Descomplicar a contabilidade em Portugal

Ana Figueira, CEO da PASAF, tem redefinido o papel da contabilidade nas empresas portuguesas, transformando-a num verdadeiro suporte estratégico. Com uma abordagem centrada na simplicidade, proximidade e rigor, aposta na modernização tecnológica e na humanização da profissão.

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Como define a sua trajetória profissional até assumir a liderança da PASAF?

A minha trajetória sempre teve uma orientação clara: trabalhar com rigor, proximidade e impacto real no dia a dia das empresas. Comecei por funções muito operacionais, onde aprendi o valor da atenção ao detalhe e da capacidade de ouvir o cliente. Depois, fui crescendo para áreas de maior responsabilidade técnica e de gestão, sempre com vontade de melhorar processos e simplificar a vida de quem confia em nós. Quando surgiu a oportunidade de liderar a PASAF, senti que era o momento de colocar esta visão em prática: criar uma equipa humana, moderna e focada em transformar a contabilidade numa experiência leve, útil e estratégica.

Quais os maiores desafios que os profissionais enfrentam?

Hoje, a profissão exige muito mais do que conhecimento técnico. O contabilista precisa de dominar legislação, tecnologia, comunicação e ainda manter um olhar atento ao negócio do cliente. Os desafios passam pela constante atualização normativa, pela pressão dos prazos, pela digitalização acelerada e pela necessidade de responder rapidamente com segurança. Ser profissional nesta área exige resiliência, espírito crítico e vontade contínua de aprender.

Como avalia a evolução da profissão em Portugal nos últimos anos? E que políticas são necessárias implementar para que o setor não fique estagnado?

A profissão evoluiu imenso, já não somos apenas “guardiões de números”, mas parceiros estratégicos. A digitalização obrigou a repensar rotinas, melhorar sistemas e apostar na formação. No entanto, ainda existem obstáculos. burocracia excessiva, plataformas estatais complexas e falta de reconhecimento pelo impacto que o contabilista tem nas empresas. Políticas que simplifiquem processos, valorizem o trabalho técnico, modernizem sistemas públicos e incentivem a formação contínua são essenciais para evitar a estagnação do setor.

A filosofia de “descomplicar a contabilidade”, na prática, como é que se traduz no quotidiano da empresa e na relação com os clientes?
Na PASAF descomplicar não é um slogan, é uma atitude diária. Significa comunicar de forma clara, sem linguagem técnica desnecessária, dar acesso fácil a informação organizada e estar verdadeiramente presente para os clientes. Usamos ferramentas digitais simples, reduzimos burocracias internas, criamos rotinas transparentes e prioridades bem definidas. A relação com o cliente é construída com empatia, proximidade e rapidez. Queremos que cada empresário se sinta acompanhado e seguro, sabendo que tem uma equipa que traduz números em decisões e problemas em soluções.

Quais têm sido os maiores desafios na gestão de uma empresa de contabilidade e consultoria? Como se têm adaptado a estas mudanças?

Gerir uma empresa nesta área exige equilíbrio constante entre estabilidade e inovação. A regulamentação é extensa, os prazos são exigentes e o mercado está mais competitivo do que nunca. Ao mesmo tempo, a digitalização obriga a investir em softwares, cibersegurança, formação e processos flexíveis. Para a PASAF, a resposta tem sido apostar numa equipa sólida, motivada e com autonomia. Criamos métodos internos eficientes, ouvimos as necessidades dos clientes e atualizamos processos com frequência. A capacidade de adaptação tem sido uma das maiores forças da empresa.

Qual é o serviço mais requisitado e o papel estratégico desta integração de serviços para responder às necessidades atuais?

A contabilidade continua a ser o serviço mais solicitado, acompanhada muito de perto pela fiscalidade e pelos recursos humanos. No entanto, o verdadeiro valor surge quando todos estes serviços estão integrados. A visão global permite que a PASAF identifique riscos mais cedo, antecipe necessidades financeiras, optimize custos e apoie decisões estratégicas com informação consolidada. A integração dá ao cliente uma experiência fluida: menos intermediários, menos falhas de comunicação e mais eficiência.

Que tendências considera mais importantes para o setor e como a PASAF se está a preparar para elas?

As tendências mais marcantes passam pela automação de tarefas repetitivas, pela consolidação de dados em tempo real, pela inteligência artificial aplicada à gestão financeira e pela integração total entre plataformas. A PASAF tem-se preparado através da implementação de tecnologias intuitivas, formação recorrente da equipa, reforço da segurança digital e criação de processos híbridos que unem tecnologia com acompanhamento humano. Acreditamos que o futuro será cada vez mais digital, mas que a confiança e a relação pessoal continuarão a ser insubstituíveis.

Equipa PASAF

Para o futuro, que novidades ou projetos pretendem desenvolver para continuar a crescer e a diferenciar-se no mercado?

O futuro passa por reforçar o nosso papel como parceiros estratégicos das PME. Queremos expandir serviços de consultoria financeira, apoiar mais empresas em processos de profissionalização e gestão, investir em automação inteligente e desenvolver conteúdos e ferramentas que ajudem os empresários a tomar melhores decisões. Estamos atentos a novas áreas de atuação, a parcerias tecnológicas e a formas inovadoras de simplificar a contabilidade. O objetivo é continuar a crescer de forma sustentável, mantendo aquilo que nos distingue: proximidade, transparência e um cuidado genuíno com cada cliente.