Descomplicar a IA com foco nas pessoas

Cátia Lopes defende que o verdadeiro desafio da inteligência artificial não está na tecnologia, mas na sua adoção. Entre a psicologia organizacional, a gestão do conhecimento e a inovação, acredita que o futuro do trabalho será construído através da ligação entre pessoas, aprendizagem e tecnologia.

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Quando olha para o seu percurso, qual foi a decisão ou o momento que a levou a perceber que o seu lugar estava no cruzamento entre a tecnologia, a inovação e o negócio?
O momento mais claro foi no World AI Cannes Festival, ao apresentar o trabalho da BridgeLK sobre adoção de IA nos nossos clientes. Confirmámos que a tecnologia não era o problema, era sim a adoção. Venho da Psicologia das Organizações, e é essa leitura do fator humano que junto à pedagogia, à tecnologia e à inovação na BridgeLK. O meu lugar é onde estas dimensões se cruzam: a ajudar organizações a lidar com o futuro do trabalho e a gestão do conhecimento.

A BridgeLK surge num momento em que a inteligência artificial está a transformar a forma como as empresas trabalham. Se tivesse de explicar a missão da empresa a alguém que nunca ouviu falar de vós, que problema concreto estão a resolver e por que motivo isso é tão relevante hoje?
A maioria das iniciativas de IA falha não por falta de tecnologia, mas porque o conhecimento continua disperso e as equipas pouco envolvidas. Sem as pessoas no centro, a inovação não gera valor sustentável. É isto que a BridgeLK resolve: ajudamos as organizações a capturar, estruturar e partilhar o conhecimento que têm, transformando experiência em aprendizagem, engagement e desempenho. É o nosso “Linking Knowledge”. A IA torna-o possível a uma escala antes impensável.

Liderar uma empresa numa área que evolui praticamente todos os dias exige uma capacidade constante de adaptação. Como é que gere a pressão de tomar decisões num setor onde aquilo que é inovador hoje pode tornar-se obsoleto amanhã?
Há sempre tensão. O que hoje nos distingue pode estar desatualizado amanhã. Já apostámos em tecnologias cujo entusiasmo perdeu fôlego mais rápido do que esperávamos, e encaro isso como aprendizagem. O que nos mantém no rumo é testarmos rápido, ouvirmos o cliente antes do mercado, e ajustarmos sem apego ao que já investimos.

Que conselho daria à jovem Cátia que está a iniciar carreira e que mensagem gostaria de deixar às mulheres que ambicionam construir um percurso de liderança em áreas tecnológicas?
À jovem Cátia diria para manter a curiosidade como motor de evolução e não se preocupar demasiado com o destino. As oportunidades aparecem para quem está atenta.

Para as mulheres que querem liderar em tecnologia, digo que ainda há ambientes em que isso é mais difícil do que devia ser, mas há cada vez mais onde não é. Se sentirem isso, é sinal de que aquele lugar não é para vocês.

Daqui a alguns anos, quando olharmos para a IA e para o impacto que teve nas empresas e na sociedade, o que espera que tenha mudado? E qual gostaria que fosse o papel da BridgeLK nessa transformação?
Espero que se diga que a IA nos tornou melhores naquilo que já fazíamos, uma Inteligência Aumentada, e não que automatizou tudo. É essa a aposta da BridgeLK: a tecnologia como ponto de encontro entre pessoas e conhecimento, nunca como substituição do olhar humano nas decisões que importam. Se formos lembrados por isso, teremos cumprido o nosso papel.