão esperada entrada na fase plena de mercado. Desde esse momento, temos assistido a um forte investimento no aumento da rede MOBI.E. Enquanto, em julho de 2020, o número de postos disponíveis na rede era de pouco mais de 800, atualmente são mais de dois mil.

Relativamente à utilização de veículos elétricos, ainda existe alguma resistência, sobretudo por parte de quem anda constantemente em viagem e faz uma utilização intensa do veículo, isto porque a autonomia do mesmo não seria comparável à dos carros que funcionam a combustível. A juntar a isso, temos ainda a questão do tempo de carregamento do veículo. Como responde quando estes argumentos lhe são colocados?

A questão da autonomia dos veículos elétricos foi bastante levantada ao longo dos anos, mas no último ano, com os investimentos que a indústria automóvel tem vindo a fazer, também tem vindo a disponibilizar um maior avanço em termos de tecnologia. Além disso, a rede MOBI.E tem vindo a crescer na sua abrangência territorial e o número de pontos de carregamento é cada vez maior. Tudo isto vai permitir reduzir a ansiedade que os proprietários de viaturas elétricas sentem no início. Não obstante, a utilização do veículo elétrico necessita de um processo de aprendizagem. Desde logo, não é recomendável a política do “tanque cheio”. Depois, temos de aprender a aproveitar a possibilidade que a mobilidade elétrica nos dá de podermos, em pequenas paragens, carregar o nosso veículo.

Considera que seria importante haver uma formação para quem usufrui deste tipo de veículos?

Essa é também uma missão da MOBI.E. Obviamente que temos de nos restringir à nossa capacidade enquanto empresa pública, mas também temos procurado fazer isso. Uma das grandes ações que, no ano passado, apresentámos no nosso plano estratégico foi o “educar para a mudança”, que procura ensinar as pessoas, de forma credível, a combater estas ansiedades e a conhecer melhor a nossa rede. Começámos, assim, por investir num novo site, onde as pessoas encontram toda a informação que necessitam relativamente à mobilidade elétrica.

Há pouco mais de um ano teve início a fase de mercado plena. Os objetivos de neutralização carbónica até 2050 e de redução de gases de efeito de estufa em 55% até 2030 estão, de facto, mais perto de ser cumpridos?

Eu penso que atingir estas metas é um dever cívico de cada um de nós enquanto cidadãos, mas também enquanto trabalhadores de organizações. No que diz respeito à MOBI.E, estamos a trabalhar nesse sentido. Contudo, temos de ter consciência que ainda estamos numa fase muito embrionária do processo. Existem cerca de 5,5 milhões de viaturas ligeiras, em Portugal, e as viaturas elétricas passam pouco dos 100 mil. A transição elétrica é um pilar importante para alcançar as metas, contudo, importa que haja uma mudança dos padrões de mobilidade. Este caminho vai ser longo e desafiante.

Considerando que 2020 foi um ano em que a população esteve grande parte do tempo em confinamento, como avalia este novo ano, no que respeita ao interesse pela intensificação da utilização do veículo elétrico?

Em outubro, a venda de viaturas elétricas representou uma quota de 28%. No ano passado, mesmo com a questão da pandemia, a MOBI.E cresceu face a 2019. Este ano, não foi diferente. No primeiro trimestre, estivemos confinados e, mesmo assim, desde abril, temos vindo sucessivamente a bater o recorde do mês anterior. Em outubro de 2021, batemos a utilização da rede do ano todo de 2020, quer em número de carregamentos –em que passámos um milhão – quer no consumo e nas vendas de automóveis.

As perspetivas para o ano de 2022 continuam a ser de crescimento?

Sem dúvida. Em 2020, a mobilidade elétrica conseguiu atingir o ponto de não retorno. 2021 foi um ano de adaptação dos agentes de mercado à fase plena. Estou convicto de que 2022 será o primeiro ano da consolidação, que marcará uma nova realidade para os próximos anos. Vamos assistir a um acentuar da opção pela compra de viaturas elétricas. Consequentemente, torna-se vital dispormos de uma rede pública que seja fiável e com maior capacidade. O lema da nossa estratégia é “damos vida ao futuro” e queremos um futuro cada vez mais saudável para todos.

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