“Devemos ser autênticas, não perfeitas”

Inês Cortez ajuda mulheres e homens a deixarem de viver para corresponder a expectativas, a reconhecerem o seu valor e a fazerem coincidir o que são por dentro com aquilo que comunicam por fora.

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Passou pelo design, gestão, comunicação, desenvolvimento humano e coaching de imagem. Foi a sua carreira que a transformou ou foi a sua transformação pessoal que redefiniu a sua carreira?
Foi a minha transformação pessoal. Mas no início da vida profissional andei perdida. Trabalhei muito tempo na Plural/TVI, tinha estabilidade e bom ambiente, mas comecei a desejar que o meu trabalho fosse também o meu propósito de vida, útil e importante na vida das pessoas. Queria ser a dona do meu tempo e ter liberdade para a minha criatividade. A vida vai nos dando sinais, foi o que me aconteceu e despedi-me! Fui estudando desenvolvimento pessoal, fiquei encantada com o processo e tirei a certificação de coaching. Mas percebi que seria pouco e estudei outras áreas. O que fez a diferença foi o Human Design. Apliquei em mim, dando os passos certos, apesar do medo. Hoje vivo melhor do que sonhei!

Espera-se que as mulheres sejam competentes em todas as áreas. Qual é a expectativa mais difícil de desconstruir e que limita a forma como as mulheres lideram a vida?
Devemos ser autênticas, não perfeitas… a supermulher não é boa para ninguém! Vai destruindo lentamente a saúde e vida amorosa. Os homens não querem a perfeição, querem conquistar a mulher feminina que se valoriza. Para nos mantermos femininas não podemos ter tudo às nossas costas, precisamos de aprender a dizer “não”.

A mulher precisa de desconstruir a ideia de que tem de cuidar de todos, colocando-se em último lugar. Os filhos por exemplo, preferem ver a mãe feliz ao fim de semana, do que vazia, esgotada e sem paciência todos os dias. Não podemos dar aos outros aquilo que não temos. Para cuidar melhor da família, a mulher precisa de cuidar de si primeiro. Dessa forma terá o seu melhor para dar!

A sua metodologia parte da ideia de que “não basta ser, é preciso parecer” e vice-versa. Acha que as mulheres são avaliadas pela aparência antes de serem reconhecidas pelo talento? Como se combate essa realidade?
Sim. Mas a culpa não é só dos homens, muitas mulheres com pouca maturidade acabam por se objetificar pela forma como exibem o corpo em contextos desapropriados. Este comportamento está relacionado com fraca autoestima e necessidade de validação externa. Por não saberem o seu valor ou não o desenvolvem, apostam no corpo e na imagem. Mas depois podem não sustentar algo que conquistaram por parecer aquilo que não são.

Não acho que devamos combater essa realidade, devemos aceitá-la e usá-la convenientemente. A energia fala mais alto que tudo, captamos o outro através dos cinco sentidos. Devemos apresentar-nos de forma coerente com a nossa essência, o contexto e os objetivos pessoais. Parecer aquilo que não somos é sempre arriscado. Devemos desenvolver o nosso melhor por dentro e por fora. É esse o meu trabalho, o programa SER desenvolve por dentro e o PARECER por fora.

Se pudesse regressar ao início da sua vida profissional, que ideia sobre liderança feminina lhe diria?
Não me comparar com ninguém e brilhar na minha autenticidade. Dar o meu melhor com gratidão, paixão e entusiasmo e libertar-me da expectativa de resultados, confiando que serão os melhores. Quando me deparasse com obstáculos, manteria o foco no positivo, com a certeza de que o que está a acontecer serve de lição para passar ao patamar seguinte. Foi o que aconteceu na minha vida e o que testemunho nos meus clientes.