“Em 2021, consolidaremos o e-learning”

A OPCO é uma empresa de formação e consultoria, certificada e especializada, sobretudo, nas áreas da indústria automóvel e da aeronáutica, onde conta com parceiros importantes ligados a estes setores. Depois de ter aproveitado o período de confinamento para criar a OPCOnline, uma plataforma de e-learning, Pedro Silva, engenheiro e CEO desta entidade formadora faz um balanço de 2020 e abre as portas de 2021, que será “um ano de consolidação”.

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Pedro Silva, CEO e engenheiro

Como descreveria o ano de 2020, tendo em conta a questão da pandemia, a necessidade contínua de aprendizagem e os setores de atividade para os quais estão particularmente adaptados?

Realmente, o ano de 2020 foi e continua a ser uma aprendizagem contínua. Uma das primeiras aprendizagens, para uma empresa como a nossa, que se considerava, como refere, virada para o futuro, foi constatar que afinal estávamos dentro de uma zona de conforto. Na realidade, creio que todos nós, estávamos numa grande zona de conforto, que ia sendo alargada, é certo, mas dentro de uma normalidade que agora… mudou. E foi essa a nossa prioridade durante este ano: adaptar-nos, e rapidamente, a esta nova realidade e preparar a mudança de paradigma. Se sempre seguimos aquela máxima de “o que nos trouxe até aqui, não nos levará necessariamente mais além”, agora temos que realmente avaliar o caminho, mudar a orientação estratégica e isso começou já a ser feito. E agora sim, mandamo-nos para fora da tal zona de conforto.

Que adaptações foram levadas a cabo durante o ano para continuar a trabalhar e a levar a cabo as formações em curso?

Como referi, a primeira mudança foi o passar para o virtual, para o online mas, há ainda muito a fazer e podemos elencar vários temas: os equipamentos, apostar em condições técnicas adequadas a uma presença online profissional, seja a nível da atitude e da presença, do descontrair e ter uma melhor interação com os equipamentos acima referidos e com um público à distância; o marketing e a promoção, através dos vários canais que temos disponíveis e, finalmente, o grande desafio e, simultaneamente, a grande oportunidade: se com uma presença física estamos limitados pelas distâncias, num mundo online temos um campo de atuação global. Aqui sim, reside o desafio, enorme, mas igualmente uma oportunidade enorme, e não só a nível da lusofonia, mas também com o uso do Inglês universal.

Algumas dessas adaptações serão, daqui em diante, tornadas permanentes? Que mais-valias possuem para que assim seja?

Claramente, há situações que simplesmente não voltarão atrás e se, como referido, temos vários desafios e oportunidades, temos também várias sinergias a explorar. Uma dessas sinergias surgiu durante o período de confinamento, fechados em casa, mas à distância de uma chamada virtual com o mundo inteiro e foi aqui que os contactos se revelaram extremamente úteis. Um exemplo disso foi a edição deste ano do nosso Automotive Summit onde, quase sem querer, passámos claramente as fronteiras nacionais. Não só tivemos uma participação, no total, de mais de 400 ligações, com chegámos ao Brasil, Índia, China e outros países, fosse através de portugueses deslocados nesses países, fosse através de locais, trazidos por nós bem como pelos nossos convidados. Esta é, certamente, uma das alterações que veio para ficar e que estamos já a potenciar para o ano de 2021.

Existem formações que gostaria de salientar?

As formações seguirão o seu curso, a necessidade continua a existir e o facto de serem realizadas online não vai eliminar na totalidade a necessidade de ações presenciais. Creio que o factor que mais importa realçar passa sim por temas com o Summit. Temos já na calha a próxima edição onde queremos apontar para um alcance global. Claro que não o faremos sozinhos, estamos a trabalhar com parceiros europeus e de fora da Europa, reunindo um conjunto de especialistas que irá garantir esse alcance global. Depois, e ligando à formação ou a outras das nossas atividades, iremos cada vez mais usar um modelo blended, combinando as atuações remotas com as ações presenciais, combinando as ações remotas entre o síncrono, como a presença de um monitor ou consultor, e o assíncrono, totalmente online.

Que características gostaria de destacar, em particular, nas vossas formações?

Gostamos de acreditar que as nossas formações ou ações, cumprindo, claro, com os objetivos definidos, levam também as pessoas a questionar atitudes e a desafiar o normal. Gostamos de acreditar, e temos motivos para isso, que estendemos “a caixa”, seja a nível de formação, seja a nível de consultoria, que levamos as organizações a repensar a sua atuação, a questionar o “porque fazemos desta forma”, que levamos as organizações a pensar a sua atuação, não apenas de um ponto de vista de “conformidade”, mas sim de um ponto de vista de “valor acrescentado”.

A quem se destinam – a trabalhadores empregados em determinados setores económicos, a desempregados, a formandos de primeiro emprego?

Temos uma enorme satisfação de chegar a várias franjas, dentro das áreas industriais onde atuamos, onde tivemos já oportunidade de trabalhar desde o chão de fábrica à gestão de topo das organizações, desde recém-entrados no mercado de emprego até pessoas com toda uma vida de experiência. Claro que os temas são adaptados e adequados à audiência, mas esta situação reflete-se ainda mais quando temos um grupo heterogéneo e onde podemos “jogar” com as várias experiências e várias atitudes dentro desse grupo.

A questão pandémica colocou muita gente em lay-off. Essa é uma boa oportunidade para aprimorar competências? Verificou-se?

Sem dúvida, tivemos várias pessoas, não só de Portugal, mas também de outros países ou a viver em outros países a realizarem um autêntico plano de formação pessoal e, assim, aproveitarem o tempo de confinamento. É um pouco como o ditado “enquanto uns choram, outros vendem lenços”. Vimos casos de indivíduos a apostarem nas suas qualificações, mas também empresas, a aproveitar a maior disponibilidade das pessoas, para recuperar temas e formações.

No que respeita ao ano de 2021, como se posicionará a OPCO, no que concerne à formação?

Como referi anteriormente, 2020 foi o início da mudança, 2021 tem de ser a consolidação. Temos pela frente desafios essencialmente técnicos como a questão do e-learning, e temos também a necessidade de outras competências, outros conhecimentos, de modo a poder gerir e tirar o máximo proveito dos meios. Iremos para isso contar não só com as nossas pessoas, como também com parceiros, especialistas nas várias áreas de modo a, voltando ao tema, podermos alargar esta nova área de conforto.

O setor automóvel é das áreas com mais destaque na vossa oferta formativa. Será, também ela, reforçada no próximo ano?

Sim, claro, mas o “setor automóvel” está a mudar e vai continuar a mudar, assim sendo o nosso foco o “automóvel”, iremos cada vez mais apostar na formação e consultoria aplicada às novas formas de mobilidade e aos novos desafios, por exemplo a nível do desenvolvimento de software e integração hardware / software. Aliás, o ano começará precisamente com um projeto que visa compilar as melhores práticas para empresas da área. Ora se para as empresas produtoras essas boas práticas estão já maduras, para empresas de serviços ou integradoras desses serviços, estamos ainda numa fase inicial, em que vários referenciais já existem, mas não estão ainda consolidados ou reconhecidos pelas entidades de referência. Creio que este projeto espelhará bem aquilo que será a nossa evolução, como organização.

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